Membro do PL sugere que Wilder Morais deveria renunciar pra ser vice de Daniel Vilela
28 março 2026 às 21h00

COMPARTILHAR
Ao se encontrar com o secretário de Cultura da Prefeitura de Goiânia, Ugton Batista, durante a corrida do MotoGP, o senador Wilder Morais reclamou: “Você fica falando mal de mim”. O bolsonarista-raiz respondeu: “Não falo de você, no plano pessoal — só faço críticas políticas”. O pré-candidato a governador de Goiás pelo PL respondeu: “Pelo menos você é corajoso, pois não fala pelas costas, então eu te respeito”. A frase seria uma indireta para o deputado federal Gustavo Gayer, o que Ugton Batista não confirma.
“Os eleitores sabem que, no momento, há só dois postulantes discutindo sucessão governamental em Goiás — Daniel Vilela, pré-candidato a governador pelo MDB, e Marconi Perillo, pré-candidato a governador pelo PSDB. Wilder Morais se comporta como se estivesse esperando um milagre cair do Céu. Pode-se sugerir que é mais ‘pré’ do que ‘candidato”, afirma Ugton Batista.

“Nada tenho contra Wilder Morais, pois é um empresário honesto. Mas, como político, deixa a desejar. Porque não articula nem agrega. Ninguém pode fazer política em Goiás a partir de Angra dos Reis ou de Brasília. É preciso conversar localmente com os companheiros e respeitá-los”, assinala o secretário.
“Wilder, com a ‘filha de’ [como sugere o Jornal Opção] na vice, não está fazendo pré-campanha. Candidato majoritário não pode ficar fazendo reuniões em casa, tomando vinho e uísque ‘puro sangue’. Precisa sair às ruas, conquistar as lideranças e os eleitores. Então, aposto que Wilder renunciará à candidatura entre maio e junho. Quando se cansar da brincadeira — que é só sua, e não do PL —, poderá sair do páreo, abrindo espaço para uma composição com Daniel Vilela, que, no fundo, é o que todos querem — inclusive os aliados do senador”, pontua o segundo-amigo do ex-presidente Jair Bolsonaro em Goiás (o primeiro é o vereador Major Vitor Hugo).

“Para provar que defende o PL, e não seus próprios interesses, Wilder Morais deveria fechar um acordo e, desde já, ser o vice de Daniel Vilela. Porque, além de fortalecer as candidaturas proporcionais do PL e a de Gustavo Gayer para senador, ele, sendo vice, poderia, se Daniel Vilela for eleito, disputar o governo em 2030 — e já como governador”, frisa Ugton Batista.
“Se Wilder Morais — quer dizer, o PL bolsonarista — compor com Daniel Vilela, já no primeiro turno, é muito provável que nem Marconi Perillo dispute o governo. O principal adversário do candidato emedebista seria o postulante do PT. Acrescento que, de cada grupo de 10 políticos bolsonaristas, oito já estão com Daniel Vilela. Major Vitor Hugo, Carlinhos do Mangão, Gustavo Gayer e Márcio Corrêa já estão com Daniel Vilela. Wilder Morais já sabe disso. Ele está só, solamente só. Não tem outro caminho a não ser a renúncia. Se insistir em ser candidato, terá uma votação bisonha, contribuindo para enfraquecer o bolsonarismo em Goiás. Então, insisto: se Wilder quiser pensar no PL, sobretudo no bolsonarismo, precisa mudar de projeto político e apoiar Daniel Vilela para governador. A cúpula nacional do PL — leia-se Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira — jamais vai perdoar Wilder Morais se Gustavo Gayer for derrotado para o Senado”, disserta Ugton Batista. “Os Bolsonaros vão tratá-lo como inimigo.” (E.F.B.)

