Rio Verde é o município mais importante do agronegócio em Goiás e é tido como reduto sólido do bolsonarismo.

No sábado, 22, anunciada a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro — a pedido da Polícia Federal e autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, era de se esperar protestos nas ruas de Rio Verde. Mas não houve nenhuma manifestação pública expressiva a respeito da prisão.

O Jornal Opção perguntou a dois produtores rurais: “O que aconteceu — Rio Verde não ama mais Bolsonaro?”

Primeiro produtor: “Nós temos respeito por Bolsonaro. Mas estamos cansados da pendenga. Por causa de meus negócios, lido com advogados e todos dizem a mesma coisa: ‘Bolsonaro não tem escapatória e ficará preso’. Então, que a prisão tenha sido agora, ou mesmo se fosse mais tarde, acredito que é um capítulo encerrado da história brasileira. Mas torço para que fique, no máximo, em prisão domiciliar.”.

O segundo produtor: “Não adianta ficar discutindo fato consumado. Bolsonaro foi preso e não aconteceu nada. Não irei às ruas para desacatar a Polícia Federal e o Supremo Tribunal Federal. Mas prendê-lo na PF ou numa penitenciária não diferencia em nada de mantê-lo em prisão domiciliar. Aos 70 anos, e com problemas de saúde, que perigo oferece à sociedade?”.

Se Rio Verde não se manifestou publicamente, de maneira orgânica e não isolada, certamente outras cidades seguirão pelo mesmo caminho. A impressão que se tem é que ninguém quer absorver para si o desgaste de Bolsonaro. (E.F.B.)