Bastidores
O PMDB nacional — o leitor leu corretamente — recorreu, nesses dias de crise intensa, ao governador de Goiás, Marconi Perillo, para tentar contornar a derrocada política de Brasília.
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Presidente do Detran-GO, Manoel Xavier[/caption]
Durante anos, em todos os governos, o Detran, quando aparecia na imprensa, era motivo de preocupação. “Um novo escândalo”, pensava-se logo. Na gestão de Manoel Xavier, o órgão se tornou uma fonte de boas notícias.
Com seu estilo de gestor moderno e equilibrado, Manoel Xavier pôs ordem no Detran, e fazer estardalhaço midiático. O órgão atende o usuário bem e cada vez mais rápido.
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Karlos Cabral | Foto: Denise Xavier[/caption]
Não há a menor dúvida de que Karlos Cabral, ex-PT, é um deputado qualificado, articulado e sério. “Mas o parlamentar, agora filiado ao PDT e pertencendo à base do governador Marconi Perillo, às vezes parecer ter crise de identidade. De repente, começa a fazer críticas duras ao governo, esquecendo-se que, na prática, integra sua base política. Ao mesmo tempo, ele raramente perde um evento do governo e costuma elogiar fartamente o governador tucano”, afirma um deputado estadual.
A deputada federal Flávia Morais, que pertence à base governista, promete puxar ao menos uma das orelhas do parlamentar. Um pedetista diz que Karlos Cabral está numa fase de adaptação. “Por vezes, pensa que ainda pertence ao PT ou à Rede”, afirma o aliado de Flávio Morais.
O prefeito de Goiânia, Iris Rezende, tem confidenciado a aliados que aposta todas as suas fichas que o senador Ronaldo Caiado vai se filiar ao PMDB, entre agosto e setembro, para disputar o governo de Goiás pelo partido.
O vilelismo não é tão otimista. Mas a turma de Iris Rezende acredita que, na hora agá, com o fato consumado, Maguito Vilela vai compor com Ronaldo Caiado, lançando-se candidato a senador, junto com Jorge Kajuru, do PRP, e bancando a reeleição do deputado federal Daniel Vilela.
Iris Rezende planeja bancar Iris Araújo, ou Samuel Belchior, para vice de Ronaldo Caiado.
A Justiça decidiu que o prefeito Divino Lemes deve ser mantido no cargo. Mas a oposição aposta que brevemente o integrante do PSD terá novos problemas com a Justiça. Basta o Ministério Público e, se quiser, a Câmara de Vereadores ficarem de olho.
Divino Lemes, mesmo quando não comete irregularidades intencionais, comete-as por seu alto grau de desorganização. O prefeito nunca conseguiu montar uma equipe eficiente e que tenha coragem de dizer a ele onde e como está falhando.
Um democrata afirma que o senador Ronaldo Caiado, presidente do DEM em Goiás, “está se isolando tanto em Brasília quanto em Goiás”.
Em Brasília, afirma o democrata — que, por sinal, apoia a candidatura de José Eliton para governador de Goiás —, o presidente do DEM em Goiás trabalhou firme pelo impeachment de Dilma Rousseff. Mas, tão logo Michel Temer assumiu, começou a criticar seu governo. O DEM ocupa ministério e apoia o governo do peemedebista.
Ao atacar o ministro Moreira Franco, Caiado perdeu um aliado, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. Franco é sogro do parlamentar. Maia não “malha” o senador publicamente. Mas, privadamente, não o poupa.
“Não contente com a desagregação que promove, Caiado está criticando, de maneira acerba, os governadores do Rio de Janeiro e do Rio Grande”, afirma o democrata. Neste ponto, é difícil discordar do senador: os dois gestores são mesmo fracos e não conseguem administrar seus Estados.
O democrata que critica Caiado afirma que, por enquanto, vai manter-se anônimo. “Mas, no momento oportuno, vou apresentar-me”, afirma. Ele diz que não quer ser expulso do DEM. “Caiado não tolera a divergência interna e criou um DEM monolítico, sem expressão, em Goiás. Ele não soube manter um grande deputado como Helio de Sousa, que deixou o DEM devido à sua intransigência. Vilmar Rocha saiu do DEM por sua causa.”
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Júlio Paschoal[/caption]
Júlio Paschoal, economista de sólida formação cultural e professor universitário, será candidato a deputado estadual, tendo Goiânia como base eleitoral.
Uma das vozes qualificadas do governo de Goiás, onde atua como economista, Júlio Paschoal fará dobradinha com o deputado federal Giuseppe Vecci, que disputará a reeleição.
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Foto: Fernando Leite/Jornal Opção[/caption]
Os senadores Wilder Morais e Lúcia Vânia promovem uma briga de foice no escuro e de palavras no claro. Querem disputar a reeleição, mas, como o governador Marconi Perillo deve ser candidato a senador (há quem aposte que, para abrir espaço, pode ir a federal), sobra apenas uma vaga, que será de Wilder Morais ou de Lúcia Vânia. Daí a guerra.
Analistas que examinam pesquisas e cenários sugerem, porém, que Lúcia Vânia não é ameaça para Wilder Morais nem Wilder Morais é ameaça para Lúcia Vânia. “O que eles não percebem é que a ameaça mais forte aos dois é o vereador Jorge Kajuru, que começa a crescer nas pesquisas de opinião pública. A partir do quadro de hoje, é muito provável que Marconi Perillo e Jorge Kajuru sejam eleitos para o Senado”, afirma um pesquisador e analista político.
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Fotos: Fernando Leite/ Jornal Opção e Ana Paula / Agência Brasil[/caption]
O vereador Jorge Kajuru (PRP), que tem tido uma conduta exemplar na Câmara Municipal de Goiânia — não se envolve com as malandragens de alguns vereadores e tem uma atuação crítica e propositiva —, afirma que não disputará mandato de deputado federal, e sim de senador.
Jorge Kajuru, se fosse candidato a deputado federal, iria atrair uma chusma de políticos oportunistas, que seriam candidatos a deputados unicamente com o objetivos de serem “carregados” por ele.
Ao saber que Jorge Kajuru pode optar pela disputa de uma vaga no Senado, o ex-governador Alcides Cidinho Rodrigues teria desistido de disputar mandato de deputado federal. Ele não vai mais ser o candidato-mochila.
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Foto: Y. Maeda/ Alego[/caption]
A Câmara Municipal de Goiânia é olimpicamente ignorada e desprezada pelo prefeito Iris Rezende, tanto que até agora não indicou o líder do governo no Legislativo. Mesmo assim, os vereadores — com a exceção de Elias Vaz, Jorge Kajuru, Romário Policarpo, Paulo Magalhães e mais uns dois ou três — estão acomodados. Mas, enquanto eles não se manifestam, exceto para pressionar por cargos, o deputado Francisco Júnior tem feito críticas consistentes à gestão do peemedebista. O parlamentar do PSD tem notado que faltam projetos à gestão de Iris Rezende, que parece ter perdido, de vez, o timing e a capacidade de conectar com a sociedade goianiense.
Na Assembleia Legislativa, Francisco Júnior tem uma conduta apontada como exemplar. Não chantageia o governo e pertence ao chamado alto clero, aquele que se preocupa com discussões propositivas. Ele contribui, de maneira decisiva, para a melhoria de projetos, mas também não é subserviente.
Em 2020, Francisco Júnior deve ser candidato a prefeito de Goiânia. O eleitorado ficou impressionado com seus projetos e discurso em 2016.
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Ricardo Saud[/caption]
As delações premiadas de Joesley Batista e Ricardo Saud, da J&F e JBS, na avaliação de especialistas em Direito, inocentaram o governador de Goiás, Marconi Perillo. Ao dizerem que o tucano-chefe não fazia favores à empresa, num tom de reclamação, Joesley e Saud sugeriam que não havia relação não-republicana com o governo.
Marconi, afirmou Saud, não fez “um nada pela JBS”.
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Marconi e o prefeito peemedebista Ernesto Roller | Foto: Wagnas Cabral[/caption]
O programa Goiás na Frente — os políticos complementam: “Goiás na Frente e a oposição para trás” — ampliou a aproximação do governador Marconi Perillo, do PSDB, com vários prefeitos do PMDB. Os prefeitos ficam satisfeitos porque, com eles, o tucano-chefe não fala de assuntos políticos, e sim apenas de questões administrativas.
Marconi Perillo tem frisado que, com as certidões negativas em dia, todos os prefeitos terão acesso aos recursos do Goiás na Frente, independentemente dos partidos políticos e ideologias. A tese de Marconi Perillo é que o desenvolvimento só ocorre de fato se todos os municípios, portanto suas populações, forem beneficiados.
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Foto: André Costa/ Jornal Opção[/caption]
O comportamento republicano do presidente da Assembleia Legislativa de Goiás, José Vitti (PSDB), tem agradado ao governador Marconi Perillo (PSDB).
José Vitti, que pode ser candidato a deputado federal, tem colaborado com o tucano-chefe para desatar nós políticos e, “na aprovação de projetos, é um verdadeiro pilar de sustentação do governo”, segundo aliados do governador Marconi.
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Thiago Peixoto | Antonio Araújo / Câmara dos Deputados[/caption]
Thiago Peixoto (PSD) é uma espécie de deputado federal hors concours. Economista de vasta cultura, mantém um diálogo de alto nível com seus pares na Câmara dos Deputados e sempre é consultado pelos colegas sobre vários temas, inclusive educação.
Sempre posicionado, Thiago Peixoto permaneceu em Brasília, nos momentos mais agudos da crise política, participou de reuniões com líderes partidários e debateu saídas responsáveis para o pepinoduto.
Sempre que inquirido, o jovem parlamentar apresenta suas opiniões sobre o afastamento presidente Michel Temer e eleições indiretas ou diretas para a escolha do próximo presidente, se o peemedebista cair.
O líder pessedista sugere que o país não pode ficar sangrando devido à crise política. Precisa seguir com as reformas que são vitais para a recuperação da economia.
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| Foto: Marcos Kennedy (Roller) e Carlos Costa (Adib)[/caption]
Adib Elias e Ernesto Roller, eleitos prefeitos de Catalão e Formosa, fazem falta na Assembleia Legislativa. Eles eram críticas e, eventualmente, consistentes. Sobretudo, eram aguerridos e davam trabalho para a bancada governista. Agora, com os dois tendo de atuar de maneira responsável, porque têm contas a ajustar todos os mês, a Assembleia Legislativa ficou mais tranquila para o governo.
José Nelto até tenta ser crítico do governo, mas é uma voz isolada. “Nelto não é uma voz categorizada e não tem o preparo intelectual de um Roller ou de um Luis Cesar Bueno, do PT”, afirma um deputado da base aliada.


