Por Agência Brasil

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Mourão e Araújo vão a Bogotá para discutir acirramento da crise na Venezuela

Colômbia já registrou 285 feridos na sua fronteira

Foto: REUTERS/Andres Martinez Casares / direitos reservados

O vice-presidente Hamilton Mourão e o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, viajam neste domingo, 24, para Bogotá onde participam da reunião do Grupo de Lima, que acontece nesta segunda-feira, 25, na capital colombiana. O encontro, que contará com a presença do vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, vai discutir o acirramento da crise na Venezuela.

O Grupo de Lima reúne o Brasil e mais 14 países da região. Desses, 11 não reconhecem Nicolás Maduro como presidente legítimo da Venezuela, incluindo o Brasil.

Mourão sai de Brasília por volta das 14h30 e adiantou que o Brasil deverá manter sua posição de conceder ajuda humanitária sem intervir na política interna do país. Já Araújo viaja de Roraima, onde está desde a última sexta-feira, 22, acompanhando a movimentação na fronteira com a Venezuela e a entrega de ajuda humanitária aos venezuelanos.

O clima é de tensão na região fronteiriça, dois venezuelanos morreram em confrontos em uma área perto da fronteira da Venezuela com o Brasil. Ainda assim, o governo brasileiro informou que dois caminhões com ajuda humanitária conseguiram entrar em território venezuelano através da fronteira em Roraima.

Em comunicado do Ministério das Relações Exteriores, o governo brasileiro condenou os episódios de violência registrados nas fronteiras do Brasil e da Colômbia com a Venezuela, caracterizando os atos como um “brutal atentado aos direitos humanos” do regime do presidente Nicolás Maduro.

“O governo do Brasil expressa sua condenação mais veemente aos atos de violência perpetrados pelo regime ilegítimo do ditador Nicolás Maduro, no dia 23 de fevereiro, nas fronteiras da Venezuela com o Brasil e com a Colômbia, que causaram várias vítimas fatais e dezenas de feridos”, diz a nota.

No documento, o Itamaraty apela para que todos os países reconheçam o autoproclamando presidente interino venezuelano, Juan Guaidó, como líder legítimo do país.

Apoio

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, participou de um evento público em que defendeu a legitimidade do governo interino de Juan Guaidó e criticou a gestão de Maduro. Também mencionou a grave crise humanitária o esforço internacional para buscar conter as dificuldades da população venezuelana.

O embaixador John Bolton, assessor internacional da Casa Branca, foi designado a acompanhar de perto os desdobramentos da situação na Venezuela, segundo o porta-voz Garrett Marquis.

Na sua conta pessoal no Twitter, Bolton indicou a inclinação dos Estados Unidos em aprovar mais sanções contra a Venezuela para pressionar Maduro a deixar o governo. “Os militares da Venezuela têm uma escolha: abraçar a democracia, proteger os civis e permitir ajuda humanitária ou enfrentar ainda mais sanções e isolamento”, disse Bolton.

Neste sábado, 23, carregamentos de ajuda humanitária dos Estados Unidos, Brasil e vários países conseguiram chegar ao território venezuelano, conforme o chanceler brasileiro.

Feridos

A exemplo do que ocorreu na fronteira da Venezuela com o Brasil, a Colômbia também registrou momentos de violência e tensão na região. Em comunicado oficial, o Ministério das Relações Exteriores da Colômbia informou que 285 se feriram nos confrontos em decorrência, sobretudo, dos ataques com gás lacrimogêneo e armas não-convencionais.

Dos 285 feridos, 255 são venezuelanos e 30 são colombianos. No comunicado, o ministério informou também que um grupo de 60 militares venezuelanos, incluindo oficiais, pediram refúgio na Colômbia. De acordo com o texto oficial, a reação dos militares demonstra o descrédito no governo do venezuelano Nicolás Maduro.

O comunicado ressalta também que a prioridade do presidente da Colômbia, Iván Duque, é proteger a integridade de pessoas na zona fronteiriça e providenciou o retorno de caminhões para proteger a ajuda humanitária.

“O mundo testemunhou que a Colômbia, Chile, Paraguai, Estados Unidos e muitos países da região estiveram em uma ação humanitária e pacífica multilateral para levar alimentos e remédios para os cidadãos venezuelanos. A Colômbia e a comunidade internacional cumpriram e receberam violência da Venezuela”, destaca o comunicado.

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