Sindicato dos Jornalistas de Goiás vai notificar mulher que exigia apoio a Bolsonaro em vaga de estágio

Procurada pelo sindicato, jornalista ameaçou denunciá-los na Polícia Federal

Foto: Reprodução

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de Goiás (Sindjor) encaminhou nota ao Jornal Opção em que informa que irá notificar judicialmente uma usuária do Facebook que ofereceu em um grupo no Facebook uma vaga de estágio em Jornalismo que tinha como exigência apoio ao candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL).

O tesoureiro da atual gestão do sindicato, Cláudio Curado, conta que procurou pela jornalista que oferecia a vaga e recebeu ameças. “Ontem coloquei um pedido no grupo fechado ‘Jornalismo Goiás’ para localizá-la. A própria respondeu com ameaças a minha pessoa, inclusive de que iria a PF me denunciar”, conta.

Ainda segundo Curado, a anunciante é Lorena Ferro de Abreu, jornalista, que foi candidata a vereadora em Palmas, Tocantins, pelo Partido Social Cristão (PSC). O sindicato procurou se a vaga era verdadeira e, de fato, a jornalista tem uma empresa registrada em seu nome na cidade de Porto Nacional-TO.

Cláudio Curado | Divulgação

No anúncio, que já foi excluído do grupo, Lorena dizia que se tratava de uma vaga de estágio nas áreas de “jornalismo investigativo e publicidade-vendas” para lançamento de um jornal. No fim do post, ela exigia que a pessoa fosse “#EleSim”, hashtag usada por apoiadores do candidato do PSL.

A anunciante foi, então, procurada pelo sindicato, que, por meio de Cláudio Curado, alertou que, na proposta, faltavam algumas informações, como a carga horária. Curado conta que também disse a ela que a exigência de apoio a qualquer candidato era irregular. “O Sindicato aproveita para alertar que nenhuma vaga de emprego ou estágio pode exigir alinhamento político a nenhum candidato, seja de centro-esquerda ou extrema-direita como os atuais postulantes à Presidência da República”, acrescenta.

Segundo o representante do Sindjor, a jornalista respondeu a ele dizendo que iria denunciar o tesoureiro para a Polícia Federal. O sindicato, por sua vez, disse que vai levar o caso adiante e que a assessoria jurídica preparou notificação para ser entregue à anunciante.

Em resposta ao Jornal Opção, a jornalista identificada pelo sindicato defendeu que tem o direito de contratar quem bem entender. “Quem está pagando sou eu. […] Façam um jornal para eles, então. Meus apoiadores são do lado da verdade, sem fins lucrativos. Mais respeito a mim. Povo chato. Verdade não é discurso de ódio. Nossos princípios não são negociáveis”, disse.

“As matérias são produzidas com resumo de informações oficiais e pela voz do povo brasileiro, sem distinção de raça ou religião. Não somos bancados por políticos e sim pelo povo que paga contas e tributos públicos. Eu não ofereço trabalho para quem me olha com preconceito e intolerância política”, completou.

Confira nota do sindicato na íntegra:

Ontem coloquei um pedido no grupo fechado – Jornalismo Goiás – para localizá-la. A própria respondeu com ameaças a minha pessoa, inclusive de que iria a PF me denunciar (!) A jornalista Lorena Ferro de Abreu existe. Tem empresa em nome dela registrada na cidade de Porto Nacional-TO. Foi candidata a vereadora na cidade de Palmas pelo PSC. O post exigia que o “candidato” ao estágio fosse apoiador de Bolsonaro. Troquei mensagens com ela alertando que na proposta faltava informações como a carga horária( para estágio são 4 horas, 5 dias da semana) além de ser irregular veicular a vaga a apoiar um candidato, independente de quem seja. O Sindicato aproveita para alertar que nenhuma vaga de emprego ou estágio pode exigir alinhamento político a nenhum candidato, seja de centro-esquerda ou extrema-direita como os atuais postulantes a presidência da república. O sindicato dos Jornalistas está acompanhando e vai levar adiante, caso ela insista com a exigência. A assessoria jurídica já preparou uma notificação a ser entregue a ela sobre o assunto.

SindJor-GO

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