Poderia ser só um encontro de velhos amigos, mas como nada é por acaso na política, a cena recente no plenário da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) chamou a atenção de quem acompanhava a sessão. O deputado estadual Antônio Gomide (PT) e o ex-prefeito de Anápolis Roberto Naves (Republicanos), que não é funcionário da Casa, foram vistos de mãos dadas em conversa animada durante os trabalhos do Legislativo. O momento foi presenciado pelo deputado petista Mauro Rubem.

A cena ganhou leitura relevante por um motivo claro: Gomide e Roberto foram adversários diretos na eleição municipal de 2020, em uma disputa marcada pelo confronto ideológico. Naquele ano, Naves se posicionava no campo da direita, com um discurso antipetista que agradava a população. Gomide, por sua vez, fez campanha contra a continuidade da gestão e em 2024 tornou a enfrentar o grupo de Roberto, impedido de concorrer, quando ele indicou candidata à sucessão.

Hoje o cenário é outro. Fora da Prefeitura, Roberto busca recuperar o espaço perdido na política local. Gomide também tenta reorganizar as forças depois de derrotas consecutivas ao Executivo. Nesse contexto, a ideia de opositores jogando no mesmo time naturalmente gera especulações.

Mas haveria espaço para convergência em 2026? Abertamente, não, porque o eleitor dificilmente assistira calado Roberto e Gomide dando as mãos. Só que as eleições deste ano podem servir de preparação para 2028.

A construção “a quatro mãos” não precisaria ficar escancarada, até porque, se um subisse no palanque ao lado do outro, a rejeição ao petista atingiria Roberto Naves e vice-versa. O “ganha-ganha” para beneficiar os dois seria abrirem terreno para que, no futuro, ambos consigam voltar a disputar eleições municipais com chances de chegar ao segundo turno (caso haja segundo turno).