O São Paulo Futebol Clube vive uma grave crise política e institucional e pode ter o presidente Julio Casares afastado do cargo nesta sexta-feira, 16, caso seja aprovado um pedido de impeachment no Conselho Deliberativo. O clube também é alvo de investigações da Polícia Civil por suspeitas de irregularidades na gestão.

O pedido de destituição foi protocolado por 57 dos 255 conselheiros, sob a alegação de gestão irregular ou temerária. Para que o impeachment seja aprovado, são necessários ao menos 191 votos. Caso esse número seja alcançado, Julio Casares será afastado imediatamente. A defesa do presidente afirma que não há fundamento jurídico para a medida.

Paralelamente, a Polícia Civil de São Paulo instaurou inquérito para apurar possíveis crimes envolvendo a administração do clube, incluindo associação criminosa, furto qualificado e apropriação indébita. O São Paulo é tratado como vítima no procedimento.

Segundo a investigação, entre 2021 e 2025, foram realizados saques em dinheiro vivo que somam cerca de R$ 11 milhões das contas do clube. Inicialmente, os valores teriam sido retirados por funcionários do São Paulo e, posteriormente, por uma empresa de transporte de valores. O destino do dinheiro ainda não foi esclarecido.

No mesmo período, a polícia identificou depósitos que totalizam aproximadamente R$ 1,5 milhão na conta pessoal de Julio Casares. O advogado do presidente, Bruno Borragini, negou qualquer vínculo entre os saques do clube e os depósitos pessoais. Segundo a defesa, Casares atuava como publicitário antes de assumir a presidência e recebia parte de sua remuneração em dinheiro, o que explicaria as entradas na conta.

A defesa do clube afirma que os saques em espécie ocorreram para o pagamento de despesas operacionais do futebol, como arbitragem e premiações a jogadores. Para esclarecer a destinação dos valores, o São Paulo contratou peritos e reúne notas fiscais.

Outra frente de investigação apura a exploração irregular de camarotes no estádio do Morumbi, envolvendo dois diretores do clube: Douglas Schwartzmann e Mara Casares, ex-esposa do presidente. Áudios divulgados pelo ge indicam possível divisão de lucros. Ambos pediram licença dos cargos e negam as acusações, alegando que o material foi retirado de contexto.

A crise se agrava em um momento esportivo instável. Além da ausência de títulos, o clube enfrentou novos episódios de repercussão negativa em 2025, quando ao menos dois atletas receberam aplicações de medicamentos para emagrecimento adquiridos de fornecedor sem autorização da Anvisa. O nutrólogo responsável teve o contrato rescindido.