Advogados deixam os bastidores e entram no radar da disputa eleitoral de 2026 em Goiás
25 julho 2026 às 21h00

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A poucas semanas do início oficial da campanha eleitoral de 2026, os bastidores da política goiana já movimentam um grupo que tradicionalmente ocupa espaço de destaque na vida pública: os advogados. Com forte presença em órgãos públicos, tribunais, universidades e entidades de classe, profissionais do Direito voltam a ser vistos como potenciais candidatos para disputar vagas na Assembleia Legislativa, na Câmara dos Deputados e até no Senado.
Embora a maioria ainda evite confirmar qualquer projeto eleitoral, lideranças partidárias, dirigentes políticos e fontes ligadas às articulações da pré-campanha apontam que diversos advogados de renome têm sido procurados por partidos ou participam de conversas sobre uma possível candidatura.
A aposta não é novidade. Advogados costumam reunir características valorizadas pelas legendas: domínio da legislação, experiência na administração pública, facilidade de comunicação e ampla rede de relacionamentos construída ao longo da carreira. Em Goiás, historicamente, vários nomes oriundos da advocacia migraram para a política e ocuparam cargos no Executivo, no Legislativo e no Judiciário.
Thales Jayme

Um dos nomes que reúne maior capital institucional na advocacia goiana é o de Thales José Jayme, atual vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO). No momento, ele pode ser suplente do pré-candidato ao Senado, Zacharias Calil.
Thales é criminalista, especialista em Direito Penal, Processo Penal e Direito Constitucional, com pós-graduação em Direito Civil e Processo Civil, ele acumula mais de três décadas de atuação na entidade e é considerado uma das principais lideranças da advocacia no Estado.
A trajetória de Thales na OAB-GO começou ainda na década de 1990. Ele foi conselheiro seccional, secretário-geral por dois mandatos, conselheiro federal da Ordem e ocupa a vice-presidência da seccional desde 2016, tendo sido reconduzido ao cargo em sucessivas gestões.
Em diferentes ocasiões, também assumiu interinamente a Presidência da OAB-GO durante afastamentos temporários do presidente Rafael Lara Martins, o que ampliou sua projeção institucional. Fora da Ordem, Thales Jayme também exerceu funções na administração pública. Entre 2011 e 2013, foi superintendente executivo da então Secretaria de Segurança Pública e Justiça de Goiás (SSPJ-GO).
A combinação entre experiência na advocacia, atuação na gestão pública e presença em uma das principais entidades representativas do Estado faz com que seu nome seja frequentemente citado nos bastidores políticos quando se discutem possíveis candidaturas oriundas da classe jurídica.
Ao Jornal Opção, Thales Jayme confirmou que aceitou o pedido de Zacharias Calil para ser suplente. Segundo ele, a proposta foi feita há cerca de dois anos e a decisão de aceitar o desafio foi motivada tanto por sua trajetória na advocacia quanto pela expectativa de que a próxima legislatura do Senado terá papel decisivo diante da renovação de dois terços das cadeiras da Casa.
De acordo com Thales, o convite partiu do próprio Zacharias após uma consulta sobre possíveis nomes para compor a chapa. “O Zacharias me fez esse convite tem mais ou menos dois anos. Ele disse que tinha interesse em ser candidato ao Senado, fez uma pesquisa com cinco nomes e o meu havia saído em primeiro lugar. Perguntou se eu aceitaria esse desafio com ele”, afirmou.
Embora tenha histórico familiar ligado à política, Thales destacou que nunca disputou uma eleição partidária. Ele lembrou que seu pai foi deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa de Goiás, além de citar outros familiares que exerceram mandatos políticos.
Também recordou que, durante o governo de Marconi Perillo, atuou na Secretaria de Segurança Pública e chegou a receber um convite para concorrer a deputado estadual, mas recusou a proposta na época. “Eu estava mais focado na advocacia. Agora aceitei esse desafio porque acredito que o Senado, com essa renovação de dois terços, terá uma das pautas mais importantes de sua história e uma responsabilidade muito grande com a sociedade brasileira”, disse.
Na avaliação do advogado, Goiás possui tradição de eleger representantes de destaque para o Senado. Ele citou nomes como Iris Rezende, Marconi Perillo, Pedro Ludovico, Henrique Santillo, Irapuan Costa Júnior, Wilder Morais, Emival Caiado, Ronaldo Caiado e Maguito Vilela como exemplos de políticos que passaram pela Casa.
Caso a candidatura seja confirmada e a chapa eleita, Thales afirma que pretende representar a advocacia goiana no Congresso Nacional. “Espero poder representar a advocacia de Goiás no Senado Federal, como tenho procurado fazer durante tantos anos na Ordem dos Advogados, sem envergonhar a advocacia e realizando o melhor trabalho possível dentro das minhas limitações”, declarou.
Ao comentar a presença frequente de advogados na política, Thales atribuiu essa característica à própria natureza da profissão. “Parece que nós estamos umbilicalmente ligados, a advocacia e o mundo político. O advogado tem uma ligação muito próxima com o seu constituinte e o representa justamente nos momentos mais delicados da vida. Isso acaba criando uma relação de confiança semelhante àquela depositada nos representantes eleitos”, afirmou.
Segundo ele, essa proximidade explica o elevado número de advogados que ocupam cargos eletivos em câmaras municipais, assembleias legislativas, Câmara dos Deputados e Senado. Questionado sobre quais características da sua atuação profissional poderiam contribuir para um eventual mandato parlamentar, Thales destacou a experiência acumulada em quase quatro décadas de advocacia, especialmente nas áreas criminal e constitucional.
“Acho que posso dar uma contribuição não só a Goiás, mas também ao Senado com a experiência que adquiri ao longo de quase 40 anos na advocacia, de muito estudo e dedicação”, afirmou. Ele também defendeu a participação de advogados que exercem efetivamente a profissão na formulação das leis.
“Uma coisa é ser formado em Direito; outra é ser advogado militante, que está diariamente estudando e acompanhando as mudanças da legislação. Vejo com muito bons olhos a participação desses profissionais na Câmara e no Senado”, disse.
Para participar do processo eleitoral, Thales informou que se licenciou preventivamente da vice-presidência da OAB-GO antes mesmo de uma definição do Conselho Federal da entidade sobre a necessidade de renúncia ou apenas de afastamento temporário.
“Fiz a opção pelo licenciamento antes da decisão do Conselho Federal para evitar qualquer prejuízo. Hoje a questão está pacificada: o entendimento é de que basta o licenciamento, não é necessário renunciar ao cargo”, explicou. Segundo ele, caso não seja eleito, poderá reassumir normalmente a vice-presidência da seccional goiana.
“Não sendo eleito, posso retornar para a vice-presidência da Ordem. Não há nenhum óbice para isso”, afirmou. Sobre a posição da Ordem dos Advogados do Brasil em relação à participação de seus integrantes na política, Thales disse que a entidade espera que os advogados que optarem por disputar eleições representem adequadamente os princípios institucionais da advocacia.
“A Ordem espera que esses advogados defendam aquilo que está previsto no Estatuto da OAB e, principalmente, aquilo que a sociedade brasileira espera de nós. Tenho conversado com colegas de vários estados e vejo profissionais extremamente preparados, com grandes possibilidades de serem eleitos e de contribuir para o Poder Legislativo”, concluiu.
Iure Castro

Outro nome que passou a ocupar espaço nas articulações para 2026 é o do advogado Iure de Castro, procurador da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) e atual presidente estadual do Cidadania. Aos 41 anos, ele construiu carreira no serviço público e na advocacia, tendo sido o mais jovem procurador-geral da história do Legislativo goiano e, atualmente, exercendo a função de subprocurador-geral da Casa.
Especialista em Direito Público, Empresarial e Tributário, também é sócio-fundador do escritório Castro, Alarcão e Passos Advogados. Nos últimos meses, Iure ganhou projeção no cenário político ao assumir o comando do Cidadania em Goiás, movimento interpretado por analistas como um passo para fortalecer a legenda visando às eleições de 2026.
Nos bastidores, seu nome é apontado como possível candidato ao Senado Federal, hipótese que vem sendo debatida desde 2025, embora o projeto ainda dependa das articulações partidárias e da definição das alianças estaduais. Com trajetória marcada pela atuação jurídica e pela passagem por cargos estratégicos na Alego, Iure reúne interlocução com representantes da advocacia, do Poder Judiciário, do Ministério Público, do setor empresarial e de lideranças políticas.
Essa combinação de experiência técnica e inserção institucional faz com que seja apontado como um dos nomes da nova geração da advocacia goiana com potencial para disputar cargos majoritários nas próximas eleições. Ao Jornal Opção, Iure Castro já havia avaliado que a fragmentação entre partidos de centro-esquerda e esquerda enfraquece eleitoralmente o grupo e impede o debate sobre temas estratégicos para o Estado e o país.
Segundo Iure, ao assumir o comando do Cidadania encontrou um campo progressista desarticulado e excessivamente reativo. Para ele, a prioridade é aproximar as legendas para apresentar um projeto comum aos eleitores. “Tenho conversado com todos os partidos para que a gente construa uma condição de união e consiga apresentar o que é o campo progressista, qual é a nossa tarefa e qual é o nosso desafio”, afirmou.
Na avaliação do dirigente, a polarização política desvia a atenção dos problemas estruturais do país. Ele criticou a atuação da extrema direita, que, segundo disse, ocupa espaço no debate público sem apresentar propostas concretas. “O mundo está discutindo inteligência artificial, mobilidade urbana, robótica e escola integral. O Brasil cria consumidores de tecnologia, quando deveria formar produtores de tecnologia”, afirmou.
Iure também defendeu que a política esteja voltada para resultados concretos. “Nossa missão é cuidar do goiano, da goiana, do brasileiro. Ponto final”, resumiu. Recém-chegado à política partidária, Iure destacou que nunca havia sido filiado nem disputado eleições antes de assumir a presidência do Cidadania em Goiás. Segundo ele, a legenda busca ocupar um espaço de moderação.
“É um partido social-democrata que tem como centro o brasileiro. Não quero apresentar propostas que aprofundem divisões, mas que promovam união”, afirmou. Para ilustrar sua posição, recorreu a uma metáfora: “Arroz é bom. Com feijão fica melhor. Por que não posso me alimentar politicamente de boas ideias da esquerda e da direita?”.
O dirigente também afirmou que pretende ampliar a participação feminina dentro da legenda. Segundo ele, o partido pretende formar chapas proporcionais com equilíbrio de gênero e até maioria de mulheres. “Não adianta imaginar que os homens vão pensar as pautas femininas com o olhar das mulheres. Dar voz às mulheres no Parlamento é dar voz à sociedade.”
Pré-candidato ao Senado, Iure afirma que sua candidatura está baseada na formação técnica e na experiência profissional. “O Senado é a mais alta Casa do Poder Legislativo. Precisamos colocar pessoas preparadas para pensar políticas públicas estruturantes, e não apenas fazer discursos de ocasião”, disse.
Embora tenha sido lembrado para disputar o governo estadual, ele afirmou que sua prioridade permanece sendo o Senado. “Fiquei feliz com o aceno, mas meu desejo é disputar uma vaga no Senado com o apoio de todo o campo progressista.” Ele também descartou, ao menos por enquanto, uma candidatura à Câmara dos Deputados.
Ao comentar a sucessão estadual, Iure defendeu que o campo progressista construa um nome consensual para disputar o Palácio das Esmeraldas e garantir um palanque ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Goiás. Segundo ele, embora o protagonismo natural seja do PT, os demais partidos aliados têm participado das discussões.
Iure também alertou que a falta de unidade pode levar parte do eleitorado progressista a migrar para candidaturas de outros campos políticos. Entre as propostas defendidas pelo pré-candidato estão a federalização de escolas municipais, a ampliação do ensino de inteligência artificial e robótica e mudanças nos programas sociais, com foco na qualificação profissional.
“O ensino público federal é o melhor que existe. Precisamos investir nesse modelo”, afirmou. Ele defende que programas de transferência de renda sejam acompanhados por políticas que incentivem a autonomia econômica dos beneficiários.
Ao lembrar sua trajetória, da infância em família beneficiária do Bolsa Família até tornar-se advogado e procurador, afirmou que políticas públicas devem combinar proteção social e oportunidades de ascensão. “É preciso garantir o mínimo para viver, mas também criar condições para que as pessoas deixem de depender do Estado. A educação é o único caminho de transformação do Brasil.”
Iure também defendeu maior participação de jovens e mulheres na política e afirmou que pretende priorizar novos quadros na formação das chapas do Cidadania. Segundo ele, a escolha de Luiz Fernando para presidir o diretório municipal do partido em Anápolis simboliza essa estratégia.
“Se eu puder ter jovens presidindo os diretórios nos 246 municípios goianos, eu terei.” Na avaliação do dirigente, a juventude brasileira busca mais do que estabilidade no mercado de trabalho. “O jovem quer empreender, discutir tecnologia, mobilidade urbana e qualidade de vida. Para isso, o Estado precisa investir em formação.”
Ao relembrar sua origem humilde, Iure disse que pretende estimular outras pessoas a ingressarem na política. “Venho de uma família de analfabetos, filho de Bolsa Família, e consegui chegar até aqui. Quero mostrar que o filho do pobre também pode disputar uma eleição majoritária sem sobrenome político.”
Por fim, o dirigente criticou a forma como as emendas parlamentares são distribuídas e defendeu critérios técnicos e transparentes para sua aplicação, além de mecanismos mais amplos de participação popular na definição de prioridades do poder público.
Vilmar Rocha

Entre os advogados de maior projeção na política goiana está Vilmar Rocha, professor, advogado, escritor e um dos quadros mais experientes do Estado. Formado em Direito pela Universidade Federal de Goiás (UFG), leciona na Faculdade de Direito da instituição desde 1978 e também passou pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás).
Ao longo da carreira, construiu trajetória que combina atuação acadêmica, produção intelectual e vida pública. Vilmar exerceu dois mandatos como deputado estadual e cinco como deputado federal por Goiás. Também ocupou cargos estratégicos nos governos de Marconi Perillo, entre eles o de secretário-chefe da Casa Civil e o de secretário de Meio Ambiente, Recursos Hídricos, Infraestrutura, Cidades e Assuntos Metropolitanos.
É fundador do PSD e participou da construção nacional da legenda ao lado de Gilberto Kassab, além de já ter presidido o partido em Goiás. Vilmar Rocha continua sendo lembrado nas análises sobre a sucessão estadual de 2026. Nos bastidores, seu nome é citado como um possível postulante ao Senado Federal, cargo que já disputou anteriormente.
A experiência acumulada no Legislativo, no Executivo e na advocacia faz com que permaneça como uma das principais referências da classe jurídica quando o assunto é participação na política goiana. No entanto, ele afirmou ao Jornal Opção que retirou seu nome como pré-candidato.
À reportagem, Vilmar afirmou que decidiu não manter a pré-candidatura diante da atual configuração do cenário político, que, segundo ele, já reúne vários nomes ligados à base governista. Apesar de desistir da corrida ao Senado, o ex-deputado ainda não informou qual papel deverá desempenhar nas eleições deste ano.
Darô Fernandes

Outro advogado que aparece nas articulações políticas é Jaroslaw Daroszewski Fernandes, conhecido como Darô Fernandes. Formado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás), com especialização em Direito Agrário e Direito Constitucional, ele atua na advocacia privada, é professor e palestrante, além de presidir a Comissão de Direito Empresarial do Consumo da OAB-GO.
À frente do escritório Daroszewski Advocacia, consolidou atuação nas áreas de Direito de Família, Sucessões, Direito Civil e Agrário. Darô também acumula experiência na política. Oriundo do movimento estudantil da PUC Goiás, foi assessor jurídico do então deputado estadual Wagner Camargo Neto e ganhou maior visibilidade em 2024, quando foi escolhido pelo Mobiliza para compor, como candidato a vice-prefeito, a chapa encabeçada por Rogério Cruz na disputa pela Prefeitura de Goiânia.
A participação na eleição ampliou sua projeção no cenário político estadual e fortaleceu sua interlocução com diferentes grupos partidários. Nos bastidores da sucessão de 2026, o nome de Darô Fernandes volta a ser citado como um dos advogados que podem disputar cargo eletivo.
Interlocutores políticos apontam que ele mantém diálogo com lideranças partidárias e é visto como um quadro em ascensão, reunindo experiência na advocacia, atuação institucional na OAB e passagem recente por uma campanha majoritária.
Integrante do Solidariedade, partido para o qual se transferiu após passar pelo Mobiliza, o pré-candidato a deputado estadual avalia que o pleito anterior lhe rendeu bagagem e maturidade política para colocar seu nome à disposição do eleitorado goiano. Em entrevista ao Jornal Opção, Fernandes relembrou a rotina intensa vivida durante os 45 dias de campanha e pré-campanha em 2024, classificando o saldo como um avanço pessoal na vida pública.
“Foi uma campanha muito difícil, mas uma campanha de aprendizado. Existe vitória eleitoral e vitória política. Para mim foi uma vitória política, porque eu saí dos bastidores do meio político, advogando para políticos e pessoas de um modo geral, e me coloco à disposição como candidato em uma eleição majoritária. Foram mais de cem reuniões que nós fizemos entre o elétrico, minitrio e a pé em todos os cantos da cidade”, destacou.
Com mais de 10 anos de dedicação exclusiva à advocacia, Darô Fernandes atua também no meio acadêmico e associativo, tendo sido presidente do Centro Acadêmico Clóvis Beviláqua (CACB) e membro do DCE da PUC Goiás. Licenciado da presidência da Comissão Especial de Direito Empresarial do Consumo da OAB-GO para a disputa eleitoral, ele argumenta que sua vivência no Direito servirá de baliza para o trabalho legislativo, com foco no que a Constituição Estadual realmente permite.
Ao pontuar a atuação parlamentar no âmbito do consumidor, o pré-candidato citou leis estaduais já consolidadas em Goiás, como a Lei do Troco e regulamentações de rotulagem e sódio, como exemplos de iniciativas concorrentes viáveis. “Temos que trabalhar dentro da realidade. Não adianta prometer aquilo que é impossível de fazer, demandas que não são nossas, como prometer asfaltar uma rodovia federal, de onde vão recursos da União. A Ordem me trouxe muito isso”, explicou o advogado.
Entre as principais bandeiras apresentadas por Fernandes está a busca por uma representatividade direta para a capital dentro da Alego. Na avaliação dele, a Assembleia possui parlamentares representativos de diversas regiões, mas falta um nome focado centralmente nas demandas de Goiânia e sua região metropolitana.
Para o município, o pré-candidato propõe a destinação de emendas impositivas e a articulação com o Poder Executivo para áreas como infraestrutura, citando a necessidade de melhorias no trânsito e na GO-070, e saúde pública. Nesse aspecto, enfatiza o crescimento de demandas ligadas à saúde mental.
“Vejo as pessoas muito carentes disso. O tempo todo ao celular, isso é um problema de saúde mental. Defendo a gente criar, de fato, um hospital regional psiquiátrico para cuidar disso”, apontou. Questionado sobre a presença frequente de profissionais do Direito na política e no Legislativo, Darô Fernandes ponderou que a formação jurídica auxilia na elaboração e interpretação técnica de leis (hermenêutica), mas criticou a falta de engajamento direto desses quadros em favor da própria categoria.
“Se você for pegar os parlamentares da Câmara Municipal, da Alego e da Câmara Federal, um terço ou um quarto vem do Direito, seja da advocacia, Ministério Público ou magistratura. Sempre foi assim. Só que eu vejo que eles não levam pautas para as suas classes, não defendem com veemência o Direito”, afirmou.
Além de defender a advocacia e os profissionais liberais no Parlamento, o pré-candidato reforça seu perfil alinhado a pautas tradicionais, declarando-se contrário ao aborto e à proliferação de jogos de azar e casas de apostas (bets).
Waldemir Malaquias

Entre os nomes que começam a ser observados nas articulações para as eleições de 2026 está o do advogado Waldemir Malaquias da Silva. Natural de Uberlândia (MG) e radicado em Goiás, ele atua há cerca de 15 anos como advogado e professor universitário, com especialização em Processo Civil e atuação concentrada na área do Direito Criminal.
Além da advocacia privada, construiu trajetória no ensino jurídico, o que lhe conferiu inserção em diferentes segmentos da comunidade acadêmica e da classe dos advogados. Nos bastidores da política goiana, o nome de Waldemir Malaquias tem sido mencionado como possível candidato a deputado estadual em 2026.
Até o momento, porém, não há anúncio público de filiação partidária nem de lançamento oficial de pré-candidatura. Interlocutores ouvidos pelo Jornal Opção afirmam que o advogado tem participado de conversas políticas e apresentado seu currículo a lideranças partidárias, mas as tratativas ainda permanecem em fase inicial. Embora mantenha perfil mais discreto no cenário político, Waldemir reúne atributos considerados estratégicos pelos partidos, como experiência na advocacia, atuação acadêmica e relacionamento com o meio jurídico.
Caso confirme a entrada na disputa eleitoral, integrará o grupo de advogados que buscam transformar a experiência técnica na área do Direito em capital político para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa de Goiás. A reportagem tentou contato com Waldemir, mas as ligações não foram atendidas.
Aldo Arantes

Um dos nomes mais experientes da advocacia e da política goiana é Aldo Arantes. Advogado, escritor e ex-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), ele iniciou sua trajetória pública no movimento estudantil, tornou-se uma das principais lideranças da resistência à ditadura militar e, posteriormente, exerceu quatro mandatos como deputado federal por Goiás.
Também participou da Assembleia Nacional Constituinte de 1987-1988, contribuindo para a elaboração da Constituição Federal. Filiado ao PCdoB há mais de cinco décadas, Aldo é considerado uma das principais referências históricas da esquerda goiana.
Além da atuação parlamentar, construiu carreira como advogado e intelectual, é mestre pela Universidade de Brasília (UnB) e autor de livros voltados à análise da política brasileira e das disputas ideológicas contemporâneas. Sua trajetória reúne experiência no Parlamento, na advocacia e na produção acadêmica, o que mantém seu nome em evidência nos debates políticos do Estado.
Em 2026, Aldo Arantes voltou ao centro das articulações eleitorais ao confirmar sua pré-candidatura ao Senado pela federação formada por PT, PCdoB e PV. Aos 87 anos, ele afirma que pretende representar a esquerda goiana na disputa e sustenta que sua experiência política e jurídica pode contribuir para o debate nacional. A candidatura, entretanto, ainda depende da consolidação da chapa majoritária da federação e das definições finais das alianças partidárias em Goiás.
Em entrevista ao Jornal Opção, o pré-candidato ao Senado Federal detalhou os motivos de seu retorno à política partidária, enfatizando a necessidade de contrapor o avanço de pautas reacionárias e o negacionismo no estado. Afastado por um período da disputa eleitoral para se dedicar aos estudos acadêmicos e à produção literária, com mais de 14 livros publicados, Arantes aponta que o cenário político atual exigiu seu retorno à linha de frente.
“O que me motivou foi o avanço do fascismo e da extrema-direita em Goiás. Eu acho que nós estamos vivendo um período difícil aqui com o crescimento desses setores altamente reacionários e negacionistas, que nega a ciência, nega a história, nega a verdade dos fatos”, pontua o pré-candidato.
Para ele, o pleito deve servir para elevar o nível do debate econômico e social, resgatando a importância da intervenção estatal. Segundo Arantes, a extrema-direita ataca o papel regulador e impulsionador do Estado:
“O Estado não só cumpre esse papel de estímulo ao desenvolvimento, como também ele é fundamental pra estabelecer um equilíbrio social. Sem o Estado, o capital vem no sentido de aumentar o lucro e arrebenta com os interesses da maioria da sociedade, sobretudo dos trabalhadores.”

O objetivo de sua candidatura, segundo resume, é colaborar para ampliar a votação do presidente Lula em Goiás e eleger parlamentares progressistas. Além de sua atuação política pregressa, Arantes destaca seubras literárias recentes, como o livro de memórias que aborda desde o Centro Popular de Cultura (CPC) da UNE e os anos de prisão e tortura até sua fase parlamentar.
Ele também é autor de Domínio das Mentes: O Golpe Militar e a Guerra Cultural, obra em que analisa a ascensão da extrema-direita global e nacional por meio do controle das redes sociais. Atualmente coordenador da Associação dos Advogados e Advogadas pela Democracia, Justiça e Cidadania (ABJD), Arantes reforça que sua especialização em Direito Constitucional e sua produção sobre os ataques à Constituição de 1988 dão subsídios para uma atuação parlamentar sólida.
Contudo, ele pondera que a formação jurídica por si só não basta sem uma diretriz ideológica clara: “Eu acho que é [um diferencial]. Mas, na minha opinião, a questão mais fundamental é a fundamentação político-ideológica. É de que lado que a pessoa está. Porque se for um jurista altamente conservador e reacionário, não resolve.”
Como exemplo de base jurídica combinada com uma visão progressista, ele cita a trajetória do atual ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, ressaltando a importância de focar em direitos sociais, trabalhistas e na defesa de minorias.
Questionado sobre as articulações partidárias e as negociações dentro da Federação para a composição das chapas rumo às convenções, Aldo Arantes admitiu que as tratativas locais enfrentam impasses: “Não se conseguiu chegar a um acordo aqui. Eu acho que essa questão vai ser levada pra Federação Nacional tomar uma decisão em última instância.”



Advogados com mandato
A presença da advocacia na política goiana não se limita aos nomes que articulam uma candidatura para 2026. A profissão já tem representação consolidada nos parlamentos municipal, estadual e federal, com advogados exercendo mandatos e participando diretamente da elaboração de leis, da fiscalização do Poder Executivo e dos debates sobre políticas públicas.
Na Câmara dos Deputados, a representação é menor. Atualmente, a deputada federal Adriana Accorsi (PT) é formada em Direito e tem trajetória ligada à área jurídica, embora seu registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) esteja cancelado, segundo o CNA da entidade.
Na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), a advocacia possui presença mais significativa. Exercem mandato os deputados Amilton Filho (MDB), Bruno Peixoto (União Brasil), Cairo Salim (MDB), Talles Barreto (União Brasil), Virmondes Cruvinel (União Brasil) e Vivian Naves (Republicanos).
Na Câmara Municipal de Goiânia, o grupo é ainda mais numeroso. São advogados os vereadores Bessa (Mobiliza), Bruno Diniz (MDB), Coronel Urzêda (PL), Henrique Alves (MDB), Igor Franco (Podemos), Lucas Kitão (Mobiliza), Major Vitor Hugo (PL), Oséias Varão (PL), Ronilson Reis (Solidariedade) e Willian Veloso (PL). Também é formado em Direito o vereador Sanches da Federal (PP), cujo registro na OAB encontra-se cancelado, segundo o CNA da Ordem.



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