O pré-candidato do PSDB a governador de Goiás, Marconi Perillo, recebeu 14,5 milhões de reais do Banco Master, de Daniel Vorcaro. Alegadamente para fazer consultoria. Ele admitiu ter recebido o dinheiro.

A informação, divulgada pelos principais jornais e emissoras de televisão do país, desgastou, ainda mais — sua rejeição já beira 40% —, a imagem de Marconi Perillo. Há alguns anos o ex-governador chegou a ser preso pela Polícia Federal. Ressalve-se que não foi condenado pela Justiça.

Se alguma CPI convocar Marconi Perillo para depor, sobretudo se surgir dados novos, dificilmente o tucano terá como disputar cargo majoritário em 2026. Talvez acabe por ser candidato a deputado federal, com o objetivo de tentar voltar à política.

Ao receber dinheiro do Master, segundo a versão disseminada, Marconi Perillo queria melhorar sua renda — ele já trabalha, ou trabalhava, para a poderosa CSN. Mas qual serviço o tucano prestou, exatamente, para o Banco Master, agora liquidado, não se sabe. Mas uma CPI ou a Polícia Federal poderão esclarecer. O líder do PSDB, por certo, agora entrará para a lista dos investigados pela Polícia Federal.

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Daniel Vorcaro, preso: seu banco repassou 14,5 milhões para Marconi Perillo | Foto: Reprodução

Consta que, na delação premiada, Daniel Vorcaro vai detalhar porque repassou 14,5 milhões de reais para o ex-governador goiano e para outros políticos. Citará, inclusive, os intermediários das negociações, supostos lobistas profissionais de Brasília. Ainda assim, é preciso ter cautela e evitar avaliações peremptórias.

A história do Banco Master desgastará Marconi Perillo ante o eleitorado. Mas há outro problema. Os pré-candidatos do partido a deputado federal e estadual estão “desanimados” com seu principal líder. Porque agora admitem que, no lugar de ajudar, poderá atrapalhá-los.

O clima no PSDB, em todo o Estado de Goiás, é de velório. “O dinheiro do Master significa caixão e vela preta para Marconi Perillo e para o PSDB em Goiás”, admite um postulante a deputado estadual.

Dois pré-candidatos a deputado estadual, cristãos-novos no PSDB, disseram ao Jornal Opção que, a partir de agora, vão cuidar apenas de suas campanhas. “Ficamos sem candidato a governador, quer dizer, não temos mais um puxador de votos. Temos, isto sim, um retirador de voto”, postula um dos pré-candidatos.

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Marconi Perillo e Wilder Morais: o senador não quer saber de aliança com o ex-governador | Foto: Divulgação

“Nós sabemos que, depois da parceria com o Banco Master, Marconi Perillo ‘rodou’. Nos resta a disputa para os cargos proporcionais. Então, vou cuidar de minha campanha, sem fazer a defesa de ninguém, até porque não tenho de dar explicações sobre os problemas do candidato a governador”, afirma outro pré-candidato a deputado.

Marconi Perillo pode desistir da disputa para o governo do Estado? “Não, porque Marconi é um político obstinado. Mas tudo vai depender do desdobramento da história do que fez para o Banco Master. Se o desgaste se aprofundar, o PSDB terá de trocar de candidato. Mas pôr quem no lugar de Marconi? Não há outro nome tão consistente quando o dele”, afirma um deputado.

O PL, por sinal, manda um recado para Marconi Perillo: não quer aliança no primeiro e nem no segundo turno, se houver segundo turno. A história do Banco Master foi comemorada pelos aliados de Wilder Morais. Aposta-se que, nas próximas pesquisas, o postulante do PL poderá superar o do PSDB.  (E.F.B.)