Larissa Junqueira Bareato

Quando mulheres passam a integrar posições estratégicas, como ocorre no sistema OAB e, em especial, na Caixa de Assistência da Advocacia, há uma ampliação efetiva da pluralidade de visões que orientam a tomada de decisões institucionais. E isso não é adjacente: é o que confere legitimidade, robustez e sensibilidade à atuação dessas entidades.

Mais do que inserção, é indispensável tratar do equilíbrio! Deliberações construídas entre homens e mulheres tendem a produzir resultados mais abrangentes, mais equânimes e mais aderentes à complexidade social. A diversidade de experiências, percepções e trajetórias expande o campo analítico e qualifica o processo decisório. Não se trata de substituição de protagonismos, mas de convergência de competências e, nesse cenário, a igualdade deixa de ser apenas um valor abstrato para se consolidar como um verdadeiro modelo de governança eficiente.

Quando esse equilíbrio se materializa, seus efeitos transcendem os limites institucionais. As decisões passam a refletir, com maior precisão, as demandas sociais, alcançando com mais efetividade aqueles que dependem dessas estruturas: as pessoas e, sobretudo, as famílias. Instituições como a Caixa de Assistência da Advocacia desempenham papel relevante no amparo e no suporte à classe, repercutindo diretamente na organização e na estabilidade de inúmeros lares. É nesse plano concreto, ou seja,  na vida cotidiana, que a qualidade das decisões revela sua dimensão mais significativa.

Importa destacar que a ocupação desses espaços não decorre de concessões, mas de trajetórias construídas com rigor, preparo e consistência. Mulheres que alcançam posições decisórias, em regra, trilham caminhos marcados por elevada qualificação e permanente aperfeiçoamento. Não raramente, conciliam múltiplas responsabilidades (profissionais, acadêmicas e familiares) enquanto investem no aprofundamento técnico e na ampliação de repertório em áreas como gestão, governança, liderança e relações institucionais. Essa formação multidisciplinar não apenas fortalece sua atuação, como também contribui para decisões mais estruturadas e sensíveis às múltiplas camadas da realidade social.

Ainda persiste, contudo, um traço cultural que insiste em tratar como exceção aquilo que deveria constituir a regra. A presença feminina em cargos de liderança, embora em expansão, segue sendo, por vezes, recebida com surpresa, como se a competência, a entrega e a consistência profissional das mulheres ainda carecessem de validação permanente. Tal cenário evidencia não apenas uma herança de desigualdade histórica, mas também a necessidade premente de evolução institucional e cultural.

Nesse contexto, a experiência de integrar a diretoria e, recentemente, presidir a CASAG no mês de março evidencia, de forma inequívoca, o impacto de uma atuação comprometida e atenta às demandas concretas da classe. Quando há abertura para escuta qualificada, sensibilidade institucional e decisões orientadas por critérios inclusivos, toda a advocacia é beneficiada e, por consequência, a própria sociedade.

É importante destacar que associações de mulheres exercem papel estratégico ao fomentar redes de apoio, incentivar a formação contínua e impulsionar lideranças, contribuindo para que a presença feminina em espaços decisórios deixe de ser exceção e se consolide como expressão natural de mérito e preparo.

A verdadeira conquista se consolidará quando não houver mais estranhamento, quando a presença feminina em posições de liderança for percebida com naturalidade e não como fato extraordinário, como expressão legítima do mérito, da competência e da dedicação. Esse é o patamar de maturidade institucional que se impõe!

Mais do que abrir portas, é necessário consolidar trajetórias. E isso se constrói com consistência, com posicionamento firme e com a convicção de que instituições verdadeiramente democráticas se edificam sobre diversidade, representatividade e inclusão efetiva.

Que não sejamos mais exceção. Que sejamos, definitivamente, equilíbrio.