A 23ª edição da Tecnoshow Comigo, realizada em Rio Verde, com o tema O Agro Conecta, reúne tecnologias voltadas ao agronegócio, mas ocorre em um momento de cautela entre lideranças do setor. O presidente do Conselho de Administração da Comigo, Antônio Chavaglia, assim como expositores e produtores, avalia que o cenário econômico — marcado por juros elevados, custos altos e incertezas externas — pode limitar resultados mais expressivos em negócios durante a feira.

Apesar da vitrine tecnológica e das expectativas positivas, o clima entre produtores é de prudência diante de margens apertadas e do crédito mais caro.

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Grande movimentação de visitantes | Foto: Johnny Augusto

Tecnologia em alta, investimentos sob pressão

O evento apresenta uma ampla gama de soluções, incluindo máquinas, sementes e insumos químicos, consolidando-se como uma vitrine de inovação no campo. Ainda assim, segundo Antônio Chavaglia, o comportamento do produtor tem sido mais conservador. “O cenário atual, marcado por juros elevados e margens reduzidas, tem levado produtores a adotarem uma postura mais cautelosa”, afirmou.

De acordo com ele, a prioridade tem sido a manutenção de equipamentos já existentes. “Máquina estamos vendendo menos, mas peça estamos vendendo mais”, destacou. O presidente também chamou atenção para o impacto do crédito no setor. “O juro não é compatível com a renda que o produtor está tendo”, completou.

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Antônio Chavaglia | Foto: Johnny Augusto

Custos e cenário externo ampliam incertezas

Além das condições financeiras, fatores externos ampliam o ambiente de incerteza. “O óleo diesel já está impactando muito, o transporte subiu e o custo de produção também”, afirmou. Ele também citou riscos relacionados ao mercado internacional. “As incertezas sobre exportações, especialmente de milho, ampliam o risco no setor”.

Mesmo diante desse cenário, que inclui conflitos internacionais e instabilidade econômica, a Tecnoshow segue como um importante espaço de negócios e difusão tecnológica, reunindo cerca de 700 expositores. A organização, segundo Chavaglia, prioriza a qualidade do evento. “O objetivo da feira não é lucro, mas dar condições para o produtor viabilizar bons negócios”, destacou.

Produtores mantêm “pé no freio”

Entre os produtores, a cautela também predomina. O pecuarista Antônio César Alves, de Jandaia, afirma que a feira continua sendo relevante, mas o momento exige prudência. “Quando tem dinheiro e perspectiva de crescimento, é um bom negócio. Eu já comprei carro aqui várias vezes, já comprei boi reprodutor também”.

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Antônio César Alves | Foto: Johnny Augusto

No entanto, ele ressalta as dificuldades atuais. “Hoje está todo mundo com o pé no freio, porque os juros estão altíssimos. Você pega um dinheiro e ele vira uma bola de neve”.

Antônio César aponta impactos de fatores externos. “Tem três coisas ruins esse ano: guerra, política e Copa do Mundo. Para nós, que não ganhamos nada com isso, está muito ruim”. E reforça o peso dos custos no dia a dia. “O óleo está cada dia mais caro, e no campo tudo depende disso. É um ano de muita cautela e pouco investimento”.

O produtor de soja e milho Sandro Gomes Dias, da região de Acreúna, compartilha da mesma percepção. “O produtor está com o pé no chão, está com medo de investir, porque o cenário não está bom e as commodities não têm preço atrativo”.

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Sandro Gomes Dias e os filhos | Foto: Johnny Augusto

Segundo ele, o aumento dos custos compromete a rentabilidade. “Fertilizante caro, petróleo caro, tudo isso impacta no final da conta. Não fecha”. Diante disso, a estratégia tem sido conter despesas. “É um ano de muita pechincha, de trabalhar só com o razoável, no limite mesmo”.

Empresas apostam em bons negócios

Do lado empresarial, a expectativa é mais otimista, embora reconheça os desafios. Representante da Iguaçu Máquinas, Marcelo Gavinho avalia que a feira mantém sua força. “A Tecnoshow é uma feira que nunca decepciona, sempre nos surpreende em vendas”.

Ele destaca o potencial da região. “Estamos em uma região muito abençoada, com produtores capitalizados que investem conforme a necessidade”.

Gavinho também enfatiza a oferta tecnológica. “Temos um portfólio completo, que atende do pequeno ao grande produtor, com máquinas e tecnologias que aumentam a rentabilidade”. E acredita em bons resultados. “O produtor que vem tem uma tendência muito grande de sair com um bom negócio”.

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Marcelo Gavinho | Foto: Johnny Augusto

Feira também é espaço de formação e planejamento

A presidente do Sindicato Rural de Jataí, Aline Rezende Vilela Gaiardo, reforça o papel estratégico da feira. “A nossa família tem raiz no agro, e a gente faz questão de prestigiar a Tecnoshow todos os anos”.

Para ela, o evento é essencial no planejamento da produção. “O produtor cria expectativa para comprar aqui e iniciar a safra com base no que encontra na feira”.

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Aline Rezende Vilela Gaiardo ao lado do pai, da mãe e do filho | Foto: Cilas Gontijo/Jornal Opção

Mesmo reconhecendo as dificuldades, ela defende equilíbrio. “Não estamos em um dos melhores momentos do agro, mas não podemos só reclamar. Precisamos mostrar a importância do agro e o quanto ele está presente em tudo”.

Aline também destaca a difusão de conhecimento. “A Tecnoshow mostra o agro para o mundo e conecta o produtor às novas tecnologias”.

Otimismo moderado diante dos desafios

O agropecuarista Cassio Bellintani Iplinsky, de Rio Verde, avalia o evento como fundamental. “A feira é excepcional, traz tecnologia, conhecimento e reforça o que o produtor faz na região e no Brasil”.

Ele ressalta o contato com empresas. “É um momento de contato direto com parceiros e de troca de experiências entre prática e tecnologia”.

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Cassio Bellintani Iplinsky | Foto: Cilas Gontijo/Jornal Opção

Sobre o cenário econômico, ele reconhece os desafios, mas mantém otimismo. “Estamos vivendo juros altos, preços baixos de commodities e instabilidade global, mas isso não é motivo para desencorajar”. E conclui: “Temos que acreditar no potencial do agronegócio e seguir com os pés no chão”.

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