O ano legislativo na Câmara de Goiânia começa na próxima quarta-feira, 25, e já estreia sob ameaça. O vereador Igor Franco promete apresentar um pedido de impeachment contra o prefeito Sandro Mabel. A chance de a investida prosperar é mínima. O barulho, no entanto, parece ser o objetivo principal.

A movimentação expõe um roteiro conhecido. Não é a primeira vez que o parlamentar recorre ao expediente depois de perder espaço na estrutura do Executivo. A estratégia, que passa longe de qualquer refinamento institucional, costuma surgir quando cargos deixam de orbitar sua influência.

Em 2023, durante a gestão do ex-prefeito Rogério Cruz, Franco firmou aliança com o Paço que garantiu a abertura de dezenas de cargos no Executivo para indicações do seu grupo. O ponto alto foi a nomeação do irmão, Diogo Franco, para a Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Economia Criativa (Sedec) em julho daquele ano. A lista incluiu ainda postos de segundo e terceiro escalões.

A parceria azedou poucos meses depois. Em novembro de 2023, Rogério Cruz exonerou o irmão do vereador e mais de uma centena de comissionados ligados ao grupo Vanguarda, então liderado por Franco na Câmara, após uma sequência de desentendimentos. A partir daí, o tom subiu. Vieram críticas mais duras e, no início de 2024, a ameaça de impeachment.

Com Sandro Mabel, o enredo se repetiu quase sem ajustes. Escolhido líder do prefeito no início da gestão, Franco distribuía elogios com entusiasmo. A sintonia durou até o espaço político encolher.

As divergências aumentaram, especialmente com a pressão por mais cargos no Paço. Em agosto de 2025, ao votar pela derrubada da Taxa de Limpeza Pública, a conhecida “taxa do lixo”, contrariando a posição do prefeito, Franco perdeu a liderança. Pouco depois, o irmão foi novamente exonerado de um cargo no primeiro escalão, em um déjà vu da administração anterior.

A partir daí, a mudança foi quase instantânea. A gestão antes celebrada virou “caos administrativo” no discurso do vereador. Agora, a promessa de impeachment surge, de novo, como instrumento de pressão. A tática, por óbvio, já não surpreende e confirma que, em Goiânia, certos movimentos políticos seguem um padrão previsível quando o espaço no poder diminui.