10 principais cabos eleitorais na disputa pela Prefeitura de Goiânia. Kajuru influencia mais que Iris
04 agosto 2019 às 00h01

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Jorge Kajuru, Maguito Vilela, Vanderlan Cardoso, Delegado Waldir e Iris Rezende são os “oficiais” eleitorais da disputa na capital
O Jornal Opção ouviu cientistas políticos, pesquisadores e jornalistas (o maior número) e fez a todos a mesma pergunta: “Quais são os 10 principais cabos eleitorais na disputa pela Prefeitura de Goiânia em 2020?” Na verdade, a partir da enquete, pode se apontar uma lista maior, com pelo menos 15 nomes. Mas o jornal optou por listar os mais citados e os que realmente têm capacidade de interferir no processo político. Não deixa de ser curioso que os nomes de quatro pastores evangélicos tenham sido mencionados: Gentil Oliveira, Aluízio Silva, Oídes José do Carmo e César Augusto. Eles têm força eleitoral na capital e no Estado, concluem os entrevistados. Um cientista político frisa: Oídes José do Carmo contribuiu para a eleição do senador Vanderlan Cardoso (PP) e de Henrique César (PSC), seu genro, para deputado estadual (o mais bem votado) e é irmão do senador Luiz Carlos do Carmo (MDB). Resta saber como será a força dos líderes evangélicos numa disputa majoritária municipal. Sublinhe-se que os pastores articulam de maneira suprapartidária, e com eficiência.

1 — Alexandre Baldy — Ex-ministro, secretário do governo de João Doria, em São Paulo, o ex-deputado federal tem peso político na capital, sobretudo por ser agregador. Além disso, também tem influência em Anápolis. É considerado um craque na articulação política de bastidores e, dado o fato de ter sido ministro, é apontado como gestor eficiente. Se apoiar Francisco Júnior, do PSD, ou Maguito Vilela, do MDB, tende a fortalecer suas campanhas. Mais do que um cabo, é um general eleitoral.

2 — Daniel Vilela — O ex-deputado federal e presidente regional do MDB representa uma força política considerável, inclusive por ser posicionado. Ao contrário dos políticos que ficam em cima do muro, desde o início do ano que se colocou como opositor ao governo de Ronaldo Caiado — o que o qualifica para a disputa de 2022. Em Goiânia, tem menos peso político-eleitoral do que seu pai, Maguito Vilela, porque nunca foi gestor. Mas foi vereador e deputado estadual. Se não é um general eleitoral, está acima de cabo. Talvez seja um tenente-coronel eleitoral.

3 — Delegado Waldir Soares — O deputado federal não pode ser subestimado, nem em Goiânia nem em algumas cidades do interior. Ele é um fenômeno eleitoral. Resta saber se, como Jorge Kajuru, vai transferir votos na disputa para prefeito. Em Goiânia, vai bancar o deputado estadual Major Araújo, que está migrando para o PSL, partido do líder do PSL na Câmara dos Deputados. O delegado-deputado pode ser incluído na lista dos generais eleitorais. Um general de divisão. Major Araújo pode até não ganhar, mas dará um trabalhão para os demais candidatos — até porque tem discurso e é posicionado.

4 — Iris Rezende — O prefeito começou a gestão, em 2017, como se estivesse morando na China, não em Goiânia. A cidade parecia não existir para o emedebista, um prefeito absenteísta. Mas, depois de fazer caixa e conquistar empréstimo, o decano do MDB, de quase 86 anos começou a trabalhar. Ele está dizendo que não será candidato à reeleição, mas teria dito ao governador Ronaldo Caiado, do DEM, que estaria disposto ao “sacrifício” (na verdade, para ele, é prazer) de mais uma eleição. Há quem postule que, em reconhecimento ao fato ter impedido sua reeleição em 1998, apoiará o ex-governador Maguito Vilela. Mas há quem aponte que isto se trata de cortina de fumaça para encobrir seu próprio projeto político — até porque, dizem no Paço Municipal, quer Maguito Vilela, bem avaliado na capital, no seu palanque. Iris Rezende é, porém, uma incógnita. Se não for candidato, e terminando bem sua gestão, será um general eleitoral valioso. Quase um marechal.

5 — Jorge Kajuru — Todos os entrevistados admitem que terá peso decisivo no processo eleitoral de 2020, sobretudo em Goiânia. O senador é articulado e, fundamentalmente, tem uma forte ligação direta com os eleitores, a partir de suas redes sociais. É o político que mais sabe dialogar com seus seguidores, tanto que o pessoal brinca que seu nome deveria ser modificado para “Kajurunauta”. Declara que vai apoiar Elias Vaz, do PSB, o que, desde já, o torna mais forte do que alguns dos pré-candidatos. Porque Kajuru, do ponto de vista dos eleitores, é uma espécie de general eleitoral — quase um marechal. Claro que o deputado federal terá de fazer a sua parte, mas, com um padrinho tão forte, já começa um pouco mais adiantando — quase em posição de “impedimento”.

6 — José Nelto — O deputado federal está indo bem em Brasília, como líder do Podemos na Câmara. Ele afirma que será candidato a prefeito, inclusive com o objetivo de derrotar Iris Rezende. Mas tende a apoiar Elias Vaz ou Francisco Júnior, ou seja, àquele que oferecer a vice para um nome do Podemos — como Eduardo Machado. Não chega a general eleitoral, mas supera as patentes de cabo, sargento, tenente. Como tem uma imensa capacidade de articulação, está quase sendo promovido de major a tenente-coronel eleitoral.

7 — Maguito Vilela — Ao lado de Iris Rezende e Vanderlan Cardoso, é o pré-candidato a prefeito de Goiânia mais forte. Dado seu caráter diplomático, é um agregador de primeira linha. Se for candidato, poderá ter no seu palanque Maguito Vilela, Vanderlan Cardoso, Alexandre Baldy e Daniel Vilela. Um exército de peso. Se não for candidato, é um general eleitoral de peso.

8 — Ronaldo Caiado — O governador de Goiás está mais mal avaliado em Goiâni, mas no interior, onde o desgaste político e administrativo demora mais a chegar, sua avaliação é um bem melhor. O líder do Democratas tem força política em Goiânia, mas não uma força considerável — no sentido de decisiva. Como o governo está em fase de enxugamento, de contenção de gastos, praticamente não tem condições de nomear em larga escala e não há obras substanciais. O resultado é que, apesar de articulado, Ronaldo Caiado hoje não tem condições de bancar um candidato de seu grupo político, por isso mesmo está “incentivando” Iris Rezende a disputar a reeleição. Por dois motivos. Primeiro, se o alcaide disputar, de cara, retira Maguito Vilela do páreo. O que reduz a força dos Vilelas na capital. Segundo, se o prefeito perder, a derrota será dele, dada sua estatura política, e não de Ronaldo Caiado. Se apoiar Wilder Morais (Pros), que não tem presença forte na capital e ele perder, sobretudo de maneira humilhante, a derrota será atribuída a Ronaldo Caiado. Na capital, o governador é, por enquanto, uma tenente-coronel eleitoral. Se seu governo melhorar, irá a general de brigada eleitoral.

9 — Vanderlan Cardoso — Pesquisas sugerem que, em Goiânia, é tão forte quanto o prefeito Iris Rezende e Maguito Vilela. Um candidato de “chegada”. Mas, diferentemente do prefeito, não tem desgaste e, se disputar, representará o novo. Ele é visto como gestor, como aquele que tem capacidade administrativa. Mas o senador frisa que não será candidato e conta que está conversando com dois pré-candidatos: Francisco Júnior, do PSD, e Elias Vaz, do PSB — ambos deputados federais. Os dois dialogam com o líder do PP porque sabem de sua força eleitoral na capital, especialmente junto ao eleitorado evangélico. Aquele que conquistar seu apoio vai potencializar seu cacife político e eleitoral. Na capital, portanto, Vanderlan Cardoso é um general eleitoral — quase um marechal.

10 — Vilmar Rocha — O ex-deputado federal e presidente do PSD em Goiás é uma referência intelectual, ética, moral e política. É um dos poucos liberais autênticos da política goiana, tanto pela prática política quanto pelo conhecimento teórico. Não influencia tanto o pleito, em comparação a Jorge Kajuru, Iris Rezende, Maguito Vilela e Vanderlan Cardoso, mas contribui como, frise-se, referência. Ele apoia o deputado federal Francisco Júnior para prefeito. E por isso tem procurado agregar uma frente política ao projeto de seu pupilo. Trata-se de um coronel eleitoral, no bom sentido, claro. Quase chegando a general de divisão.

