Faltou Dizer
Lula acompanhou o desfile do camarote da Prefeitura do Rio, ao lado de Janja, ministros e aliados como Eduardo Paes
A arquitetura das redes sociais alterou o perfil do poder no Brasil, deslocando o centro da disputa do plenário para a engenharia da atenção
Carnaval não é um capricho, nem uma frivolidade financiada por dinheiro “jogado fora”
Precisamos conhecer nossos herois e heroínas, que muitas vezes não tem nome
Quando poder, silêncio e prestígio se combinam para transformar abuso em ruído de fundo
Quando a idade vira argumento e a juventude deixa de ser promessa para virar voz
O astro porto-riquenho transformou o intervalo mais famoso do esporte americano em um palco de identidade latina
Radicalização política se consolida como método eleitoral e ameaça o debate democrático no Brasil
A nova rede de chatbots revela avanço tecnológico, mas também um espelho desconfortável da nossa solidão digital
Diante de uma acusação dessa gravidade, o caminho natural em uma democracia madura seria ouvir o citado, esclarecer os fatos e permitir que a investigação seguisse seu curso com total transparência
Cada decisão como essa aprofunda o abismo entre representantes e representados
Tragédia animal vira combustível para ofensiva política contra o Judiciário e os direitos fundamentais disfarçados de Justiça
Na última semana, uma descoberta em solo brasileiro tem proporcionado um avanço científico no campo da Medicina, levando esperança para que pessoas tetraplégicas possam voltar a andar. Isso acontece graças à polilaminina, que é um composto capaz de estimular a reconexão de neurônios que foram danificados na medula espinhal.
A polilaminina é uma molécula experimental desenvolvida pela pesquisadora Tatiana Sampaio, que é professora de Biologia da Matriz Extracelular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ela foi obtida por meio de proteínas extraídas da placenta humana e aplicada diretamente na região lesionada. Com isso, levanta-se a possibilidade de estimular a regeneração dos circuitos nervosos e restaurar funções que estavam perdidas.
A descoberta pode render o Prêmio Nobel de Medicina para ela e também ao Brasil, algo que seria inédito. Há quem pense que uma pesquisa dessa é algo simples de ser feito, mas não é. Essa pesquisa, especificamente, demorou 30 anos. A ciência mais uma vez surpreende de maneira positiva ao proporcionar avanços para a sociedade.
Mas, infelizmente, o Brasil conta com uma realidade que chega a ser cruel com quem dedica anos a uma pesquisa para se ter um resultado efetivo: a falta de um orçamento digno. Exatamente! Recursos voltados para a ciência e para as universidades - que são o ponto de partida para pesquisa científica - estão cada vez mais escassos através de cortes, o que pode impactar no desenvolvimento de estudos importantes para vários segmentos.
Com a aprovação do orçamento federal para este ano, os orçamentos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) sofreram reduções de R$ 359,3 milhões e R$ 92,4 milhões, respectivamente, em relação à proposta original, o que representa uma queda superior a 7% em termos reais quando comparado a 2025.
Além disso, as universidades federais enfrentarão uma diminuição de R$ 488 milhões em seus recursos discricionários, comprometendo o funcionamento das instituições, a manutenção da infraestrutura, a assistência estudantil e as atividades de ensino, pesquisa e extensão.
Os pesquisadores vinculados ao Programa Conhecimento Brasil precisaram fazer uma nota conjunta para falar o óbvio: essas medidas ameaçam a continuidade de projetos científicos, assim como a permanência de estudantes e pesquisadores no sistema nacional de ciência e os esforços de internacionalização da pesquisa brasileira.
Ao mesmo tempo, o orçamento traz o aumento dos valores destinados às emendas parlamentares, que alcançarão R$ 61 bilhões, além do aumento do Fundo Eleitoral, de R$ 1 bilhão para R$ 4,9 bilhões, apontando uma inversão de prioridades incompatível com um projeto de desenvolvimento baseado em conhecimento, inovação e redução das desigualdades.
A situação só destaca o abismo existente entre Brasil e valorização da ciência. Situações como essa mostram que os governantes deveriam sentir vergonha de retirar dinheiro de uma área que salva e pode transformar vidas, como o exemplo mostrado no início deste texto.
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O romance também nos mostra o choque entre o indivíduo e as instituições
Na última semana, fui ao cinema para assistir à produção e confirmar a origem do "hype". Saí da sala xingando e reclamando. Não porque o filme é ruim. Pelo contrário

