Se a direita bolsonarista ficar com Daniel Vilela, restará a Marconi Perillo aliar-se ao PT
07 fevereiro 2026 às 21h00

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Pré-candidato a governador de Goiás pelo PSDB, Marconi Perillo está com dificuldade de montar sua chapa majoritária. No final, de acordo com um tucano, se usará a velha tática: “Não tem tu, vai tu mesmo”. Quer dizer: ele poderá ir com qualquer um, mesmo que não tenha votos.
Marconi Perillo teria “convocado” Jalles Fontoura para vice. Só que Jalinho, escaldado pelas frequentes derrotas de seu grupo político em Goianésia, estaria relutante. Mas estaria sendo pressionado. Seu irmão, o empresário Otavinho Lage, argumentando que tem uma grande empresa para dirigir, disse “não” de cara.
Goianésia pode disponibilizar o ex-prefeito Leozão Menezes para vice? Até pode. Mas é considerado “fraquíssimo” até por aliados. Helio de Sousa não quer ser vice e tampouco candidato a deputado federal. Irá a deputado estadual.

Quanto à incógnita Aava Santiago, o que se diz no PSDB é que não será candidata a deputada federal — tanto que não está nem tentando montar chapa, ao menos não uma chapa consistente, no PSB, seu novo partido.
Então, qual é “a” de Aava Santiago? Quem conhece a vereadora por Goiânia pontua sempre a mesma coisa: trata-se de uma política espertíssima — uma raposa (no bom sentido).
Tais conhecedores sugerem que Aava Santiago pode ser candidata a senadora ou vice-governadora na chapa de Marconi Perillo. “É melhor do que Jalinho, que não teve coragem nem de disputar a Prefeitura de Goianésia com receio de ser derrotado por Renato de Castro”, assinala um tucano veterano.
Há, porém, quem acredite que Aava Santiago, embora sinalize distanciamento do PT, poderá ser vice ou candidata a senadora na chapa de Edward Madureira (ou de outro nome do PT, como Luis Cesar Bueno e Valério Luiz Filho — este, o nome supostamente bancado pela deputada federal Adriana Accorsi).

À espera das sobras do governismo
Quanto a Marconi Perillo, o mínimo que se pode dizer é que, tendo sido eleito governador quatro vezes, não deve ser subestimado.
No momento, com estrutura mínima, Marconi Perillo tende a ser derrotado no primeiro turno por Daniel Vilela — sobretudo se Wilder Morais não for candidato a governador.
O tucano-chefe está esperando uma série de cousas para avançar um pouco mais nas articulações.
Primeiro, está de olho no passe político de Vanderlan Cardoso. Sagaz, o senador do PSD sabe que, mesmo não sendo o candidato prioritário da aliança MDB + União Brasil + PSD, poderá ser forte como postulante avulto. Isto, claro, se ficar na base governista. Porém, dado o orgulho ferido (estaria sendo preterido), poderá se vincular a Marconi Perillo? É possível. O tucano o espera.

O que sobrar da base governista será útil para Marconi Perillo. A outra sobra é o deputado federal Zacharias Calil (de saída do União Brasil). O mesmo tucano admite que se trata de um candidato “fraco”, que está perdendo votação (caiu de 151.508 votos em 2018 para 87.919 votos em 2022 — despencou do terceiro para o décimo lugar), mas tende a ser candidato a senador na chapa tucana.
Perda do eleitorado de direita e o PT
Segundo, Marconi Perillo torce para que o senador Wilder Morais, do PL, seja candidato a governador. Porque, se for, a disputa irá para o segundo turno. O tucanato avalia que, “mesmo ficando em terceiro lugar” — crença dos aliados do ex-governador —, Wilder contribuirá para levar a luta eleitoral para o segundo turno, supostamente entre o tucano e Daniel Vilela.
Porém, se o PL optar por compor com Daniel Vilela — pré-candidato do MDB a governador — e Gracinha Caiado, pré-candidata a senadora pelo União Brasil, a situação se complicará para Marconi Perillo. O tucano, uma raposa, sabe disso.

A aliança entre Daniel e PL — leia-se Gustavo Gayer — retira a expectativa de Marconi Perillo de trafegar pelo campo da direita.
Jardel Sebba e Jayme Rincon, os ideólogos de Marconi Perillo, planejam puxá-lo para a direita. Mas para representar quem, se a direita optar por caminhar com Daniel Vilela ou mesmo sozinha (com Wilder Morais)?
Portanto, a história de que há um canal político entre Marconi Perillo, Olavo Noleto (futuro ministro do governo Lula da Silva) e Edinho Silva, presidente nacional do PT, é verdadeira. O que se quer, no âmbito do PT nacional, é um palanque para a reeleição de Lula da Silva, e não um mero palanque de faz-de-conta.

Então, se o PT de Adriana Accorsi nem consegue definir um candidato a governador — quem tem muitos às vezes não tem nenhum (se for candidato, Edward Madureira pode estar entrando na maior roubada política de sua vida) —, o PT nacional pode orientar o PT goiano por uma aliança com Marconi Perillo.
Adriana Accorsi parece que não quer a aliança com Marconi Perillo. Mas muita gente, em Goiás e em Brasília, quer.
Apesar da resistência dos ideólogos Jayme Rincon e Jardel Sebba — as duas pessoas que mais influenciam o tucano-chefe, além de Eliane Pinheiro —, Marconi Perillo, que precisa das sobras (como Zacharias Calil e Vanderlan Cardoso), também pode acabar pegando a sobra vermelha. Não por paixão, e sim por necessidade.
Marconi Perillo parece acreditar que só precisará do PT no segundo turno. Bem, e se não houver segundo turno? (E.F.B.)

