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ELEIÇÕES 2026
PSOL tem candidata com R$ 2,07 bilhões; Lúcia Viana é a terceira mais rica do país

A candidata do PSOL à vice-governadoria do Tocantins, Maria Lúcia Soares Viana, declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de aproximadamente R$ 2,07 bilhões, colocando seu nome na terceira posição entre os candidatos mais ricos do Brasil nas eleições de 2026, de acordo com o levantamento do Portal Plural sobre as declarações de bens dos candidatos. Lúcia integra a chapa encabeçada por Witer Naves, do PSOL, e disputa a eleição com o número 50.

A evolução patrimonial declarada por Lúcia Viana também merece atenção. Dados eleitorais anteriores mostram que ela declarou R$ 295.196,14 em 2014. Em 2016, o valor informado foi de R$ 126.500; em 2018, R$ 235.982,97; e, em 2020, a declaração chegou a R$ 956 mil.

Agora, em 2026, o valor informado aparece na casa dos R$ 2,07 bilhões. A diferença entre as declarações anteriores e a atual é, portanto, gigantesca.

É importante ressaltar que variações patrimoniais podem ocorrer por diferentes razões — aquisição ou venda de imóveis, participações societárias, investimentos, atualização de valores, heranças e outros fatores. Por isso, o crescimento nominal do patrimônio não permite, sozinho, concluir como ou por que a riqueza aumentou.

Quem é Lúcia Viana

Natural de Cristalândia, no Tocantins, Maria Lúcia Soares Viana tem 64 anos. É advogada e trabalhou durante décadas como servidora pública federal. Segundo informações divulgadas pelo Senado, ela atuou por 34 anos no serviço público federal e foi coordenadora do Centro de Direitos Humanos de Palmas.

Lúcia passou pela Procuradoria da República no Tocantins, onde permaneceu por cerca de 15 anos, e trabalhou como servidora concursada do Tribunal de Contas da União e do Senado Federal, em Brasília. Depois de se aposentar, passou a atuar como advogada em causas sociais.

Ela é filiada ao PSOL desde 2009 e construiu uma trajetória de participação em diferentes disputas eleitorais no Tocantins.

Uma trajetória marcada por várias eleições

Antes de chegar à disputa de 2026, Lúcia Viana já havia participado de outras campanhas.

Em 2016, foi indicada pelo PSOL para ser vice na chapa de José Roberto, do PT, na disputa pela Prefeitura de Palmas. A aliança entre PT e PSOL, entretanto, enfrentou resistência da direção nacional do PSOL e a candidatura acabou não prosperando daquela forma. Lúcia foi posteriormente substituída na chapa.

Em 2020, voltou às urnas como candidata a vice-prefeita de Palmas, na chapa encabeçada pelo professor Bazzoli, do PSOL. A dupla recebeu 1.060 votos, ou 0,83% dos votos válidos, terminando fora da disputa pelo segundo turno.

Em 2022, Lúcia disputou uma vaga ao Senado Federal pelo PSOL. Recebeu 1.622 votos, equivalentes a 0,21% dos votos válidos no Tocantins. Naquele ano, o Senado registrou que ela já havia sido candidata anteriormente aos cargos de vereadora, deputada federal e vice-prefeita, sem ter sido eleita.

Em 2024, disputou novamente a Prefeitura de Palmas. A candidatura recebeu 591 votos, ou 0,37% dos votos válidos.

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Tormenta
Cármen Lúcia inicia segundo ano à frente do TSE sob pressão com julgamentos que podem cassar governadores e senador

A ministra Cármen Lúcia inicia seu segundo ano como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) enfrentando crescente pressão de colegas, advogados e especialistas para acelerar a pauta de julgamentos e dar andamento a processos considerados fundamentais antes das eleições de 2026.

Durante o primeiro semestre de 2025, o TSE enfrentou críticas por sessões esvaziadas, julgamentos de menor relevância e decisões tomadas em bloco — os chamados julgamentos em lista — o que deixou casos mais complexos e urgentes sem previsão de análise.

Entre os processos pendentes estão ações que podem levar à cassação dos mandatos dos governadores Claudio Castro (PL-RJ) e Antonio Denarium (PP-RR). Nenhuma das ações tem data marcada para julgamento.

Governadores sob investigação

A ação contra Castro envolve suspeitas de nomeações irregulares de aliados e cabos eleitorais em uma fundação estadual, além da existência de uma suposta folha de pagamento secreta, revelada por reportagens do UOL em 2022. Já Denarium é acusado de abuso de poder econômico nas eleições de 2022, com alegações de uso da máquina pública e programas sociais para favorecer sua reeleição. Ambos negam qualquer irregularidade.

Outro caso pronto para julgamento é o pedido de cassação do senador Jorge Seif (PL-SC), paralisado desde abril de 2024. Na ocasião, o TSE determinou novas diligências para embasar a decisão sobre suspeitas de abuso de poder econômico. Seif também nega as acusações.

Esses processos são considerados prioritários por membros da corte e observadores do cenário jurídico, que alertam para a necessidade de resolvê-los antes do início do período pré-eleitoral.

Presidência

Procurada pela reportagem, a ministra Cármen Lúcia não se manifestou sobre os processos pendentes.

O TSE é composto por sete membros titulares, que ocupam os cargos de forma rotativa. Três são ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), dois do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e dois representantes da advocacia.

Cármen Lúcia assumiu a presidência do TSE em junho de 2024, sucedendo Alexandre de Moraes, e permanecerá no cargo até junho de 2026, quando será substituída por Kassio Nunes Marques.

Tecnologia e diversidade

Antes mesmo de assumir a presidência, Cármen participou da elaboração de medidas para combater fraudes eleitorais envolvendo o uso de inteligência artificial. Durante sua gestão, supervisionou as eleições municipais, que classificou como "democraticamente monótonas". Apesar disso, evitou comentar suspeitas de fraudes em municípios de pequeno e médio porte, onde reportagens da Folha apontaram indícios de compra de votos por meio da transferência ilegal de títulos eleitorais.

Uma das principais iniciativas da ministra neste ano foi a reformulação da composição do tribunal. Ela elaborou uma lista exclusivamente feminina para preencher uma das vagas de titular, enviada ao presidente Lula (PT). A justificativa era evitar que o TSE ficasse composto apenas por homens, após a saída de Isabel Gallotti (STJ) e da própria Cármen em 2026.

Lula escolheu Estela Aranha, ex-secretária de Direitos Digitais do Ministério da Justiça, considerada uma escolha alinhada às prioridades da ministra. Estela é vista como uma figura preparada para lidar com temas como big techs e inteligência artificial, que devem ganhar destaque nas próximas eleições.

Nova composição

Com a nova formação, espera-se que Cármen Lúcia avance na pauta de julgamentos. Atualmente, o TSE é composto por Cármen, Kassio Nunes Marques e André Mendonça (STF); Isabel Gallotti e Antônio Carlos Ferreira (STJ); Floriano Azevedo e Estela Aranha (advocacia).

Entre os temas que podem ser analisados nos próximos meses estão as chamadas "palavras mágicas", que definem os limites da propaganda eleitoral antecipada, e suspeitas sobre o uso de emendas parlamentares como forma indireta de financiamento de campanhas.

A expectativa é que, com a nova composição, a ministra consiga destravar os processos e conduzir o tribunal com maior celeridade rumo às eleições de 2026.

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