Eduardo Gomes deve disputar governo e abrir vaga para o milionário Ogari Pacheco no Senado

29 agosto 2021 às 00h02

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Mauro Carlesse pode ficar no governo para bancar campanha do senador, que, se eleito, não abrirá a caixa-preta de sua gestão

Ninguém acredita que o governador do Tocantins, Mauro Carlesse, do PSL, não vá disputar mandato em 2022. Há quem aposte, até o emprego, que ele será candidato a deputado federal ou a senador. Há quem acredite que, se a senadora Kátia Abreu for mesmo indicada para o Tribunal de Contas da União (TCU), há alguma possibilidade de o gestor estadual disputar mandato no Senado.
Mas, vasculhando os bastidores da política do Tocantins, percebe-se que há certa lógica quando Carlesse afirma que não disputará eleição em 2022. Primeiro, porque teme que, se o vice, Wanderlei Barbosa, assumir o governo, até por falta de experiência, esculhambe as contas do Estado. Segundo, haveria um acordo — nada secreto — entre o senador Eduardo Gomes, do MDB, e o suplente de senador Ogari de Castro Pacheco, milionário que é dono do Laboratório Cristália, de que o empresário será senador por quatro anos.

Carlesse estaria participado deste acordo da seguinte forma: se ficar no governo, terá como bancar a candidatura de seu aliado, Eduardo Gomes, para o governo. Ele e Ogari de Castro Pacheco, com estrutura e recursos financeiros, seriam os responsáveis pela campanha do senador.
Se Eduardo Gomes for eleito, além de governar o Tocantins, teria outra missão: não abrir a suposta caixa-preta do governo de Carlesse. Ao mesmo tempo, pode indicar o atual governador para uma secretaria, como a da Indústria e Comércio. Aliados dizem que Carlesse tem “receio” de que dois políticos — Ronaldo Dimas (Podemos) e, sobretudo, de Ataídes Oliveira (Pros) — assumam o governo. Porque qualquer um deles, se eleito governador, não relutará em abrir a caixa-preta do governo, o que poderá levar Carlesse a ter problemas judiciais graves. Se brincar, fica até inelegível.

Segundo uma fonte ligada a Eduardo Gomes, Ogari de Castro Pacheco já teria avisado amigos e aliados que, a partir de 2023, será senador. O que pode ser um equívoco: em política, sem combinar com os “russos”, certas ações podem dar com os burros n’água.
A pergunta é: o que fazer com Ronaldo Dimas? O ex-prefeito de Araguaína é pré-candidato a governador e tem dito que não recua. Porém, seu amigo Eduardo Gomes pode tentar convencê-lo a disputar mandato de senador. E a vice? “Tudo é possível, mas a tendência é que dispute, se convencido por Eduardo Gomes, mandato de senador”, sublinha um aliado de Eduardo Gomes.

Carlesse tem dito a aliados que Eduardo Gomes representa uma força “muito grande” com os prefeitos, por ter conseguido recursos financeiros para eles.
Na oposição, se Ronaldo Dimas não for candidato a governador — ressalva: ele disse ao Jornal Opção, recentemente, que será candidato a governador —, a tendência é que o principal postulante seja o ex-senador Ataídes Oliveira. Enquanto Eduardo Gomes fica nos gabinetes, Ronaldo Dimas e Ataídes Oliveira percorrem o Estado em busca de apoio político-eleitoral.

Ataídes Oliveira, o ex-prefeito de Palmas Carlos Amastha e o ex-prefeito de Gurupi Laurez Moreira, do Grupo do Bem, estão dispostos a lançar uma chapa consistente para não permitir a continuidade dos “desmandos” na administração pública do governo do Tocantins. Há quem postule que, se Ronaldo Dimas se afastar realmente de Eduardo Gomes — o que muitos consideram difícil, dado o grau de amizade entre os dois —, pode acabar sendo o candidato a governador do chamado Grupo do Bem.

Estrutura pode ajudar a ganhar eleição. Mas há um cansaço com o governo de Carlesse que pode acabar “queimando” seu candidato e abrindo espaço para um nome consistente das oposições.
O PT tende a apoiar a candidatura do ex-deputado federal Paulo Mourão. O PT pode apoiar o candidato do Grupo do Bem. Pode, desde que seus líderes apoiem a candidatura de Lula da Silva para presidente.