Crise climática e a necessária valorização da engenharia
28 janeiro 2026 às 09h42

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Gerson Tertuliano, presidente do Sindicato dos Engenheiros no Estado de Goiás
As mudanças climáticas, responsáveis pelos acontecimentos catastróficos recentes, confirmam aquilo que a ciência e a boa técnica vêm alertando há décadas: a crise climática deixou de ser uma projeção futura e passou a fazer parte do cotidiano da população brasileira. O ano de 2025 consolidou um cenário de eventos climáticos extremos em todo o país, com chuvas intensas e concentradas, alagamentos urbanos, frentes frias atípicas, ondas de calor prolongadas e períodos de seca severa.
Em Goiás, esses efeitos tornaram-se visíveis com chuvas fortes em curto intervalo de tempo, causando inundações, bloqueios de vias, prejuízos à mobilidade urbana, riscos à população e danos à infraestrutura pública. Esses eventos evidenciam a fragilidade das cidades frente às mudanças climáticas e a urgência de políticas estruturantes de adaptação e prevenção.
A intensificação desses fenômenos está diretamente relacionada ao aquecimento global e à degradação ambiental. Seus impactos atingem a sociedade de forma desigual, agravados pela impermeabilização dos espaços urbanos e pelo avanço das obras em concreto, que se multiplicam com o crescimento vertical das áreas urbanas. Esse processo penaliza principalmente trabalhadores e comunidades das periferias mais vulneráveis e, ainda que também afete áreas nobres altamente adensadas, aprofunda as desigualdades sociais e territoriais.
Diante desse cenário, é imprescindível que o poder público adote políticas de planejamento urbano, gestão de riscos, proteção ambiental e investimentos em infraestrutura resiliente, baseadas em dados científicos e na realidade local, por meio de Les municipais e estaduais que garantam a continuidade das ações, mesmo diante de mudanças de governo. Enfrentar a crise climática exige decisões estratégicas, coordenação institucional e valorização do conhecimento técnico.
O SENGE-GO reafirma que não há enfrentamento consistente da crise climática sem engenharia atuante e valorizada. É fundamental que os governos se apoiem no fator técnico, com secretarias e órgãos estratégicos geridos por profissionais especializados, especialmente engenheiras e engenheiros com formação e experiência compatíveis com a complexidade dos desafios atuais.
Da mesma forma, é urgente o fortalecimento do serviço público por meio de concursos que realmente valorizem os profissionais, com salários compatíveis com o mercado de trabalho, abandonando a prática de remunerações irrisórias comumente oferecidas, que não condizem com a responsabilidade da profissão. Ampliar o corpo técnico permanente do Estado, com profissionais valorizados, é condição essencial para garantir a continuidade das políticas públicas, o planejamento de longo prazo e a capacidade real de resposta a eventos extremos. Cidades resilientes, obras seguras e políticas eficazes dependem de equipes técnicas qualificadas, valorizadas, concursadas e comprometidas com o interesse público, sendo a ENGENHARIA o pilar central desse processo.

