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Há um certo romantismo quando se fala de forma abstrata em conservação da natureza, mas as coisas se tornam um pouco mais complexas quando nos aproximamos das margens do Rio Araguaia, com espécies se tornando uma presença diária, às vezes indesejada, às vezes temida, gerando o que chamamos de “conflitos de conservação”
A ciência é cada vez mais uma construção coletiva e quando envolve recursos públicos, integrar esforços faz toda a diferença! Os projetos em andamento no Araguaia, liderados por equipes de diversas instituições de pesquisa e ensino de Goiás, mostram na prática como essa integração pode gerar resultados concretos para a sociedade e para o meio ambiente
Pesquisa integra o Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Peixes Rivulídeos Ameaçados de Extinção
Até o momento, foram concluídos 23 genomas de referência de altíssima qualidade
Iniciativa pretende avaliar o risco de extinção de 1,7 mil espécies de vertebrados neste ano
A população do papagaio-de-cara-roxa (Amazona brasiliensis) sofreu uma drástica redução em seu principal dormitório no Paraná, localizado na Ilha do Pinheiro, dentro do Parque Nacional do Superagui. De acordo com o censo realizado neste ano, a população, que já chegou a cerca de 2.500 indivíduos em anos anteriores, caiu para apenas 455, representando uma diminuição de 8,6%.
Especialistas sugerem que a queda pode estar relacionada ao aumento da movimentação humana, com turistas, barcos e até fogos de artifício perturbando a tranquilidade da área.
“Esses fatores podem estar fazendo com que os papagaios não enxerguem mais a ilha como um local seguro para viver”, avalia Elenise Sipinski, coordenadora dos projetos de Fauna da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS).
Maria Cecília Rodrigues, comandante da 1ª Companhia do Batalhão de Polícia Ambiental, destaca a necessidade de monitoramento rigoroso. “O aumento de pessoas nas proximidades da Ilha do Pinheiro vem sendo bastante definitivo para a construção deste cenário”, diz.
A Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) e a Fundação Loro Parque, da Espanha, são responsáveis pelos censos da espécie no estado. Camile Lugarini, chefe regional do ICMBio, confirma que a organização está ciente das aproximações indevidas de embarcações e que há planos em andamento para fortalecer a conservação da ave.
“Vamos conversar com pessoas no entorno da Ilha do Pinheiro e com autoridades técnicas para detalhar a situação, aumentar a fiscalização e melhorar as sinalizações náutica e da Unidades de Conservação”, promete.
O declínio significativo da população de papagaios-de-cara-roxa no dormitório principal levanta preocupações sobre a saúde da espécie e possíveis mudanças em seu comportamento migratório. “Ter o privilégio de assistir a uma revoada e à intensa vocalização desses papagaios é algo lindo e singular. Sem terreno fértil para sua conservação, pode estar comprometida uma população que usa a região há milhares de anos”, alerta.
Segundo Sipinski, da SPVS, a situação acende um alerta sobre a conservação da espécie, já que a Amazona brasiliensis depende de planícies litorâneas preservadas, que se estendem do sul de São Paulo ao Paraná. O papagaio-de-cara-roxa é uma espécie que nidifica em árvores como o guanandi (Calophyllum brasiliense).
Desde 2003, para compensar a perda de árvores devido ao desmatamento ilegal e fenômenos climáticos, a SPVS instalou ninhos artificiais de madeira e PVC, uma medida que ajudou a melhorar o status da espécie na Lista Nacional de Espécies Ameaçadas de Extinção, passando de "Vulnerável" para "Quase Ameaçado".
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