Flávio Bolsonaro trata Tereza Cristina, “sonho de consumo”, como objeto e não sujeito da política
11 abril 2026 às 21h00

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O pré-candidato a presidente pelo PL disse que a senadora é seu “sonho de consumo” e a chamou de “vozinha”
A misoginia entre bolsonaristas parece ser regra — não exceção. Jair Bolsonaro, o presidiário que tenta ser descondenado, atacava mulheres de maneira implacável. Entre suas vítimas estavam a deputada federal Maria do Rosário, do PT, e a jornalista Patrícia Campos Mello, da “Folha de S. Paulo”.
Jair Messias chegou a dizer, com uma brutalidade inominável, que só não estupraria a parlamentar do PT “porque era feia”. Maria do Rosário o processou e ganhou.
O senador Flávio Bolsonaro, discípulo da escola de Jair Bolsonaro, não fica atrás. Talvez seja apenas um pouco mais sutil, se se pode dizer assim. No fundo, são a mesma coisa.
Pré-candidato a presidente da República pelo PL, Flávio Bolsonaro procura um ou uma vice. Primeiro, correu atrás de Romeu Zema. O ex-governador de Minas Gerais rejeitou o convite.
Agora, convidou, da maneira mais atabalhoada possível, a senadora Tereza Cristina, do Mato Grosso do Sul, para ser sua vice.
Na primeira abordagem, Flávio Bolsonaro disse que Teresa Cristina é seu “sonho de consumo”. O que, não há dúvida, é de uma deselegância brutal. Como dizer a uma mulher que ela é “sonho de consumo”? A senadora, uma política respeitável, não está à venda.
Na opinião do senador se trata de um elogio, quando, na verdade, é, mais do que falta de bons modos, de uma grosseria inaudita.
Em seguida, Flávio Bolsonaro disse que Tereza Cristina é uma “vozinha”. Quis ser carinhoso? Talvez. Mas pode ser interpretado de maneira diferente. O senador quis dizer que a senadora é “idosa” — por ter 71 anos. Uma ideia mais ou menos assim: “Preciso de uma pessoa mais velha me secundando. Se for mulher, melhor ainda”.
A turma bolsonarista, mesmo quando quer ser agradável, é de uma estupidade sem limites. Flávio Bolsonaro, ainda que tente ser doce, acaba sendo amargo. (E.F.B.)

