“Afogando”, Vanderlan pode “afogar” a tucanopetista Aava Santiago?
10 janeiro 2026 às 21h01

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O senador Vanderlan Cardoso, do PSD, vive uma situação complicada. A oito meses das eleições de 2026, até agora não conseguiu montar uma chapa de candidatos a deputado federal — que é o que realmente interessa ao presidente nacional de seu partido, Gilberto Kassab.
O PSD corre o risco de não fazer um deputado federal este ano. O deputado federal Ismael Alexandrino não quer deixar o partido, mas pode se filiar ao PL. Porque, sem uma chapa consistente, pode ser bem votado e perder a eleição. Afinal, o quociente eleitoral para eleger um deputado federal é de 180 mil votos, ou um pouco menos, dependendo do quadro.
Lideranças políticas goianas sugerem que, na disputa de 2026, dificilmente Vanderlan Cardoso será reeleito. Por falta de grupo político, que é o que garante apoio, por exemplo, no interior. Qual é a grande liderança que acompanha o senador? Muito difícil arrolar uma. Hoje, há Joaquim Liminha, ex-presidente da Câmara Municipal de Anápolis. O anapolino se tornou seu fiel escudeiro. Vive ligando para o pessoal do PSD que não aprecia o senador. Sem resultados positivos.
Como sabe que dificilmente figurará como candidato a senador pela base governista, Vanderlan Cardoso decidiu enviar recados. Um deles: encontrou-se com Aava Santiago, a vereadora que acaba de trocar um partido de centro, o PSDB, por um partido de esquerda, o PSB, supostamente para ficar livre para apoiar a reeleição de Lula da Silva, do PT.
Vanderlan Cardoso e Aava Santiago são evangélicos e políticos inteligentes. Por isso, sabem que o recado (o de Vanderlan: se não me aceitarem, a base de Marconi Perillo [ou do PT] pode me acolher) deu errado, notadamente entre os evangélicos.
Os evangélicos não engolem o apoio de Vanderlan Cardoso ao governo de Lula da Silva e, por isso, ficaram irritados — os grupos de WhatsApp registram um incômodo geral — com sua “aproximação” (note as aspas) com Aava Santiago, quer dizer, com a esquerda.
Espécie de evangélica prêt-à-porter, Aava Santiago, suposto cavalo de Troia de Marconi Perillo no PSB, avalia, por certo, que o abraço com Vanderlan Cardoso pode render dividendos político-eleitorais para seu tutor e mestre titereiro e para si mesma. Mas, se já não conta com o apoio dos evangélicos de igrejas centrais, como a Assembleia de Deus, Igreja Universal, Fonte da Vida e Videira, agora o quadro pode piorar. A vereadora evangélica, se for mesmo candidata a deputada federal, terá de buscar os votos dos católicos.
Mas há uma diferença crucial entre Vanderlan Cardoso e Aava Santiago. O senador está em fase de declínio — tanto que sua mulher, Izaura Cardoso, ficou em terceiro lugar na disputa para prefeita de Senador Canedo, em 2024. Portanto, está se “afogando”, para usar uma linguagem metafórica.
Aava Santiago não teve 14 mil votos para deputada em 2022
Aava Santiago, bem votada para vereadora, está em ascensão. Porém, abraçando-se àquele que está se “afogando, pode ser puxada para baixo. A expressão “abraço de afogados” serve para explicar a relação da ex-tucana com o presidente do PSD em Goiás. É o “afogado” (ou quase “afogado”) tentando se salvar, mas, na tentativa, pode acabar afogando a jovem política.
O canto das sereias políticas costuma ser enganoso. Aava Santiago foi bem votada para vereadora em 2024, é certo. Mas uma eleição para deputado federal (ou senador) é outra história. Os números não mentem.
Candidata a deputada federal em 2022, Aava Santiago — conhecida como “tucanopetista” (até na Wikipédia) — obteve apenas 13.387 votos. Dois anos depois, candidata a vereadora em Goiânia, conquistou 10.482 votos. Foi a quarta colocada. Pode ser o seu teto? Não se sabe. Qual o prefeito que a apoiará em 2026? Não se sabe. Como terá votos no interior? (E.F.B.)

