Uma equipe brasileira formada por cinco universitários de Aracaju (SE) conquistou destaque internacional ao figurar entre os dez vencedores globais do Nasa Space Apps Challenge 2025. O grupo foi premiado pelo desenvolvimento do PureFlow, uma plataforma interativa de engenharia de sistemas voltada à criação, modelagem e validação da viabilidade de habitats espaciais.

Mais do que uma ferramenta de desenho, o PureFlow funciona como um simulador inteligente de sobrevivência. Desenvolvido por estudantes do curso de Ciência da Computação da Universidade Tiradentes, o sistema se conecta em tempo real à API Donki, da Nasa, que reúne dados sobre o clima espacial. A integração permite simular o impacto de tempestades solares e avaliar se os habitats projetados e os níveis de blindagem dos equipamentos seriam capazes de proteger a tripulação em missões espaciais.

A proposta amplia a segurança e a confiabilidade de projetos espaciais, ao possibilitar análises precisas sobre condições extremas antes mesmo da construção dos habitats. Para Lara Diniz, integrante da equipe que dá nome ao projeto, a experiência foi “transformadora, marcada por aprendizado, colaboração e superação”. Ela conta que este foi o terceiro ano consecutivo de participação do grupo no evento. “Não entramos imaginando a vitória, mas estávamos confiantes por termos nos preparado para entregar uma solução de alto nível”, afirma.

Brasil consolida protagonismo no desafio

O resultado foi divulgado em dezembro e marca o terceiro ano consecutivo em que o Brasil emplaca ao menos uma equipe entre os vencedores globais do desafio. Além do Brasil, equipes da Alemanha, Egito, Peru, México, Índia e Estados Unidos também foram premiadas. Desde 2023, três equipes brasileiras já alcançaram o top 10 mundial da competição.

O projeto contou com apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio da Agência Espacial Brasileira (AEB), que atua como juíza global e executiva do evento. Em 2025, cerca de 18 mil equipes, de diversos países, participaram do desafio.

O Brasil teve 7.827 inscritos de diferentes regiões. A AEB foi a segunda agência espacial parceira com maior número de participantes vinculados, com destaque para Uberlândia (MG), Campinas (SP) e participantes on-line de outras localidades.

Como funciona a avaliação

O processo de seleção do Nasa Space Apps Challenge funciona como um funil de talentos. Após as 48 horas de hackathon, os projetos com maior potencial são escolhidos localmente e recebem o título de Indicados Globais. Em seguida, especialistas da Nasa e das agências parceiras avaliam essas propostas para definir os Finalistas Globais e as Menções Honrosas.

A etapa final fica a cargo de um comitê executivo composto por líderes e especialistas seniores, responsável por anunciar os dez vencedores. Entre os critérios analisados estão o potencial de impacto, o rigor científico, a viabilidade técnica e a capacidade de comunicação das equipes.

O que é o Nasa Space Apps Challenge

O Nasa Space Apps Challenge é um hackathon internacional que combina maratona de programação, exploração espacial e uso de dados abertos. O objetivo é estimular a criação colaborativa de protótipos funcionais que ofereçam soluções para problemas reais propostos pela Nasa.

Em 2025, a competição contou com dez categorias, cada uma com um vencedor: Melhor Uso da Ciência; Melhor Uso de Informações de Dados; Melhor Uso de Tecnologia; Impacto Galático; Melhor Conceito de Missão; Mais Inspiracional; Melhor Uso de Storytelling; Conexão Global; Arte e Tecnologia; e Impacto Local. O PureFlow venceu na categoria Melhor Conceito de Missão.

Conheça os integrantes da equipe PureFlow

  • Esthefany Muniz – responsável pelo design, desenvolvimento, usabilidade e implementação da experiência 3D interativa
  • Lara Diniz – responsável pela arquitetura da aplicação, estruturação da plataforma, fluxo de dados e comunicação entre os sistemas
  • Laiza Leal – responsável pela identidade visual do projeto e pela arquitetura e modelagem 3D dos habitats
  • João Felipe Freitas – responsável pela integração com a API Donki da Nasa, permitindo a detecção de tempestades solares em tempo real
  • Pedro Lucas Neves – responsável pela pesquisa e engenharia de dados, garantindo precisão científica e técnica das informações