Se Ibaneis ficar no governo, candidatura de Celina a governadora rodará. PL poderá bancar Arruda
24 janeiro 2026 às 21h00

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O bolsonarismo parece ter desembarcado do projeto do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, do MDB, mesmo antes do escândalo do caso Banco Master & Banco Regional de Brasília. Não se sabe por qual motivo o BRB comprou 12,2 bilhões de reais em carteiras de crédito que não existem do liquidado banco de Daniel Vorcaro.
Daniel Vorcaro, por sinal, declarou que se encontrou com Ibaneis Rocha na casa do governador e em sua casa. Não dá para acreditar que o gestor do DF tenha entrado “mudo” e saído “calado” da casa do banqueiro. Como se sabe, o emedebista é visto como “falastrão”, e não apenas depois de uma cangibrina. Portanto, a história do mutismo não convence nem almas santas.

As repórteres Duda Cambraia e Larissa Rodrigues, da CNN Brasil, publicaram um texto na sexta-feira, 23 — “Ibaneis estuda desistir de candidatura ao Senado em meio à crise do Master” —, que pode até ser contestado pelo governador, mas é plausível.
As jornalistas apuraram que Ibaneis Rocha pode permanecer no governo e, assim, desistirá da candidatura a senador.
“Aliados de Ibaneis ouvidos pela CNN avaliam que o tabuleiro político precisa ser repensado e pode ser ‘interessante’ para o governador do DF permanecer no comando do Palácio do Buriti, sem se lançar ao pleito eleitoral”, informam as repórteres.

“Nos bastidores, a avaliação é que a desincompatibilização, que precisa acontecer até abril [dia 4], pode distanciar o governador da gestão direta da crise”, reporta a CNN Brasil.
Se, como governador, Ibaneis Rocha perdeu o controle da crise — tanto que deputados distritais já falam em impeachment —, imagine se não tiver poder algum?
Se permanecer no governo, Ibaneis Rocha liquida, além de sua candidatura, a postulação da vice-governadora Celina Leão.

Jogo do PL já passa por Arruda
Filiada ao pP, Celina Leão planeja disputar o governo do Distrito Federal com a máquina nas mãos. Sem a máquina, sua situação se complica. Pode acabar tendo de disputar mandato de deputada federal ou tentar uma suplência de Michelle Bolsonaro, do PL, favorita para o Senado.
Como o bolsonarismo já rejeita Ibaneis Rocha, e mesmo antes do caso Banco Master, Celina Leão também poderá ser abandonada pela primeira-dama Michelle Bolsonaro, pela senadora Damares Alves, do Republicanos, e pela deputada federal Bia Kicis, do PL.

O bolsonarismo pode embarcar em peso na candidatura de José Roberto Arruda, do PSD, para governador. O senador Izalci Lucas (ligado ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto), do PL, já está com Arruda e é cotado para a vice.
Uma fonte do PL diz que a prioridade do ex-presidente Jair Bolsonaro é ter três senadoras no Distrito Federal: Michelle Bolsonaro, Damares Alves e Bia Kicis. Por isso é possível uma composição com Arruda — com Izalci Lucas na vice.

Chegou-se a falar também que Damares Alves pode ser candidata a governadora. Mas a cúpula do PL quer mantê-lo como senadora.
Sobre Arruda, o Jornal Opção ouviu de um integrante do PL: “O que se precisa saber é — Arruda será mesmo candidato a governador? A Justiça o liberou integralmente? Como fechar aliança com um pré-candidato que, amanhã, pode ter sua candidatura vetada pela Justiça?” (E.F.B.)

