Por Euler de França Belém
Com muita ousadia em tempos de crise e um projeto planejado durante anos, os empresários Sirlene e Joaquim Milhomem lançaram a bela publicação “Elementar”, com distribuição dirigida a consumidores e formadores de opinião das classes A e B e executivos da cadeia produtiva de alimentos e bebidas, do produtor rural ao vendedor. O objetivo é ser uma plataforma goiana para o Brasil.
Em seu número inaugural, com 64 páginas, “Elementar” traz reportagens sobre batata, aquicultura, cervejas, glúten e biscoitos. Com pauta aberta, outros temas são abordados, como produção e produtividade agrícola, pets e uma bela reportagem sobre distribuição de alimentos a famílias carentes na Ceasa de Goiânia, assinada pelo editor Warlem Sabino. Destaque para entrevista exclusiva com representante da FAO no Brasil, Alan Bojanic.
“Acreditamos no mercado”
Sirlene Milhomem acredita que a ousadia pode fazer a diferença. Com esse espírito, ela e o marido-sócio Joaquim Milhomem colocaram no mercado a revista “Elementar”.
“As pessoas falam em crise, e realmente os tempos estão difíceis. Mas ninguém pode deixar de comer e de beber. Nós acreditamos que há espaço para uma boa publicação que coloque essa necessidade básica em pauta, de forma atrativa, leve mas ao mesmo tempo com profundidade. Durantes uns dez anos pesquisamos, ouvimos o mercado. O resultado é ‘Elementar’”, diz a empresária, também jornalista por formação, à frente da Oficina de Comunicação, agência goiana que oferece soluções de comunicação empresarial, há 15 anos no mercado.
O mercado editorial tem fechado empresas e cortado oportunidades. É mais que louvável o nascimento da “Elementar”. Que tenha vida longa.
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Michel Temer, se assumir a Presidência da República, pode fortalecer o projeto político de Daniel Vilela para 2018: a disputa do governo[/caption]
Não há favas contadas em política e a realidade, sempre dinâmica, muda de uma hora para outra. O PSDB acreditava que ficaria no mínimo 20 anos no poder e acabou ficando “apenas” oito anos (sem contar o período de Itamar Franco). O PT parece ter projetado um período ainda maior, ao estilo do PRI no México, mas, dada a corrupção sistêmica que criou para governar e, em seguida, para locupletar-se — contaminando políticos de vários partidos, como PMDB, PP, PTB e PR —, tende a deixar o poder este ano, depois de um longo reinado de 13 anos. Se confirmado o impeachment da presidente Dilma Rousseff pelo Senado, Michel Temer assume a Presidência e, como em 1992, o PMDB se tornará protagonista. O resultado é que o fortalecimento nacional tende a fortalecer o partido no plano estadual.
Em Goiás, para a eleição de 2018, há dois projetos básicos para o PMDB. O primeiro é bancar seu presidente, o deputado federal Daniel Vilela, para o governo. Político jovem, com boa estampa e discurso cada vez mais afiado, com a incorporação de uma argumentação mais técnica e abrangente — escapando ao populismo caboclo de Iris Rezende —, o parlamentar tem condições de disputar o governo. Pode até não ganhar de José Eliton, que deve ser o candidato do PSDB, mas tende a fazer boa figuração. Tanto pode jogar para ganhar em 2018 quanto pode jogar para ganhar musculatura tendo a disputa de 2022 como meta prioritária.
O segundo jogo do PMDB é apostar na figura experimentada do senador Ronaldo Caiado. Este pode candidatar-se pelo DEM ou pode trocar este partido, em 2018, pelo PMDB. Mas os velhos e novos peemedebistas sabem que, se eleito, o presidente do partido Democratas tende a trabalhar para constituir um grupo político com o objetivo de não cair sob controle do PMDB. Então, ganhar com Caiado pode ser, mais do que uma vitória, uma perda. Por isso, o mais certo é que, aproveitando-se do “empurrão” de Michel Temer, Daniel Vilela dispute o governo do Estado.
Há pelo menos oito goianos que são influentes junto ao “presidente” Michel Temer — em Brasília, nem o petismo o chama de vice-presidente — na República Temerista. Confira a lista a seguir, com breves comentários.
Alexandre Baldy — Apesar de ser considerado “almofadinha” pelos temeristas, articulou, furiosa e eficientemente, pelo impeachment de Dilma Rousseff. Teria contribuído para convencer Eurípedes Júnior, chefão do PROS, a entrar no trem dos que defendem a queda da petista. Michel Temer o vê como um “menino”, mas, via Eduardo Cunha, aprovou sua conduta. Pertence ao PTN.
Daniel Vilela — Embora não tenha sido protagonista, votou pelo impeachment. Michel Temer avalia que o jovem parlamentar deu um voto partidário e admite que tem apreciado conversar com o jovem, que percebe como “firme” e aposta em seu futuro político. Em Goiás, ao menos no PMDB, é um dos principais interlocutores do “presidente”.
Eduardo Machado — O presidente nacional do PHS tem falado com Michel Temer com frequência. Ele lidera uma bancada razoável e o “presidente” tem um olhar atentíssimo para os parlamentares. O PHS e o PTN, se se mantiverem unidos, poderão indicar, inclusive, um ministro num possível governo temerista.
Jovair Arantes — Relator da Comissão do Impeachment que detonou a presidente Dilma Rousseff, o deputado federal caiu nas graças tanto de Eduardo Cunha quanto de Michel Temer, que já o chama de “Jovadeus”. O “presidente” pode bancá-lo tanto para presidente da Câmara dos Deputados — Eduardo Cunha tende a se afastar para não ser afastado — quanto para um ministério. É líder do PTB.
Marcelo Melo — O nome do ex-deputado federal não tem sido mencionado. Mas é um político que frequenta a cozinha de Michel Temer. O “presidente” sinalizou que vai bancar sua candidatura a prefeito de Luziânia. Ao se filiar ao PSDB, supostamente por ter sido “sabotado” pelo grupo de Iris Rezende, o ex-peemedebista comunicou o fato ao líder nacional do PMDB.
Marconi Perillo — O governador de Goiás não pertence ao grupo que entra e sai do Palácio do Jaburu a todo momento. Mas tem o respeito do “presidente” Michel Temer. Porque apoia o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Tanto que 16 deputados federais goianos — procede que alguns, ligeiramente desgarrados, agiram de maneira independente — votaram pelo impeachment. Só um, o petista Rubens Otoni, votou contra. Acrescente-se que dois senadores goianos, Lúcia Vânia (PSB) e Wilder Morais (PP), pertencem à base política do marconismo. É do PSDB.
Ronaldo Caiado — O senador tem feito discursos contundentes contra o governo de Dilma Rousseff, mas sempre preservando Michel Temer. O líder do DEM pode acabar se tornando ministro da Agricultura, o que liberaria seu mandato de senador para um peemedebista.
Sandro Mabel — Nenhum político de Goiás tem tanto peso junto a Michel Temer quanto o empresário e ex-deputado federal. É cotado tanto para a Casa Civil quanto para o Ministério dos Transportes. É apontado pelos temeristas como hors concours. É do PMDB.
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Iris Rezende: o peemedebista nunca esteve tão animado[/caption]
Iris Rezende confidenciou a dois aliados que vai mesmo disputar a Prefeitura de Goiânia, este ano, pois não sabe se, em 2018, aos 85 anos, terá energia suficiente para trafegar por um Estado que, geograficamente, é maior do que Israel, Portugal e Cuba juntos. O peemedebista, que está disposto a disputar, protela o anúncio por três motivos. Primeiro, o partido não tem alternativa a ele. Segundo, não quer gastar dinheiro antes do tempo que avalia como apropriado. Terceiro, sabe que todos os demais candidatos vão armar seu jogo a partir de sua definição — então prefere deixá-los supostamente “desnorteados”. Agora, a denúncia de enriquecimento ilícito feita pela revista “Época” — não comprovado e seus advogados já pediram direito de resposta —, longe de desanimá-lo, aumentou a sua vontade de disputar a Prefeitura de Goiânia. A reportagem parece que se tornou, por assim dizer, o incentivo que faltava. É provável que em maio, no mais tardar junho, ele faça o anúncio de sua candidatura.
A revista “Época” deveria ter usado os documentos do SNI com cautela. Porque agentes, às vezes orientados por seus chefes e políticos, organizavam ou plantavam documentação falsa com o objetivo de prejudicar determinados políticos, tanto do governo quanto da oposição. Historiadores sabem que documentos devem ser usados com o máximo de cuidado, sobretudo quando produzidos por serviços de informação e polícias políticas.
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Na montagem, Sandro Mabel, Henrique Meirelles, Daniel Vilela, Jovair Arantes, Eduardo Machado e Alexandre Baldy[/caption]
Alguns políticos de Goiás estão se credenciando para assumir ministérios num possível governo de Michel Temer. Por sua expressão política, o Estado tende a indicar no máximo 1 ministro. Porém, como Sandro Mabel é mencionado para assumir a chefia da Casa Civil (ou Transportes) e Henrique Meirelles é citado como possível ministro da Fazenda na cota do “presidente”, portanto não tem a ver com indicação política do Estado, é possível que outro político do Cerrado seja escolhido para o ministério.
Michel Temer, dada a força da bancada governista na Câmara dos Deputados e no Senado, deve consultar o governador Marconi Perillo. Significa que o tucano vai indicar ministro? Não se sabe. Além dos citados acima, são cotados para ocupar ministérios: o senador Ronaldo Caiado (Agricultura) e os deputados Jovair Arantes (Trabalho) e Daniel Vilela (Esporte). Juntos, PTN e PHS podem indicar um ministro — Alexandre Baldy ou Eduardo Machado.
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Na foto, Henrique Meirelles, Jovair Arantes e Sandro Mabel[/caption]
Se assumir a Presidência da República, Michel Temer é quem, de fato, vai mandar. Mas ao seu lado estarão, possivelmente, as seguintes pessoas: Eduardo Cunha (na sombra?), Eliseu Padilha, Henrique Eduardo Alves, Henrique Meirelles, José Serra, José Yunes, Jovair Arantes, Moreira Franco, Raimundo Lira, Renan Calheiros, Rocha Luris, Romero Jucá e Sandro Mabel. Como consultores, mas não nomeados, estarão Delfim Netto e Armínio Fraga.
Setores do PSDB não querem participar do governo de Michel Temer, resguardando-se para a disputa de 2018. Porém, como, se assumir, o peemedebista não vai disputar a reeleição, há quem, no alto tucanato, avalia que participar de governo pode fortalecer o projeto de seu candidato a presidente da República — que tende a ser, pela ordem, o senador Aécio Neves — se não for contaminado pela Operação Lava Jato —, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (se escapar incólume das denúncias contra seu governo) e o governador de Goiás, Marconi Perillo.
Há uma verdadeira para indicar o vice de Gustavo Mendanha (PMDB) na disputa pela Prefeitura de Aparecida de Goiânia. O grupo do ex-prefeito Ademir Menezes, do PSD, tende a apresentar o nome do engenheiro e ex-vereador Max Menezes (filho de Ademir). O deputado Marlúcio Pereira, do PTB, tanto pode pleitear a vice para si quanto para seu filho. A oposição tende a bancar o professor e empresário Alcides Ribeiro, do PSDB, para enfrentar o candidato apoiado por Maguito Vilela.
O governador de Goiás, Marconi Perillo, do PSDB, tem conversado frequentemente com o chamado núcleo duro que circula com o “presidente” Michel Temer. Na semana passada, manteve uma longa conversa com o ex-ministro Eliseu Padilha, um dos homens de ouro da equipe do peemedebista-chefe. As conversas, republicanas, visam sempre o interesse do governo de Goiás.
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Pedro Canedo: o ex-deputado federal deve ser bancado pelo DEM com o apoio do PMDB[/caption]
Ao menos no momento, a política de Anápolis está polarizada entre o prefeito João Gomes, do PT, e o deputado estadual Carlos Antônio, do PSDB. As pesquisas apontam que são os favoritos e, se não houver mudança, deverão ir para o 2º turno na disputa pela prefeitura. Uma 3ª via, porém, pode ser produzida pelo DEM do senador Ronaldo Caiado e pelo PMDB do deputado Daniel Vilela.
O DEM vai bancar o médico e ex-deputado Pedro Canedo para prefeito. Caiado conseguiu arrancá-lo da base do governador de Goiás, Marconi Perillo. O PMDB vai lançar a candidatura do empresário e vereador Eli Rosa. Os dos políticos são consistentes, tem uma história positiva, mas, isoladamente, terão dificuldade para romper a polarização PT versus PSDB. Entretanto, Pedro Canedo e Eli Rosa, se se unirem, podem até não vencer, mas se tornarão postulantes mais consistentes.
A tendência é que Pedro Canedo seja o candidato a prefeito e Eli Rosa, o vice. Não há nada acertado entre os dois, mas as cúpulas dos dois partidos estão cada vez mais próximas e pretendem lançar candidatos únicos em municípios em que, isolados, não têm condições de ganhar dos candidatos apontados como favoritos, como João Gomes e Carlos Antônio.
Ameaçada de expulsão pelo poderoso chefão do PDT, Carlos Lupi, a deputada federal Flávia Morais, que votou pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff, recebeu convite do governador de Goiás, Marconi Perillo, para voltar ao PSDB. “Com direito a tapete vermelho e banda de música”, afirma um tucano de bico eradíssimo. O problema é que, se perder o comando do PDT no Estado, Flávia Morais e seu marido, George Morais, perdem cacife político. A parlamentar tem tempo de televisão e fundo partidário para fazer política. Se expulsa, na avaliação de um aliado, “terá de gastar muita sola de sandálias para se manter viva na política goiana, que é uma verdadeira selva”.
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Foto: Marco Monteiro[/caption]
Com o desgaste de Aécio Neves, que alguns chamam de Aécio “Delação Premiada” Neves, e de Geraldo “Merenda Escolar” Alckmin, os dois tucanos que eram os mais cotados para disputar a Presidência da República em 2018, a cúpula nacional tem pressionado o governador de Goiás, Marconi Perillo, a assumir, em definitivo e de modo enfático, que acalenta um projeto nacional.
Tal projeto, obviamente, é disputar a Presidência da República. Porém, como não se deixa se contaminar pela vaidade, o tucano-chefe sempre responde com o máximo de serenidade que, além de cedo, precisa focar na gestão do governo de Goiás. A política, assinala, deve ficar para mais tarde. Ele pensa mais em Goiás e no Brasil do que em projetos pessoais. Mas, de fato, tem interesse num projeto político nacional.
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Foto: divulgação/ FacebookG[/caption]
Magda Mofatto é deputada federal, mas, antes de tudo, é empresária. Havia decidido pelo impeachment, mas, levada por Valdemar Costa Neto — o presidente do PR que usa tornozeleira eletrônica devido à condenação pelo envolvimento na corrupção do mensalão —, foi recebida pela presidente Dilma Rousseff.
Depois de uma conversa candente — lágrimas contidas com certo esforço —, a petista Dilma Rousseff quase convenceu a presidente do PR em Goiás a não votar pelo impeachment.
Mas as pressões das ruas e, sobretudo, das redes sociais levaram Magda Mofatto a, na marca do pênalti, votar pelo impeachment. A presidente Dilma Rousseff teria jurado vingança eterna.
Marqueteiros e pesquisadores do primeiro time assinalam que o deputado federal Waldir Delegado Soares, pré-candidato a prefeito de Goiânia pelo PR, continua pregando para os “convertidos”. Os especialistas avaliam que, se não formular um discurso para setores mais amplos, sobretudo da classe média, dificilmente irá para o segundo turno. Tende a estagnar nos 20%, ou mesmo a cair para patamares bem mais baixos, durante a campanha. Recomenda-se que é hora, portanto, de pregar para os não convertidos, de conquistar votos novos. Waldir Soares precisa entender, com apuro, que a votação de um deputado é muito diferente da votação de um candidato a prefeito. Ele está trabalhando em 2016 como se a eleição fosse a mesma de 2014. São muito diferentes.
O pré-candidato do PSDB a prefeito de Goiânia, Giuseppe Vecci, vai falar aos candidatos a vereador do PHS no dia 11 de maio, às 19h30, na Assembleia Legislativa. Vai apresentar suas ideias para modernizar a capital. Os humanistas vão sabatiná-lo.
Deputados de todo o país estão impressionados com Alexandre Baldy, que todos chamam de deputado-ostentação, dada sua vaidade extremada. Segundo um colega, de 30 em 30 minutos, ele passa um produto no cabelo, que parece gel. “É a Marcela Temer do mundo masculino”, define um parlamentar.

