Ao perder líderes como Márcio Corrêa e Gayer, Wilder vai pra disputa do governo só com cabos eleitorais pagos?
11 abril 2026 às 21h00

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A grande notícia política da semana foi a decisão do prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa, do PL, de apoiar a reeleição do governador de Goiás, Daniel Vilela, do MDB.
Márcio Corrêa, doutor em odontologia e empresário conceituado, é o mais importante prefeito do PL em Goiás. O município que administra, Anápolis, conta com quase 300 mil eleitores — por isso é decisivo nas disputas estaduais.

Márcio Corrêa disse, com todas as letras, que não apoiará a candidatura de Wilder Morais, do PL, a governador.
O prefeito de Anápolis nada tem de pessoal contra Wilder Morais. Mas, assim como outros líderes do PL, parece avaliar que o senador está pensando mais em seu projeto pessoal — quer se cacifar, na verdade, para a disputa da reeleição em 2030 — do que no projeto político do partido.

Escapando do Titanic do Wilder
O projeto real do PL, notadamente de Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro, é eleger um senador e ao menos três deputados federais em Goiás.
Com Wilder Morais candidato a governador, o que impediu a aliança com Daniel Vilela, pré-candidato a governador pelo MDB, o PL pode até eleger três deputados federais — Magda Mofatto, Major Vitor Hugo e Fred Rodrigues. Mas dificilmente terá condições de eleger o deputado federal Gustavo Gayer para o Senado.

Gustavo Gayer, por sinal, anda silencioso. Mas seu silêncio é mais “barulhento” do que bateria de escola de samba. Na verdade, o parlamentar não quer e certamente não vai apoiar Wilder Morais para governador. Fará, possivelmente, uma campanha-solo. É provável, até, que, em algum momento da campanha, anuncie apoio a Daniel Vilela.
O prefeito de Novo Gama, Carlinhos do Mangão, também decidiu que não irá apoiar Wilder Morais para governador. Ele é do PL. Há outros prefeitos do PL planejando desembarcar do que chamam de “Titanic do Wilder”.

O vereador Major Vitor Hugo, primeiro-amigo de Jair Bolsonaro em Goiás, está com um pé na e um pé fora da chalana de Wilder Morais. Se perceber que o naufrágio do senador pode derrotá-lo, por certo cairá fora, por volta de junho ou julho. Ele mantém bom relacionamento com Daniel Vilela.
Pelo visto, sem o apoio de líderes do PL — daqueles que têm voto —, Wilder Morais terá de se contentar com os cabos eleitorais pagos, tipo Nenzão. Além da “filha de” (consta que fala grego e o senador latim). (E.F.B.)

