Reta final da campanha em Goiás expõe disputa entre modernidade e atraso

Ricardo de Sousa Correia

Nos dias atuais, o cenário político tem apresentado, nas eleições deste ano, não só localmente, como também em nível nacional, candidatos que não conseguem aglutinar em torno de si pessoas, pensadores, articuladores, inovadores, desenvolvedores de ideias e programas voltados ao bem estar e a dignificação da sociedade.

Governos de um só são governos autocráticos, concentradores, de visão estreita, mesmo que em determinadas áreas detenham algum conhecimento aprofundado. É notório, quando se tem apenas um pensador, com exceção absoluta dos grandes gênios, que as visões e os planos decorrentes desse pensador em monólogo estão fadados a uma visão parcial, segmentada e, portanto, incompleta e insuficiente para o mundo moderno.

O mundo hoje é multifacetado, multigênero, amplo em demandas, que vão desde necessidades básicas em populações menos favorecidas, como necessidades de desenvolvimento intelectual daqueles que já tiveram a oportunidade de galgar altas esferas do saber.

Governos autocráticos tendem a esquecer aspectos mais sutis das necessidades humanas, tais como: artes, sensibilidade para o meio ambiente, especialização científica, difusão tecnológica, compreensão das variantes do mundo, e, não menos importante, compreensão do que se passa no âmago e na alma das pessoas.

Quando olhamos a postura das candidaturas e olhamos também o passado recente, verificamos quais são os políticos que agora se colocam candidatos e que têm dificuldade de reter ao seu lado pessoas com os mais diversos valores, das mais variadas áreas, com experiência profissional, preparo e capacidade de gestão. Administração não se resume em gerenciar as finanças públicas ou as demandas sociais.

Fazer gestão na atualidade é muito mais convencer as pessoas de um propósito comum, para o bem de todos, e isso só se consegue com capacidade de aglutinação, convergência, de retenção de valores, de agregação da multiplicidade do saber.

A gestão pública não pode, de maneira nenhuma, prescindir dos verbos agregar, convergir, reter, desenvolver, aglutinar pessoas que trabalham em prol do bem comum, ou seja, do bem estar das pessoas. Particularizando para o cenário que se delineia na disputa pelo cargo máximo no Governo de Goiás, observamos que ao longo do tempo denominado “Tempo Novo” sempre houve aglutinação, conquistas de amizades, talentos, portas sempre abertas para mulheres e homens que comungavam, e que ainda comungam, com esse pensamento de convergência para um Estado melhor. De outro lado, em anteposição a esse modo de governar, apresenta-se o candidato da oposição com perfil diametralmente oposto a esta filosofia e modo de enxergar o mundo.

Não é à toa que a cada eleição passam ao seu lado companhias que nas eleições seguintes não mais o seguem. Registram-se, como exemplos, a debandada de vinte e dois prefeitos, em 2002, seguidas de várias outras ao longo dos últimos dezesseis anos.

Não por acaso e, pelo mesmo motivo, não é capaz de manter aliados, perdeu um vice-governador, três deputados estaduais, um deputado federal, um senador, um prefeito, todos em mandato, e sequer conseguiu conduzir a eleição de seus substitutos em nenhuma das eleições dos últimos anos; tampouco para vereadores na capital. Relembre-se que além desses que detinham mandato, também deixaram de seguir o autocrata muitos e muitos companheiros até então leais e compromissados, talvez sensibilizados pela retórica forte e destemida, e hoje não mais, como é o caso deste que vos escreve.

Mas nas guerras do mundo moderno não existem seres mitológicos tal como Aquiles ou Hércules, que aos golpes de espada e força bruta conseguiram sobrepujar os adversários. O que a sociedade de hoje demanda é espírito público, compreensão, compaixão, firmeza sem agressividade, determinação sem arrogância, ideal sem vanglória, ou seja, há de prevalecer no coração dos eleitores de Goiás a percepção de que a serenidade é melhor e muito maior do que a brutalidade.

Mahatma Gandhi venceu a força dos ingleses com a paciência e a humildade de ser esbofeteado. Porém, com firmeza, altivez e elevadíssimo espirito público, libertou o seu povo do jugo do Reino Unido. Zé Eliton tem apresentado aos goianos serenidade, humildade e espirito público, merece o crédito dos nossos votos.

Ricardo de Sousa Correia é engenheiro civil e empresário, ex-vice presidente da CelgD e CelgPar, ex-diretor da CelgTelecom e diretor de obras da Saneago

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