Com Adriana Accorsi na disputa, Marconi Perillo corre risco de ficar em 4º lugar
07 março 2026 às 21h00

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O PT de Goiás buscou aliança com Marconi Perillo, do PSDB, para a disputa do governo do Estado.
Marconi Perillo seria o candidato a governador — com um vice do PT. Indicaria um candidato a senador e o PT (ou um partido aliado) indicaria o outro.
Entretanto, acreditando que ficaria com as “sobras” da base governista — acreditou-se piamente que Zacharias Calil seria conquistado, mas o deputado federal optou por se filiar ao MDB para disputar mandato de senador —, Marconi Perillo afastou-se do PT. Adotou, inclusive, discurso de direita e começou a criticar o presidente Lula da Silva. Seus principais articuladores, Jardel Sebba e Jayme Rincon, se consideram bolsonaristas.

Como não sobrou ninguém relevante — o senador Vanderlan Cardoso também fechou com a base governista —, Marconi Perillo estaria tentando articular uma aliança com o PT.
No momento, o tucano-chefe aparece em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto — atrás apenas do pré-candidato do MDB a governador, Daniel Vilela.
Porém, dada a força do bolsonarismo, há quem postule que, em dois meses, a tendência é Marconi Perillo cair para o terceiro lugar, sendo superado pelo senador Wilder Morais, pré-candidato a governador pelo PL.
Dada a força do PT, sobretudo se a candidata for a deputada federal Adriana Accorsi, é grande a possibilidade de Marconi Perillo cair para o quarto lugar. Aí se daria uma polarização entre Adriana Accorsi e Wilder Morais na disputa pelo segundo lugar.

Mas Adriana Accorsi está realmente definida como candidata — atendendo pedido do presidente Lula da Silva, candidato à reeleição, e do presidente nacional do PT, Edinho Silva?
De acordo com uma fonte do PT, sob pressão nacional, Adriana Accorsi pode, sim, disputar o governo do Estado. É vista pela maioria dos petistas como a pré-candidata mais forte do partido.
O Jornal Opção conversou com os pré-candidatos a governador que se registraram: o jornalista Cláudio Curado, o historiador Luis Cesar Bueno e o advogado Valério Luiz Filho. Todos disseram que suas pré-candidaturas estão mantidas. Porém, admitem que, se Adriana Accorsi se apresentar como pré-candidata, abrirão as portas para a parlamentar.

De acordo com seis petistas consultados pelo Jornal Opção, a partir da definição da candidata ou candidato, começarão as tratativas para a montagem da chapa majoritária. “Estou inscrito tanto para a disputa do governo quanto do Senado. Então, se Adriana for efetivada como candidata, coloco-me à disposição para o Senado”, afirma Luis Cesar Bueno.
Edward Madureira disse ao Jornal Opção que Adriana Accorsi “é um grande nome do PT e, se for optar pela disputa majoritária, é forte candidata a governadora”. O vereador não é mais pré-candidato a governador. Vai disputar mandato de deputado federal.

Respeitada pelo presidente Lula da Silva, Aava Santiago é vista, pelos petistas goianos, como “politicamente misteriosa”. “Nós, do PT, avaliávamos que Aava estava fazendo o jogo de Marconi Perillo. Porém, de acordo com tucanos, a vereadora tem conversado com o emedebista Daniel Vilela”, diz um ex-deputado.
O PT gostaria de ter Aava Santiago em sua base, até por recomendação de Brasília, notadamente de Lula da Silva. “O fato de Aava ser evangélica agrada Lula, pois sugere que pode atrair para o PT um eleitorado que, hoje, está mais próximo da direita”, ressalta um petista que circula no Palácio do Planalto.

O que Lula da Silva e Edinho Silva têm dito com frequência é que o PT precisa de uma chapa “encorpada” em Goiás. O que isto quer dizer? De acordo com o petista de Brasília, uma chapa majoritária “encorpada” teria Marconi Perillo para governador, um vice do PT — como Valério Luiz Filho (consta que o tucano teria simpatia por Edward Madureira) — e Aava Santiago e um petista, possivelmente Luis Cesar Bueno, para o Senado. Cíntia Duas, integrante do Psol, é cotada para compor a chapa majoritária. (E.F.B.)

