Tecnoshow 2026 reúne tecnologia, mas cenário econômico impõe cautela ao campo
09 abril 2026 às 19h07

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A 23ª edição da Tecnoshow Comigo, realizada em Rio Verde, com o tema O Agro Conecta, reúne tecnologias voltadas ao agronegócio, mas ocorre em um momento de cautela entre lideranças do setor. O presidente do Conselho de Administração da Comigo, Antônio Chavaglia, assim como expositores e produtores, avalia que o cenário econômico — marcado por juros elevados, custos altos e incertezas externas — pode limitar resultados mais expressivos em negócios durante a feira.
Apesar da vitrine tecnológica e das expectativas positivas, o clima entre produtores é de prudência diante de margens apertadas e do crédito mais caro.

Tecnologia em alta, investimentos sob pressão
O evento apresenta uma ampla gama de soluções, incluindo máquinas, sementes e insumos químicos, consolidando-se como uma vitrine de inovação no campo. Ainda assim, segundo Antônio Chavaglia, o comportamento do produtor tem sido mais conservador. “O cenário atual, marcado por juros elevados e margens reduzidas, tem levado produtores a adotarem uma postura mais cautelosa”, afirmou.
De acordo com ele, a prioridade tem sido a manutenção de equipamentos já existentes. “Máquina estamos vendendo menos, mas peça estamos vendendo mais”, destacou. O presidente também chamou atenção para o impacto do crédito no setor. “O juro não é compatível com a renda que o produtor está tendo”, completou.

Custos e cenário externo ampliam incertezas
Além das condições financeiras, fatores externos ampliam o ambiente de incerteza. “O óleo diesel já está impactando muito, o transporte subiu e o custo de produção também”, afirmou. Ele também citou riscos relacionados ao mercado internacional. “As incertezas sobre exportações, especialmente de milho, ampliam o risco no setor”.
Mesmo diante desse cenário, que inclui conflitos internacionais e instabilidade econômica, a Tecnoshow segue como um importante espaço de negócios e difusão tecnológica, reunindo cerca de 700 expositores. A organização, segundo Chavaglia, prioriza a qualidade do evento. “O objetivo da feira não é lucro, mas dar condições para o produtor viabilizar bons negócios”, destacou.
Produtores mantêm “pé no freio”
Entre os produtores, a cautela também predomina. O pecuarista Antônio César Alves, de Jandaia, afirma que a feira continua sendo relevante, mas o momento exige prudência. “Quando tem dinheiro e perspectiva de crescimento, é um bom negócio. Eu já comprei carro aqui várias vezes, já comprei boi reprodutor também”.

No entanto, ele ressalta as dificuldades atuais. “Hoje está todo mundo com o pé no freio, porque os juros estão altíssimos. Você pega um dinheiro e ele vira uma bola de neve”.
Antônio César aponta impactos de fatores externos. “Tem três coisas ruins esse ano: guerra, política e Copa do Mundo. Para nós, que não ganhamos nada com isso, está muito ruim”. E reforça o peso dos custos no dia a dia. “O óleo está cada dia mais caro, e no campo tudo depende disso. É um ano de muita cautela e pouco investimento”.
O produtor de soja e milho Sandro Gomes Dias, da região de Acreúna, compartilha da mesma percepção. “O produtor está com o pé no chão, está com medo de investir, porque o cenário não está bom e as commodities não têm preço atrativo”.

Segundo ele, o aumento dos custos compromete a rentabilidade. “Fertilizante caro, petróleo caro, tudo isso impacta no final da conta. Não fecha”. Diante disso, a estratégia tem sido conter despesas. “É um ano de muita pechincha, de trabalhar só com o razoável, no limite mesmo”.
Empresas apostam em bons negócios
Do lado empresarial, a expectativa é mais otimista, embora reconheça os desafios. Representante da Iguaçu Máquinas, Marcelo Gavinho avalia que a feira mantém sua força. “A Tecnoshow é uma feira que nunca decepciona, sempre nos surpreende em vendas”.
Ele destaca o potencial da região. “Estamos em uma região muito abençoada, com produtores capitalizados que investem conforme a necessidade”.
Gavinho também enfatiza a oferta tecnológica. “Temos um portfólio completo, que atende do pequeno ao grande produtor, com máquinas e tecnologias que aumentam a rentabilidade”. E acredita em bons resultados. “O produtor que vem tem uma tendência muito grande de sair com um bom negócio”.

Feira também é espaço de formação e planejamento
A presidente do Sindicato Rural de Jataí, Aline Rezende Vilela Gaiardo, reforça o papel estratégico da feira. “A nossa família tem raiz no agro, e a gente faz questão de prestigiar a Tecnoshow todos os anos”.
Para ela, o evento é essencial no planejamento da produção. “O produtor cria expectativa para comprar aqui e iniciar a safra com base no que encontra na feira”.

Mesmo reconhecendo as dificuldades, ela defende equilíbrio. “Não estamos em um dos melhores momentos do agro, mas não podemos só reclamar. Precisamos mostrar a importância do agro e o quanto ele está presente em tudo”.
Aline também destaca a difusão de conhecimento. “A Tecnoshow mostra o agro para o mundo e conecta o produtor às novas tecnologias”.
Otimismo moderado diante dos desafios
O agropecuarista Cassio Bellintani Iplinsky, de Rio Verde, avalia o evento como fundamental. “A feira é excepcional, traz tecnologia, conhecimento e reforça o que o produtor faz na região e no Brasil”.
Ele ressalta o contato com empresas. “É um momento de contato direto com parceiros e de troca de experiências entre prática e tecnologia”.

Sobre o cenário econômico, ele reconhece os desafios, mas mantém otimismo. “Estamos vivendo juros altos, preços baixos de commodities e instabilidade global, mas isso não é motivo para desencorajar”. E conclui: “Temos que acreditar no potencial do agronegócio e seguir com os pés no chão”.
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