Pacto faustiano: Wilder pode ficar com a sigla PL e Gustavo Gayer pode ficar com os votos do PL
10 janeiro 2026 às 21h01

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O clima de tensão no Partido Liberal é grande. A explosão, interna, já ocorreu. A externa está prestes a ocorrer.
O senador Wilder Morais, bolsonarista prêt-à-porter — nada de raiz —, é o presidente do PL em Goiás. Trata-se de um político respeitado e decente (não se envolveu com as máfias políticas).
O fato de ser presidente do PL não significa que Wilder Morais seja o “dono” votos do PL. A rigor, quem tem votos — muitos votos — no PL é o deputado federal Gustavo Gayer, popularíssimo e bolsonarista-raiz (o ex-presidente Jair Bolsonaro tem um imenso apreço pelo corajoso parlamentar).
Então, sem o apoio de Gustavo Gayer, dificilmente Wilder Morais terá como ser candidato a governador. Porém, se for — é um direito democrático dele —, pode passar pelo constrangimento de ficar em quarto lugar, atrás de Daniel Vilela, do MDB, Marconi Perillo, do PSDB, e do candidato do PT. E pode acabar prejudicando os candidatos a deputado federal e estadual do PL.

Um membro do PL conta que Wilder Morais tentou atrair o vereador Major Vitor Hugo — este, sim, bolsonarista-raiz, amicíssimo de Jair Bolsonaro — para seu grupo. Teria apresentado uma (suposta) pesquisa “informando” que o parlamentar tem chance de se eleger senador.
Ora, até o motorista de Wilder Morais sabe que, se Major Vitor Hugo é um homem de bem, não tem a mesma popularidade de Gustavo Gayer — que, com as redes sociais, estabeleceu um contato direto e produtivo com suas bases político-eleitorais.
Homem de rara inteligência, Major Vitor Hugo percebeu, de cara, que estava sendo usado por Wilder Morais e caiu fora. Alinhou-se com a base de Daniel Vilela e, claro, com Gustavo Gayer.
Ah, dizem: “Wilder conta com o apoio de Valdemar Costa Neto, o presidente nacional do PL”. Pode ser. Mas Costa Neto, o mensaleiro, não tem um voto em Goiás.

Bolsonarismo quer aliança com Daniel Vilela
Quando o senador Flávio Bolsonaro — pré-candidato a presidente da República pelo PL — esteve em Goiás, para conversar com o governador Ronaldo Caiado (União Brasil), Wilder Morais e Gustavo Gayer participaram das conversas.
Wilder Morais insistiu que será candidato a governador e Gustavo Gayer falou duro e firme que o senador não tem voto para ser candidato competitivo.
A tendência é que Gustavo Gayer seja candidato a senador na chapa majoritária de Daniel Vilela (pré-candidato a governador de Goiás pelo MDB) e Gracinha Caiado (pré-candidata a senadora pelo União Brasil).
Moderado, Flávio Bolsonaro ouviu tudo e, de acordo com uma fonte, teria sugerido que a composição com Daniel Vilela para governador e Gustavo Gayer para senador será fechada — e não por meio de Valdemar Costa Neto, e sim via bolsonarismo, quer dizer, o próprio Flávio Bolsonaro e seu pai, Jair Bolsonaro.

Os néscios dizem: “Flávio Bolsonaro, na disputa para presidente da República, vai precisar de um palanque em Goiás”. É preciso dizer duas coisas. Primeiro, qual palanque Wilder Morais terá condições de montar para o postulante do PL se toda a base do partido apoiará Daniel Vilela para governador e Ronaldo Caiado para presidente da República?
Segundo, a eleição de 2026, dada a polarização entre esquerda e direita, tende a ser decidida no segundo turno. Então, se Flávio Bolsonaro for para o segundo turno contra Lula da Silva, do PT, vai precisar do apoio de Ronaldo Caiado… e o terá. Se Ronaldo Caiado for para o segundo turno contra Lula da Silva, precisará do apoio de Flávio Bolsonaro… e o terá.

Então, de alguma maneira, Wilder Morais, ao pensar no projeto pessoal, e não no projeto do PL, pode estar atrapalhando inclusive Flávio Bolsonaro.
Por fim, na reunião, Ronaldo Caiado disse que fará tudo para eleger Daniel Vilela. Chegou a frisar que está em jogo o seu legado. A campanha vai ser pesada, admitiu. (E.F.B.)

