Por Giovanna Campos
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Uma operação da Polícia Civil de Goiás revelou nesta sexta-feira, 30, um esquema criminoso sofisticado que explorava a boa-fé de moradores e síndicos em bairros nobres de Goiânia, utilizando a pauta da acessibilidade urbana como instrumento para fraudes, extorsões e falsificação de documentos públicos.
Batizada de Operação Falsários, a ação cumpriu seis mandados de busca e apreensão em residências, estabelecimentos comerciais e em um escritório de advocacia, com apoio da Guarda Civil Metropolitana (GCM). Dispositivos eletrônicos e documentos foram apreendidos e serão periciados para aprofundamento das investigações.
Segundo a Polícia Civil, os investigados se passavam por fiscais da Prefeitura de Goiânia e entregavam notificações falsas a proprietários de imóveis, alegando supostas irregularidades na instalação de calçamento tátil — item exigido por normas de acessibilidade. As vítimas eram ameaçadas com multas e sanções administrativas inexistentes.
Dias após a falsa autuação, pessoas ligadas a empresas de engenharia retornavam aos imóveis oferecendo a “regularização imediata” do problema, mediante contratação direta dos serviços ou pagamento de valores para suposto cancelamento da notificação.
As investigações apontam a participação de dois engenheiros civis, um terceiro indivíduo e pessoas jurídicas, que, em tese, atuavam de forma organizada para dar aparência de legalidade ao golpe. A maior parte das abordagens ocorreu no Setor Bueno, onde se concentrou o maior número de vítimas identificadas até o momento.
Denúncia partiu da GCM e envolveu pedido de propina
O esquema começou a ser desmontado após denúncia formal da Guarda Civil Metropolitana. Paralelamente, a Secretaria Municipal de Eficiência (Sefic) confirmou que recebeu relatos de síndicos informando que, após a entrega das notificações fraudulentas, os falsos fiscais retornavam exigindo propina, sob a promessa de “cancelar” as autuações.
Diante da gravidade dos fatos, as informações foram encaminhadas à GCM, que atuou de forma integrada com a Polícia Civil para identificar os envolvidos.
Em nota, a Sefic afirmou que os suspeitos não possuem qualquer vínculo com a Prefeitura de Goiânia, reforçou a política de tolerância zero à corrupção e orientou que qualquer abordagem suspeita seja denunciada imediatamente pelos canais oficiais do município.
Como se proteger de golpes envolvendo falsa fiscalização
A Prefeitura alerta que fiscais municipais atuam de forma identificada, com crachá funcional, uniforme oficial e documentação verificável, além de não exigirem pagamento direto, propina ou contratação de empresas específicas.
Em casos de dúvida, a orientação é não assinar documentos, não efetuar pagamentos e confirmar a veracidade da fiscalização junto aos canais oficiais da Prefeitura ou à Guarda Civil Metropolitana.
As investigações seguem em andamento para identificar outras vítimas e possíveis ramificações do esquema.
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