Cada eleição tem sua história e, por isso, precisa ser examinada pelo seu caráter singular. Mas em Goiás, neste momento, há um fenômeno distinto. A eleição de 2026 já começou a jogar a eleição de 2030.

O senador Wilder Morais, do PL, sabe que é “fraco” para governador — porque não tem apoio nem mesmo da base de seu partido, que vai apoiar Daniel Vilela, do MDB, para governador.

Ainda assim, e contrariando as bases do partido, Wilder Morais insiste que será candidato a governador, daqui a sete meses e alguns dias.

Por que, se não é considerado consistente eleitoralmente, Wilder Morais insiste com sua pré-candidatura? Porque quer arrancar um acordo que o beneficie para a disputa eleitoral de 2030.

Se apoiar Daniel Vilela para governador em 2026, Wilder Morais quer o apoio do emedebista para a disputa da reeleição em 2030. Tem lógica? Tem, é claro.

O problema é que, se for reeleito, Daniel Vilela poderá se desincompatibilizar, em abril de 2030, para disputar mandato de senador. Ou seja, o emedebista e Wilder Morais poderão se enfrentar pela única vaga no Senado a ser disputada naquele ano.

Há outra questão: se não for candidato à reeleição em 2030, Wilder Morais poderá disputar mandato de governador. Mas há uma muralha no caminho. A base governista, à qual o senador ainda não pertence, poderá ter dois nomes para a disputa do governo — Gracinha Caiado, então possivelmente já senadora, e Ronaldo Caiado (se não for eleito para a Presidência da República).

Há alguma alternativa? Há quem acredite que sim. Se for vice de Daniel Vilela em 2026, Wilder Morais poderá ser candidato a governador em 2030. Mas ele deixaria o mandato de senador? Muito difícil.

O que se depreende de tudo o que se disse acima é: Wilder Morais está sem lugar na política de Goiás — cada vez mais isolado. Solamente só. Mas, se reintegrado à base governista — vale lembrar que se considerava caiadista, antes de se exibir como bolsonarista, a partir de 2018 —, pode ter alguma chance de se manter no topo.

O PL não o despreza, mas seus líderes, como Gustavo Gayer e o prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa, sabem que o projeto de Wilder Morais não é partidário, e sim pessoal. O que lhe interessa não é a defesa dos Bolsonaros — ou do Estado de Goiás —, e sim a defesa de seus interesses políticos. (E.F.B.)