Na avaliação da altíssima cúpula do bolsonarismo, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, precisa ser candidato a presidente da República. Para garantir o segundo turno.

Há uma crença, nas cabeças coroadas do bolsonarismo, de que os governadores do Paraná, Ratinho Júnior (Carlos Roberto Massa Júnior; Ratinho é nom de plume), e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, ambos do PSD, são pesos leves e, num enfrentamento com o presidente Lula da Silva, seriam devorados.

Ronaldo Caiado, pelo contrário, tem discurso e peso político nacional. Lula da Silva o teme. Num debate sobre segurança pública, a parte mais vulnerável do governo do petista-chefe, poderá colocar o presidente no bolso.

Flávio Bolsonaro: o senador do Partido Liberal é forte mas sozinho não é páreo para o experimentado presidente Lula da Silva no debate | Foto: Reprodução/Youtube

Flávio Bolsonaro é articulado, mas não tem a relevância política de Ronaldo Caiado. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro terá dificuldade de debater com um profissional da estirpe de Lula da Silva — escolarizadíssimo pela política e pela vida.

O gestor goiano, além de ter experiência, como Lula da Silva, pode apresentar ao país seu modelo de gestão, que é considerado avançado e exemplar (inclusive em termos de probidade). A segurança pública de Goiás é apontada como a melhor do país. Já a do país é uma das piores do mundo.

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Lula da Silva: o presidente da República é um político altamente profissional | Foto: Agência Brasil

As máfias tropicais, como PCC e CV, tomaram conta do país, em larga medida, dada a omissão do governo federal. Frise-se que o problema não deriva apenas da falta de ação do governo de Lula da Silva. Outros governos, como os de Fernando Henrique Cardoso, Dilma Rousseff e Michel Temer, também foram omissos. Nem mesmo Jair Bolsonaro se empenhou no combate ao crime organizado.

O fato é que, sem Ronaldo Caiado no páreo, Lula da Silva — repetindo, um profissional, tanto que, no momento, opera para fisgar pedaços do União Brasil de Antonio Rueda e do pP do senador Ciro Nogueira — pode ser eleito no primeiro turno. Vale lembrar que, em 2022, quase ganhou no primeiro turno. E estando fora do poder.

As direitas, se unidas no segundo turno — se operarem coesas no primeiro turno, com dois candidatos —, têm chance de vencer Lula da Silva. O eleito tanto pode ser tanto Ronaldo Caiado, do PSD, quanto Flávio Bolsonaro, do PL. (E.F.B.)