Servidores da Comurg lotam plenário da Câmara contra projeto que prevê terceirização de serviços

Mais de 1.000 funcionários se posicionaram contrários à matéria, de autoria do Paço Municipal. Oposição e até aliados do prefeito se disseram contrários ao teor da proposta, que segundo argumentam, tem de ser amplamente debatida com os envolvidos

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Protesto de funcionários da Comurg lotou na manhã desta terça-feira (16/9) o plenário da Câmara de Vereadores de Goiânia, impossibilitando a realização da audiência pública marcada pelo vereador Elias Vaz (PSB) que pretende discutir o projeto de lei de autoria do Paço Municipal que reajusta as alíquotas de IPTU e ITU da capital. Marcada para as 10h, a audiência ficou para as 8h30 de quarta-feira (17). A confirmação do adiamento se deu após negociações com os representantes de setores envolvidos e também com o secretário de Finanças do município, Jeovalter Correa.

Os servidores, visivelmente mais de 1.000, não couberam no plenário e se espalharam pelos corredores e a entrada da Casa. A categoria protesta contra outro projeto de lei, também de autoria do prefeito Paulo Garcia (PT), que chegou à Câmara no final da tarde da última segunda-feira (15) e que prevê a possibilidade de terceirizações de serviços próprios da Comurg, como gestão de cemitérios e feiras; gestão, processamento e reciclagem de resíduos sólidos; iluminação pública; limpeza urbana; mobiliário urbano; saneamento básico; serviços funerários; compartilhamento de bicicletas, veículos automotores, elétricos ou à combustão.

*Atualizada:

Secretário da Casa Civil afirma que boato sobre extinção da Comurg foi divulgado para tirar proveito político

Nesta manhã, vários vereadores da oposição usaram a tribuna para criticar o projeto de lei, ao que eram aplaudidos e ovacionados pelos servidores, que embora efetivos, temem perder seus empregos. Segundo o texto, a proposta de lei nº 00339 dispõe “sobre o regime de concessão e permissão da prestação de serviços públicos no município de Goiânia e dá outras providências.”

Dentre os que, de antemão, se disseram contrários a modificações na Comurg que prejudiquem os servidores estão os tucanos Anselmo Pereira e Cristina Lopes, o ex-petista Djalma Araújo (SDD), além do peemedebista Izídio Alves e Paulo Magalhaes (SDD), que embora pertençam à base do prefeito na Casa, reconheceram que a matéria precisa ser debatida profundamente.

Aos jornalistas presentes Izídio, que foi servidor efetivo da Comurg por 30 anos, afirmou que a partir do possível teor da matéria os vereadores deverão propor uma emenda e, até, pedir a Paulo Garcia a retirada da proposta ou de alguns de seus itens. “Temos que colocar uma emenda, ou conversar com o prefeito que retire esse projeto, ou retire esses itens que falam da limpeza urbana de Goiânia”, declarou.

Vereador Izídio Alves (PMDB), que foi servidor efetivo da Comurg por 30 anos, afirmou que a partir do possível teor da matéria os vereadores deverão propor uma emenda e, até, pedir a retirada da proposta ou de alguns de seus itens | Foto: Renan Accioly

Vereador Izídio Alves (PMDB), que foi servidor efetivo da Comurg por 30 anos, afirmou que a partir do possível teor da matéria os vereadores deverão propor uma emenda e, até, pedir a retirada da proposta ou de alguns de seus itens | Foto: Renan Accioly

Questionado se era totalmente contrário à matéria, Izídio Alves disse que, se realmente o objetivo for a terceirização dos serviços da Comurg, aos poucos os servidores serão excluídos dos quadros da pasta, o que prejudicaria em torno de nove mil famílias na capital. “O trabalhador da Comurg não pode ser penalizado por falta de material. Se for dada condição, o servidor da Comurg faz, e faz bem feito”, disse o vereador, emendando que “terceirizar é tirar um pouco de cada um” dos servidores.

O peemedebista, que já foi líder do prefeito na Casa, ponderou que Paulo Garcia não se recusará a debater melhor a matéria. “Como pessoa sensata que ele [prefeito] é, com certeza irá nos ouvir”, amenizou. Questionado se a propositura da matéria a menos de um mês das eleições seria uma tentativa de desviar o foco do pleito, Izídio opinou que, de fato, há na Casa projetos de maior relevância e que precisam ser debatidos com maior urgência. “Acho que foi mandado numa hora inoportuna. Não é hora de discutir esse projeto, tem outros projetos muito mais importantes e interessantes para se fazer à cidade de Goiânia.”

Da tribuna, Djama Araújo disse que a Comurg se tornou “um grande balcão de negociatas” e que as pessoas que fizeram isso deveriam estar presas. O ex-petista, conhecido pelo posicionamento crítico quanto às ações da prefeitura, cutucou o prefeito dizendo que o petista manda somente “lá no Paço, mas não manda aqui [Câmara]”.

Enquanto ocorria o tumulto no plenário por conta da presença em massa dos servidores da Comurg, a líder do prefeito, vereadora Célia Valadão (PMDB), não estava no plenário. A informação, passada pela própria peemedebista, é de que estava organizando uma maneira de realizar a audiência sobre o projeto que reajusta o IPTU e ITU.

Por volta das 11h30, quando já se sabia que a audiência estava remarcada para quarta-feira de manhã, e enquanto os servidores da Comurg permaneciam na Câmara, o secretário de Finanças, Jeovalter Correa, convocou a imprensa para abordar os dois assuntos.

Breve histórico

A Comurg tem sido alvo de diversas ações do Ministério Público de Goiás (MPGO) que versam sobre a existência de funcionários fantasmas ao pagamento de supersalários, além de suspeitas de superfaturamento em licitações que levou à atual crise da pasta, com alguns servidores sem os devidos materiais de trabalho, como vem sendo divulgado recorrentemente pela imprensa local. O presidente da companhia encontra-se afastado do cargo por determinação da Justiça, sendo que seus bens estão bloqueados. Atualmente a gestão se dá com o presidente interino Ormando José Pires Júnior. No início de julho o prefeito Paulo Garcia (PT) anunciou uma reestruturação na Companhia e classificou a situação dos supersalários de “amoral”, embora tenha argumentado que não houve irregularidades nos pagamentos.

Uma resposta para “Servidores da Comurg lotam plenário da Câmara contra projeto que prevê terceirização de serviços”

  1. Ivan rodrigues dos santos disse:

    Tem q noticiar tbm,q o tucano quebrou nosso Goiás!!! Sem segurança sem educação sem saúde i muito mais!!!!!

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