Oposição protocola pedido de impeachment contra Ibaneis Rocha
24 janeiro 2026 às 10h46

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Francisco Neto, repórter do Jornal Opção Entorno Goiás/DF
Deputados de oposição protocolaram um pedido de impeachment contra o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB). A iniciativa ocorre após a divulgação de novas informações envolvendo o Banco de Brasília (BRB), a tentativa de compra do Banco Master e investigações conduzidas pela Polícia Federal.
A investigação teve início em novembro de 2025 e apura nove operações financeiras realizadas entre novembro de 2023 e julho de 2024. Segundo a Polícia Federal, cerca de R$ 970 milhões, pertencentes a uma autarquia, foram aplicados em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master.
De acordo com a PF, são investigados possíveis crimes contra o sistema financeiro nacional, como gestão fraudulenta, desvio de recursos, indução ao erro de repartição pública, fraude à fiscalização ou ao investidor, além de associação criminosa e corrupção passiva.
O deputado distrital Fábio Félix (PSOL) afirmou que o pedido de impeachment foi protocolado diante da gravidade dos fatos revelados. “O pessoal decidiu hoje protocolar um pedido de impeachment contra o governador Ibaneis Rocha, dada a gravidade das revelações que foram feitas hoje. Não é qualquer coisa. Foram quatro encontros do governador diretamente com o Daniel Vorcaro”, declarou.
Félix disse ainda que acompanhou a tramitação do projeto de lei que autorizava a compra do Banco Master pelo BRB e criticou a atuação do governo durante a votação. “Votei contra, lutei para que não fosse votado aqui e vi a incidência direta do governo do Distrito Federal, do governador, ligando para os deputados e pedindo para que fosse votado”, afirmou.
Segundo o parlamentar, o projeto foi analisado de forma acelerada. “Foi protocolado numa sexta e aprovado no mesmo dia em que foi lido, sem nenhuma discussão. Nem ouvimos publicamente o presidente do BRB antes da aprovação”, disse.
O deputado destacou que o pedido de impeachment permite que o caso seja debatido de forma ampla. “O pedido abre a possibilidade de ampla defesa e contraditório. O que não pode é a Câmara Legislativa se calar diante do que está acontecendo”, afirmou.
Para Fábio Félix, a situação pode trazer impactos diretos ao Distrito Federal. “Isso coloca o BRB em risco. Um aporte bilionário pode colocar em xeque as contas públicas, o pagamento de salários dos servidores e as políticas públicas”, disse.
O deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) também comentou o caso e defendeu medidas judiciais para responsabilizar os envolvidos. “Além de afastar o governador, é importante que a Justiça possa fazer o sequestro dos bens dos responsáveis, para que parte do prejuízo da população possa começar a ser ressarcida”, afirmou.
Rollemberg classificou o episódio como um dos mais graves já registrados no Distrito Federal e citou valores apontados nas investigações. “O Banco Central determinou que o BRB precisa se capitalizar imediatamente em 2,6 bilhões de reais para que o banco não quebre. Mas o rombo é muito maior”, disse.
Segundo o parlamentar, informações iniciais da Polícia Federal indicam que o prejuízo pode ultrapassar R$ 4,5 bilhões. “Os 2,6 bilhões são apenas para cobrir um problema imediato de liquidez. Tudo indica que o rombo é bem superior”, afirmou.
No caso das aplicações investigadas, à época, o Rioprevidência informou que havia realizado um aporte de cerca de R$ 960 milhões no Banco Master. O órgão afirmou, em nota, que os pagamentos de aposentadorias e pensões não seriam afetados.
“O pagamento de aposentadorias e pensões está garantido, não havendo qualquer risco para os segurados do Estado do Rio de Janeiro”, destacou o Rioprevidência.
Segundo o fundo, o valor investido era inferior ao total da folha mensal de aposentados e pensionistas, estimada em R$ 1,9 bilhão, custeada em grande parte por receitas de royalties. O Rioprevidência informou ainda que os investimentos foram realizados entre outubro de 2023 e agosto de 2024, com vencimentos previstos para os anos de 2033 e 2034.
O pedido de impeachment agora será analisado pela Câmara Legislativa do Distrito Federal, que decidirá sobre os próximos passos do processo.
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