O deputado José Nelto acompanhou Iris Rezende durante décadas e votou no emedebista para governador em 1982, 1990, 1998, 2010 e 2014. “Alguém que disputou o governo cinco vezes não foi, logicamente, desprestigiado.”

Ao se tornar político, ainda bem jovem, o deputado federal José Nelto ouviu de Iris Rezende, num encontro no bairro Criméia Oeste, na década de 1990: “Zé Nelto, meu jovem amigo, quem começa traindo em política tem voo de pato”.

Iris Rezende: governador em 1983 — graças ao MDB | Foto: Reprodução

José Nelto conta que participou de todas as campanhas de Iris Rezende, desde muito jovem, e sempre o considerou um político leal.

“Em várias conversas, Iris Rezende costumava me dizer que era muito grato ao MDB, que tinha lhe dado tudo, em termos políticos. Quando quis ser governador, foi apoiado pelo MDB e eleito duas vezes. Disputou o governo do Estado de Goiás mais três vezes, e o MDB, todo o MDB, o apoiou, com empenho máximo. Quando quis ser senador, o MDB o apoiou, sem colocar nenhum obstáculo. Ao postular o cargo de ministro do governo de José Sarney e do governo de Fernando Henrique Cardoso, mais uma vez o MDB estava lá — bancando-o. Ao disputar a Prefeitura de Goiânia, o MDB não o desamparou. Então, em síntese, o que se deve dizer é: o MDB nunca faltou a Iris Rezende”, sublinha José Nelto. “Ele quase foi candidato a presidente da República — sim, pelo MDB.”

“O MDB também deu dois mandatos a Iris Araújo, mulher de Iris Rezende, de deputada federal. Ela chegou, como suplente, a ser senadora. Então, pode-se dizer que o MDB foi pai, mãe, avô e avó para Iris Rezende e sua família — cuja dolce vita advém de o político ter sido promovido, ao longo de décadas, pelos líderes e militantes emedebistas”, frisa o parlamentar, hoje filiado ao União Brasil.

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José Sarney e Iris Rezende: ministro indicado pelo MDB | Foto: Reprodução

“Ana Paula traiu mais o MDB do que Daniel Vilela”

“Tenho o maior respeito tanto por Ana Paula Rezende quanto por seu marido, Frederico Peixoto, sócio da Construtora FGR. Não tenho nada para falar deles no campo pessoal, pois são decentes. Mas, em termos políticos, ao trair — e não há outra palavra para denominar seu ato —, não Daniel Vilela, e sim todo o MDB, Ana Paula anuncia, como sugeriu Iris Rezende, que tende a ter voo de pato.”

“Vale notar que Wilder Morais, o pré-candidato a governador apoiado por Ana Paula Rezende, tem vínculos com a extrema direita que, em 1969, cassou o mandato de prefeito de Iris Rezende. O emedebista foi cassado pela linha dura, a dos generais Costa e Silva, Emilio Médici, Sylvio Frota [o general Augusto Heleno, quando jovem, trabalhou em seu gabinete) e do tenente-coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra. Então, se pudesse sair do túmulo, Iris Rezende o faria para dar uma ‘bronca’ em sua filha.”

“A rigor, Ana Paula não transfere votos para Wilder Morais — porque não os tem. Tanto que Daniel Vilela, o pré-candidato do MDB a governador, deverá ser eleito no primeiro turno”, aposta José Nelto. “Ana Paula alinhou-se com a vanguarda do atraso, pois pertence à turma dos que são os primeiros a chegar atrasados.” (E.F.B.)