O Jornal Opção conversou com seis bolsonaristas de Goiás. Todos dizem a mesma coisa: a aproximação do PL com o governador Ronaldo Caiado (União Brasil) e com o vice-governador Daniel Vilela — pré-candidato a governador do Estado pelo MDB — tem a mão do ex-presidente Jair Bolsonaro, do pré-candidato a presidente da República pelo PL, senador Flávio Bolsonaro, e, entre outros, do senador Rogério Marinho, do PL.

A aliança não é apenas para beneficiar Daniel Vilela, mas sobretudo para fortalecer a candidatura do deputado federal Gustavo Gayer, do PL, a senador.

O projeto de Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro — além de tentar eleger o senador do PL do Rio de Janeiro para presidente da República — é eleger uma grande bancada de senadores. No Distrito Federal são duas apostas: Michelle Bolsonaro e a deputada federal Bia Kicis. Em Goiás a aposta do bolsonarismo é Gustavo Gayer.

Flavio Bolsonaro e Ronaldo Caiado e Gayer
Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Gustavo Gayer: aliança consolidada | Fotos: Reproduções

Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro querem Gustavo Gayer no Senado porque é combativo.

Enquanto o deputado Nikolas Ferreira e Gustavo Gayer organizam uma marcha rumo a Brasília, em defesa do presidente que está preso, há políticos que flanam por mansões Angra dos Reis, chácaras e chalanas de luxo — bem distantes do calor e das chuvas. Nada, claro, contra a dolce vita, gravações de vídeos em gabinetes refrigerados e garrafas de vinho de 30 mil reais.

Quem realmente defende a direita em Goiás, no Congresso e no país? Os dois parlamentares citados. A direita festiva — queijos e vinhos — só se apresenta nos melhores momentos. Ou seja, na colheira eleitoral. Nos momentos difíceis, esconde-se.

Projeto de Gayer é do PL, é coletivo; o de Wilder é pessoal

As fontes ouvidas dizem que o PL não quer mais sair brigando nos Estados para não prejudicar a candidatura de Flávio Bolsonaro e, ao mesmo tempo, dos postulantes a senador e deputado federal e estadual.

Daniel Vilela: pré-candidato a governador preferido dos prefeitos do PL | Foto: Guilherme Alves/Jornal Opção

Sabe-se que Jair Bolsonaro deu um prazo para Wilder Morais crescer nas pesquisas de intenção de votos. Porém, não cresceu. Ou, como um diz um membro do PL, “cresceu igual rabo de cavalo”.

Por isso, o PL em Goiás — defendendo um projeto coletivo, e não apenas o de Wilder Morais — apressou-se para compor com Ronaldo Caiado e Daniel Vilela. É realismo. É pragmatismo. A prioridade não é, portanto, lançar um candidato a governador para marcar posição, e sim criar mais musculatura para um candidato a senador, Gustavo Gayer, que tem chances reais de ser eleito.

Uma candidatura de Wilder Morais a governador põe em risco o projeto de Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro em Goiás. Repetindo: eleger Gustavo Gayer a senador. A determinação pela aliança é dos Bolsonaros. Quem não entendeu terá de pedir para desenhar.

De acordo com um membro de proa do PL, Wilder Morais tinha o hábito de dizer a Jair Bolsonaro: “O meu mandato é seu”. Portanto, chegou a hora de o senador retribuir. Jair Bolsonaro está cobrando a fatura.

Wilder apoiava Marconi Perillo, de centro-esquerda

Wilder Morais e Marconi Perillo: tempos de centro-esquerda | Foto: Reprodução

Quem não se lembra quando Wilder Morais, próximo da centro-esquerda, apoiava Marconi Perillo e, depois, aproximou-se de Demóstenes Torres e se tornou seu suplente na disputa para senador? Eram os tempos de cachoeiras nos rios tucanos de Goiás. Cachoeiras (e pinheirais), sabe-se, ainda não esgotadas. Pelo contrário, ativas.

Não se está fazendo nenhuma acusação contra o senador Wilder, que é um político decente e um empresário sério e bem-sucedido. E, assim que passar a ira, vai conversar com Ronaldo Caiado e Daniel Vilela para participar do acordo já feito pelo PL nacional e local (consta que hoje o senador só conta com o apoio de um prefeito, o de Buriti Alegre).

Se Wilder Morais romper com o bolsonarismo, deixando de apoiar Daniel Vilela para governador — contrariando as determinações dos Bolsonaros —, a fatura vai ser cobrada, pelos eleitores bolsonaristas, na disputa eleitoral e 2030, quando o empresário for disputar a reeleição. (E.F.B.)