Ex-presidente do MDB metropolitano, Agenor Mariano tem uma história bonita — começando lá na base da pirâmide social até chegar ao cargo de vice-prefeito de Goiânia (apoiado por Iris Rezende).

Quando Iris Rezende estava no ostracismo, Agenor Mariano o pegava em seu apartamento e o levava aos cultos evangélicos. Mais do que aliados políticos, os dois se tornaram amigos, até confidentes.

Depois, com Iris Rezende na Prefeitura de Goiânia, Agenor Mariano o acompanhou, como secretário, por mais de uma década. O prefeito apreciava ouvir as palavras sinceras do jovem e costumava dizer que o auxiliar era especialista em levar soluções, e não problemas.

Daniel Vilela, Ronaldo Caiado e Iris Rezende: o trio provou que o diálogo constrói e que a política vencedora é, antes de tudo, pragmática | Foto: Jackson Rodrigues

Na prefeitura, dada a ligação estreita entre Iris Rezende e Agenor Mariano, outros auxiliares chegavam a chamá-lo de Agenor “Rezende”. Ele corrigia: o ex-governador Agenor Rezende mora em Mineiros.

Dada o relacionamento histórico com Iris Rezende, Agenor Mariano disse ao Jornal Opção que tem condições, tanto políticas quanto morais, de comentar a saída de Ana Paula Rezende, filha do ex-governador, e sua aliança com Wilder Morais. Ela se apresenta como pré-candidata a vice na chapa do senador do PL.

Na conversa, Agenor Mariano fez questão de sublinhar que tem respeito por Ana Paula Rezende e, por isso, seus comentários não são pessoais. São eminentemente políticos.

Daniel Vilela Ana Paula
Daniel Vilela e Ana Paula Rezende: cordialidade do vice-governador de Goiás com a filha e um neto do ex-governador Iris Rezende Machado | Foto: Reprodução/Instagram

“A saída de Ana Paula do MDB resulta, politicamente, de uma síndrome da realeza (acha-se que se tem direito por uma questão familiar, por exemplo). Ela quer que todos beijem suas mãos. Mas, na política, as coisas não funcionam assim. É preciso construir a própria história, traçar os próprios caminhos”, frisa Agenor Mariano. “Por sinal, o legado de Iris Rezende é mais do MDB e dos emedebistas do que de uma pessoa em particular.”

“O que devo dizer, como ex-presidente do MDB, é que Ana Paula não se movimentou, de maneira efetiva, para tentar disputar um cargo pelo partido. Nunca procurou a direção do MDB para apresentar um projeto de disputa eleitoral. Afirma agora que foi desrespeitada, mas não informa ao público que era vice-presidente do partido”, enfatiza o ex-prefeito de Goiânia. “A rigor, nunca apresentou suas demandas políticas de maneira orgânica, informando ‘quero disputar tal cargo’. O diretório do MDB, altamente consolidado, nunca foi procurado pela filha de Iris Araújo.”

“O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, sugeriu que disputasse a Prefeitura de Goiânia e, depois, que fosse vice de Sandro Mabel. Ana Paula não acatou nenhuma das sugestões”, sublinha o emedebista jovem mas já histórico.

“A decisão de Ana Paula, saindo do MDB como se fosse penetra — e não a filha de um político que jamais, em nenhuma circunstância, deixaria o partido —, mostra mais egoísmo do que tino político. O que prova que, como política, pertence ao reino dos neófitos”, anota o irista de carteirinha.

Agenor Mariano que nenhum membro relevante do MDB irá acompanhar a aventura de Ana Paula Rezende. “Iris Rezende e Maguito Vilela tinham divergências pontuais, mas dialogavam e adotavam um denominador comum. Porque era maduros e leais.”

“Não aprecio a linguagem de ataque, até porque tenho um respeito imenso pela família de Iris Rezende, inclusive por Ana Paula, uma pessoa de bem. Mas sua adesão intempestiva ao PL e à candidatura de Wilder Morais resulta de um poderoso ‘piti’. Não há outra palavra mais adequada para definir seu ato. Faltou sabedoria emocional, o que sobrava em Iris Rezende e Maguito Vilela. Decisões meramente pessoais, sem consulta ao coletivo, resultam de imaturidade. E imaturidade não tem a ver com idade”, analisa Agenor Mariano.

Na visão de Agenor Mariano, “Iris Rezende era estadista. Ele pensava na política para o povo. Ana Paula se comporta como anti-estadista, ou seja, agiu de maneira egoísta, pensando apenas em si”.

Na opinião de Agenor Mariano, “Ana Paula saiu ‘menor’ ao deixar o MDB para apoiar um candidato a governador pela extrema direita — a mesma que cassou o mandato de Iris Rezende, na década de 1960. Ele só pôde voltar a disputar mandato em 1982, quando foi eleito governador. “Prenuncia-se um voo de pato.” (E. F. B. e P.M.)