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A reativação do Banco de Olhos do Centro de Referência em Oftalmologia da Universidade Federal de Goiás (Cerof-UFG), após seis anos de paralisação, amplia a captação de córneas no Estado e deve reduzir a fila de espera por transplantes, que atualmente reúne mais de 1.8 mil pessoas. O tempo médio de espera é de um ano e nove meses, podendo chegar a mais de dois anos em alguns casos.
O serviço havia sido fechado em 2019, no contexto da pandemia de Covid-19, e permaneceu inativo desde então. A retomada foi possível após a formalização de convênio com a Secretaria Estadual de Saúde, firmado em julho de 2024, e a regularização de mais de 50 exigências documentais e técnicas junto ao Ministério da Saúde, incluindo autorizações, capacitação de equipes, fluxos de transporte e armazenamento de tecidos.
24 horas em Goiânia e Anápolis
Katiane Martins Mendonça, diretora-geral do CEROF/UFG, diz ao Jornal Opção que o Cerof passa a atuar equipes fixas 24 horas em Goiânia e Anápolis e reforça a importância da doação e que doares falem com suas famílias sobre o desejo. “A maior dificuldade ainda é o convencimento da família no momento da doação. Quando a pessoa manifesta em vida o desejo de ser doadora, a decisão fica mais tranquila para os familiares, e isso faz toda a diferença", diz.
Célia Regina Malveste, referência em captação e transplante de córneas, explica que praticamente todas as pessoas podem ser doadoras de córneas. "A legislação permite a doação entre 2 e 80 anos de idade, e o uso de óculos não impede a doação. As principais contraindicações são doenças infectocontagiosas.”
Ela conta que após o óbito por parada cardiorrespiratória, é iniciada uma corrida contra o tempo para garantir essa doação. "Temos até seis horas para retirar as córneas se o corpo não estiver refrigerado, ou até 12 horas se houver refrigeração. É um procedimento tecnicamente seguro e com prazo adequado."
Para isso, é necessária uma abordagem humanizada com a família que acaba de perder um ente querido. "Explicamos à família que existe uma fila extensa e que aquela doação pode devolver a visão a outra pessoa. Quando a família não autoriza, o processo é encerrado com total respeito.”
Retomada
A retomada das atividades começou pelo Hospital Estadual de Urgências Dr. Henrique Santillo (Heana), em Anápolis, que passou a contar com equipe do Banco de Olhos do Cerof-UFG atuando de forma contínua. As duas primeiras captações já foram realizadas no hospital após notificações de óbito por parada cardiorrespiratória.
Diferentemente dos órgãos sólidos, a córnea pode ser captada tanto em casos de morte encefálica quanto após parada cardiorrespiratória, o que amplia significativamente o potencial de doação. O procedimento depende, no entanto, de identificação rápida do óbito, abordagem familiar adequada e integração entre equipes assistenciais, Organização de Procura de Órgãos (OPO) e Banco de Olhos.
Doação e transplante são regulados pelo SUS
A fila para transplante de córnea em Goiás é única e organizada pela Central Estadual de Transplantes. Não há critério de compatibilidade biológica: os pacientes são chamados por ordem cronológica de inscrição, com acompanhamento transparente da posição na fila. Segundo profissionais da área, um dos principais gargalos dos últimos anos não foi a falta de equipes transplantadoras, mas a escassez de córneas viáveis para transplante.
O Cerof-UFG mantém equipe transplantadora ativa há 25 anos e nunca interrompeu a realização de transplantes. Durante o período em que apenas um banco de olhos funcionava no estado, a oferta de córneas foi reduzida, o que impactou diretamente o tempo de espera dos pacientes.
Do ponto de vista técnico, o banco conta com equipamento de avaliação de córneas de última geração, avaliado em cerca de R$ 1 milhão, único na região Centro-Oeste. A tecnologia permite analisar com maior precisão a qualidade do tecido e, em alguns casos, dividir uma única córnea para beneficiar até dois pacientes, ampliando o alcance dos transplantes.
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