“População espera mais que a política arcaica que atrasou Goiânia durante tanto tempo”

Candidato do PSB critica principal adversário, ex-prefeito Iris Rezende, e garante que irá promover mudanças em todas as áreas da capital

Vanderlan Cardoso durante entrevista ao Jornal Opção no dia 16 de agosto

Vanderlan Cardoso durante entrevista ao Jornal Opção no dia 16 de agosto

Fotos: Fernando Leite

Jornal Opção dá início, nesta quarta-feira (17/8), a divulgação da primeira rodada de entrevistas com todos os candidatos a prefeito de Goiânia. O primeiro é Vanderlan Cardoso (PSB), da coligação Uma Nova Goiânia.

Ex-prefeito de Senador Canedo e empresário, ele afirma que quer ser o melhor prefeito da história da capital. Para tanto, pretende logo no primeiro dia promover mudanças radicais na estrutura e na forma de gerenciar a administração municipal.

Acompanhado do vice, o vereador Thiago Albernaz (PSDB), ele criticou adversários populistas, como Iris Rezende (PMDB) e Delegado Waldir (PR), e garantiu que irá romper com o “modelo ultrapassado” de se fazer política.

Fez questão de destacar que não tem dificuldade em defender o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB) — que, inclusive, será seu grande parceiro caso eleito. Para Vanderlan, ter recebido apoio da base governista não o impede de ter seus próprios projetos — e ele já tem vários.

Alexandre Parrode – Como está a expectativa desse começo de campanha? Como vai ser esse primeiro momento?

Nós estamos há quase um ano na pré-campanha. Fomos o primeiro pré-candidato a colocar o nome e isso nos deu condição de elaborar um bom plano de governo, ouvir a população e saber o que Goiânia está realmente precisando, em todas as regiões. Agora, é dar sequência a esse trabalho. Nós já viemos preparados para esse momento, com essa aliança que foi firmada com o PSDB e mais alguns partidos que compõem a base do governo; e com a indicação do nosso vice, o jovem vereador Thiago Albernaz.

Alexandre Parrode – O sr. fala sobre esses anseios da população. O que o sr. está vendo que está mais latente na população? O que o pessoal tem mais clamado nesse um ano de pré-campanha?

Goiânia vem sendo administrada nos últimos anos sem planejamento e sem ações concretas. Hoje, se você me perguntar qual é a área com maior deficiência, qual nós vamos atacar primeiro, eu vou dizer que temos que atacar em todas as áreas, porque, hoje, Goiânia é uma cidade que está escura e suja; uma cidade em que as praças se acabaram, o mato tomou conta; uma cidade em que as mães não tem creche; oportunidade de emprego; uma cidade que não foi implantada nenhum distrito industrial ou polo de desenvolvimento, nem mesmo na área de vocação da capital, que é o polo de confecções. Então são muitas as deficiências que nossa capital tem. Vamos atacar em todas as áreas.

Alexandre Parrode – Mas colocar isso em prática? Primeiro, a gente vive uma crise em todos os entes federativos, até mesmo o governo federal todo mundo com muita dificuldade financeira. Como o sr. tem visto muita demanda, como resolver isso já no primeiro ano? O que o sr. pretende fazer de imediato, mesmo sem verba?

Não é no primeiro ano, é no primeiro dia. Nós temos que começar no primeiro dia. Não podemos esperar. Entre a eleição e tomar a posse, temos um prazo que é para colocar as ações já definidas. A prefeitura tem seu quadro de pessoas, de efetivos, e são pessoas que estão só precisando só de rumo, são pessoas comprometidas. O quadro de pessoas da prefeitura é bom. Esse pessoal da Comurg, por exemplo, tenho encontrado pessoas que têm comprado enxadas e varredores de rua com seu próprio dinheiro porque gosta da profissão. Esse pessoal só precisa de apoio. E, no mais, é com um bom planejamento, com vontade. O prefeito, se ele quer ter sucesso, ele tem que largar o seu gabinete e ver o que povo está falando. O prefeito que fica no gabinete está fadado ao fracasso, porque ele só vai ouvir os bajuladores e não vai saber o que está acontecendo. A população não mente e ele vai ficar sabendo da realidade da gestão dele. Quero ser um prefeito presente, como eu fui em Senador Canedo, agindo na hora que chegam os problemas.

Alexandre Parrode – É um pouco diferente. Senador Canedo é uma cidade pequena, em relação a Goiânia.

Tudo é uma questão de orçamento. Se você pegar o orçamento de Senador Canedo, comparado ao de Goiânia proporcionalmente, o da capital é maior. Senador Canedo também não dava para fazer nada. Quando eu recebi a administração, os professores não tinham direitos, escolas estavam caindo, os postos de saúde caindo, não tinha uma avenida, uma obra que prestasse, porque diziam que não tinha dinheiro. Entramos no outro dia e começou a acontecer; da mesma forma que vai acontecer aqui. Em Goiânia é maior? É, mas o quadro de pessoal é outro, é bem maior; os recursos são maiores. Então, nós vamos agir com rigor, com transparência. O que estou vendo, hoje, em Goiânia, é um pensamento de que “o último que sair apaga a luz”, e cada um quer tirar o melhor proveito desse final de governo.

Marcelo Gouveia – Uma das principais bandeiras da atual gestão é a mobilidade urbana. O prefeito Paulo Garcia tentou investir nessa área. Fez ciclofaixas, ciclovias, corredores preferenciais… Como o sr. pretende trabalhar isso em uma eventual gestão?

A administração pública não deve ter uma única bandeira. Mobilidade é excelente, mas foi tão mal planejado. Vamos pegar as faixas exclusivas de ônibus, por exemplo. Você pega a T-63 a via é pela direita, matando o comércio no local. Não foi discutido com os verdadeiros interessados. Já na Avenida Goiás, foi feita pela esquerda e o comércio está pujante. Além disso, muitas das ciclovias foram feitas sem nenhum planejamento. Têm algumas que vão para o lugar errado. Então, esse tipo de obra tem que ser planejada. Vamos chamar os melhores técnicos e profissionais para que essas obras sejam estudadas e eles possam chegar e dizer: “Olha é aqui que deve ser feito”. Mas, acima de tudo, chamar a população para discutir também.

A mobilidade urbana também também irá permitir um planejamento melhor no trânsito. Temos que investir em viadutos e trincheiras, e colocar polos de desenvolvimentos e distritos industriais nas regiões populosas para diminuir o fluxo das pessoas dentro dos ônibus e as pessoas terem condições de trabalhar próximas a suas casas. Isso nós vamos conseguir quando firmarmos as pessoas ali próximas, trabalhando em um comércio mais pujante, porque, se você tiver os polos de desenvolvimento e distritos industriais, os comércios na região crescem também. Com isso, você vai melhorando a questão da mobilidade.

Essa criação e aprovação de muitos loteamentos em Goiânia, colocando milhares e milhares de famílias. Você pega o Orlando de Morais, por exemplo, é uma outra cidade afastada. Entre o Orlando de Morais e Goiânia, onde está a população maior, existe um trecho de áreas de terra, onde poderia ter um grande distrito industrial, além de uns quatro ou cinco polos de desenvolvimento.

Vanderlan Cardoso defende parcerias com setor privado

Vanderlan Cardoso defende parcerias com setor privado, em especial na área da Saúde

Patrícia Moraes Machado – O sr.é o único candidato que não entrou na onda da segurança e já antecipou a resposta dizendo que a discussão de uma gestão não pode ser monotemática. Por que o sr. não entrou nessa discussão, não colocou um vice da área da segurança, por exemplo?

Eu administrei uma cidade que tinha um apelido: Senador faz-medo. E eu pus na minha cabeça que eu não queria administrar uma cidade que tivesse esse apelido. “Você é o prefeito de onde? Lá de Senador faz-medo”? De forma alguma. Então eu fui procurar profissionais que viessem falar pra nós: “Olha, para melhorar a segurança do município, precisa disso aqui”.

É essencial, para melhorar a segurança em uma cidade, que o prefeito assuma sua responsabilidade de equipar e qualificar uma guarda municipal para que ela, junto com a Polícia Militar, com a Polícia Civil, até mesmo os Conselhos Tutelares, chamar o Judiciário para participar e, acima de tudo, aproximar as polícias da população. Eu só acredito em projeto que o povo participa e compra a ideia.

Então quando eu vejo eles levando muito a discussão para a questão da segurança, mas eles estão tentando enganar o eleitor, porque estão esquecendo que no município não tem só esse problema. E a saúde? Hoje falta médicos nos postos de saúde, falta enfermeira, falta dentista, remédio, as cirurgias e exames não estão acontecendo e as pessoas estão morrendo na fila de espera.

A questão do esporte também. Para mim é muito importante, como vamos falar de saúde, de educação sem investimento no esporte? Sem investimento nas escolinhas de iniciação esportiva? Nós temos um projeto que é o aluno em tempo integral, ele vai ter que escolher uma modalidade esportiva para ele praticar enquanto ele não estiver na aula.

Sem investimento na cultura, o quanto é importante a cultura na vida de um povo? A cultura aqui está abandonada. Agora é bonito falar sobre segurança, porque está aí na mídia, mas e as outras áreas? Cadê o investimento? Para você melhorar os índices de violência, você tem que investir. Primeiramente, tem que arrumar vagas para as crianças nas creches, você ter um investimento na geração de emprego e de renda.

Muitas vezes eu vejo os candidatos falando aí do jovem, que querem tirá-los da droga… Jovem não quer droga não, ele quer uma oportunidade de emprego, quer ter uma oportunidade de ter seu próprio negócio. E o jovem de hoje é muito diferente do jovem da década de 60, o jovem hoje é antenado, é qualificado, é preparado. Meu filho tem 23 anos de idade. Na minha empresa, hoje, eu não ganho uma dele. Ele sempre me convence com argumentos e mostrando: “Não, pai, você está errado, olha aqui os números”. Nas reuniões que eu estou fazendo em Goiânia, as perguntas que chegam até mim pelos jovens são qualificadíssimas. Se eu não estivesse qualificado pela experiência que eu tive administrando uma cidade, eu estaria passando vergonha.

Patrícia Moraes Machado – Uma das principais críticas que fazem ao sr. é que o sr. sempre cita Senador Canedo como exemplo. Como o sr. avalia essa questão e também a da aliança com o governo?

É humanamente impossível eu não citar Senador Canedo porque é a experiência administrativa que eu tenho, e olha que foi uma experiência gratificante e que me enriqueceu muito. Então, eu cito porque foi lá que as coisas aconteceram. Eu vejo algumas pessoas me criticarem sem administrar nem um carrinho de picolé, ou se administrou, não realizou. Então, eu tenho experiência, eu não fui um prefeito omisso nesta ou naquela área, nós trabalhamos em todas. Você quer falar de ação social, geração de emprego e renda, esporte, cultura… Vários programas foram feitos, milhares e milhares de pessoas atendidas. Agora, o conhecimento que eu tive lá é o que me qualifica hoje para apresentar as propostas. Quando eu falo de saúde, eu falo com conhecimento de causa, porque nós resolvemos o problema da saúde e vamos resolver em Goiânia. E não é simplesmente dizer “Eu vou resolver o problema da saúde”, é dizer como.

E com relação à aliança com o governo, o que eu acho interessante é que o candidato do PMDB estava, um dia desses, tentando acordo com o governador para essas eleições. Se tivesse feito esse acordo, talvez grande parte do pessoal estaria dizendo que ele é bom de articulação. Agora quando nós saímos em um processo eleitoral e passamos a dialogar com todos… Eu comecei meu diálogo com o governador Marconi Perillo no começo do ano passado, já tem quase dois anos que estamos dialogando sobre esse processo de 2016. Como eu conversei com todos os pré-candidatos, sempre receptivo ao diálogo. E não tenho problema de conversar e não tenho briga com ninguém e nunca terceirizei briga de ninguém.

Marcelo Gouveia – O sr. teme ser cobrado por não defender efetivamente o governo?

Eu acho que está havendo aí um equívoco. Eu sempre defendi as minhas ideias. O que que eu tenho de divergência com o projeto que o governador Marconi tem para o Estado? A administração dos hospitais por OSs. E também por serem saúdes distintas, a do Estado é uma coisa, do município é outra. Como que se implanta OS no Programa de Saúde da Família? Agora, se você for observar, Goiânia hoje tem OS na Saúde, o Hospital Dona Iris é uma OSs, o Idetech, por exemplo. Tudo tem que ser estudado. A maneira que eu fiz em Senador Canedo foi: Eu busquei parcerias com a iniciativa privada, foram muitas. Não foi uma administração própria [da iniciativa privada], mas sim buscando parcerias com laboratórios, com profissionais liberais, médicos, dentistas, enfermeiros.

E isso é uma tendência da política econômica nacional…

Tem coisas, na administração pública, que o poder público é incompetente para fazer. Eu quero ver como é que você vai chegar para a população e falar que você vai atender a demanda que existe de cirurgias sem você comprar esse serviço? Não existe isso. Ou se você disser que vai resolver o problema da população em atendimento de consulta sem fazer uma parceria com os médicos e comprar o serviço por um preço justo, porque o SUS paga uma mixaria. Pra isso existe a contrapartida do município que é de 15% e tem que ser aplicado, esses recursos têm que ser usados como um complemento para comprar o serviço e chegar na população.

Há um equívoco quando se fala que eu não estou defendendo o governo, porque eles levam para um lado de um programa que nós temos na saúde que são as parcerias com a iniciativa privada, mas uma administração própria. Agora, defender o governo do Estado aqui em Goiânia é a coisa mais fácil: Quais as obras prioritárias que a Prefeitura de Goiânia fez nesses últimos governos? Praticamente nenhuma. Já do governo do Estado nós temos viadutos, o Hugol, o Estádio Olímpico. E meu plano de governo estou fazendo junto com o governo do Estado.

Me reuni com o secretário de Segurança Pública, José Eliton, e com as cúpulas das polícias já para integrar nosso plano com o projeto do governo. Queremos fazer uma gestão de parceria. Hoje são 1,6 mil homens em Goiânia da Polícia Militar, a Guarda Municipal tem 1,5 mil, se trabalharmos em conjunto, como fiz em Senador Canedo, serão mais de 3 mil homens nas ruas.

Thiago Albernaz e Vanderlan Cardoso: coligação Uma Nova Goiânia

Thiago Albernaz e Vanderlan Cardoso: coligação Uma Nova Goiânia

Patrícia Moraes Machado – Importante destacar que o prefeito Paulo Garcia, a partir do momento em que ele decidiu se desvincular do ódio político de Iris Rezende, a gestão dele começou a melhorar. Mostra que parcerias políticas é que dão certo. 

Deixo claro que tem pessoas que querem antecipar o processo de 2018. Nós estamos em uma eleição municipal e governo não faz oposição a governo. O exemplo do prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela, do PMDB, que fez aliança tanto no governo estadual e do governo federal. Eu fui eleito em Senador Canedo contra o candidato do PSDB, passou a eleição fui buscar parceria com o governador de Goiás à época, que era Marconi Perillo.

Não quero antecipar 2018. Primeiro, essa política arcaica, ultrapassada, de agir somente com fígado é que atrasou Goiânia durante todos essas anos.

Alexandre Parrode – O grande problema da saúde, em especial do atendimento básico, é que Goiânia absorve pacientes de todo o Estado e até do País. São mais de 4 milhões, segundo dados do próprio SUS. 

O prefeito precisa buscar os convênios para atender essas pessoas. Cada vez que sai um paciente de uma cidade para outra, ele leva os recursos também. Se a administração não tem competência para informar isso ao Ministério da Saúde, aí sim é despesa a mais. Há a pactuação. Saúde, enquanto tiver prefeitos que encaram como despesa e não como investimento, vai continuar do jeito que está. Falo com conhecimento.

Vai na divisa, a UPA de Senador Canedo atende vários municípios, inclusive a maternidade atende mais de dez municípios, mas os serviços são vendidos, pactuados.

Em Goiânia, nós faremos da mesma forma, compraremos serviços. Quantos hospitais que estão aí capengando, alguns para fechar, vamos comprar pelo preço justo e oferecer para cidade e também cidades que queiram pactuar conosco. Saúde é investimento.

Bruna Aidar – O sr. tem apresentado um discurso menos inflamado que alguns adversários, mas enfrentará dois fortes candidatos populistas [Iris e Delegado Waldir]. Como fazer para superá-los? 

Com muito trabalho, levando nossas propostas, falando com propriedade, mostrando que Goiânia precisa de gestão e planejamento. O povo não quer mais tapinha nas costas, quer resultados, é o que estamos propondo, uma política de resultados. Temos que resgatar o orgulho que o goianiense tinha da época do professor Nion Albernaz (PSDB). Goiânia pode e espera mais que essa política arcaica que privilegia apenas os aliados. Goianiense quer mudança.

Patrícia Moraes Machado – A pesquisa mostra que a rejeição, também, do Iris é a maior de todas e a sua é a menor.

Já bateu no teto. Nós, começando agora a campanha, já estamos com empate técnico com o segundo colocado que não tem proposta nenhuma para Goiânia.

Marcelo Gouveira – O sr. acha que a tendência é que polarize entre o sr. e Iris Rezende a partir de agora?

A tendência da população é conhecer melhor o nosso trabalho, que já conhece um pouco. Eu tive quase 200 mil votos em Goiânia. Esse povo conhece o nosso trabalho como gestor. Então a tendência é que o povo passe a perceber agora, quando passa a observar mais as eleições porque começa a se aproximar o dia da eleição, e começa a observar os candidatos, os históricos dos candidatos, mas também as suas propostas e se pode confiar nas propostas, se a pessoa tem capacidade administrativa para poder administrar essa cidade.

Patrícia Moraes Machado – Nos tempos de hoje ainda é possível falar de mutirão?

Olha, questão de mutirão dá uma impressão muito grande que é uma coisa sem planejamento, “vamos fazer um mutirão porque não conseguimos planejar”, certo? Então tem que ser algo mais planejado. O povo quer saber disso. Onde é que a nossa cidade vai chegar daqui um ano, daqui dois, daqui cinco, dez, vinte, trinta anos? Planejar a cidade mais para a frente, é isso que nós estamos fazendo. Nós não estamos planejando Goiânia para a próxima eleição, para daqui a quatro anos, não. Vamos planejar Goiânia para a frente. Se eu quero ficar na história de Goiânia como um dos maiores administradores de Goiânia, um dos maiores prefeitos de Goiânia, então ela tem que ser planejada para o futuro, não somente para agora. Nós temos as ações emergenciais, mas nós temos que planejar Goiânia para a frente.

Alexandre Parrode – Vanderlan, o sr. citou isso e um dos grandes problemas de Goiânia, e que foi imposto pelo próprio Iris, é essa questão de que a gestão municipal fica nas mãos das grandes construtoras. A gente vê aí expansão urbana, crescimento desordenado, esse escândalo que o Jornal Opção cobriu que foi a CEI das Pastinhas, essa falta de respeito não só com a cidade e com a população, mas com o próprio poder público. Os construtores tomaram conta, eles fazem o que querem em Goiânia hoje e aí a gente vê o lago Cascavel secando, a cidade com engarrafamentos enormes sem nenhum planejamento por que? Porque o crescimento é totalmente desordenado. Inclusive a própria saúde, um dos grandes problemas é esse, porque você expande a cidade e em cada setor você precisa fazer um posto de saúde, um CMEI… Como o sr. pretende lidar com o setor imobiliário que é um setor que sempre dominou os prefeitos, Iris em especial?

Tudo você tem que ter normas. Tudo que não tem normas ou que tem normas só para uns, para os amigos não tem normas, vira bagunça. Cada vez que vai ter um empreendimento ele tem que ter, e já é por lei, um estudo de impacto ambiental, de vizinhança, tem uma série de coisas que têm que ser cumpridas. O que eu vejo aqui em Goiânia é que muitas áreas que já estavam muito povoadas foram liberadas para a construção de muitos prédios. Então não foi feito estudo de impacto de vizinhança, de trânsito. Aí vira aquele congestionamento em alguns horários de pico.

Dá para planejar, dá para fazer, como foi pregado nessa administração agora, uma cidade sustentável – e praticamente não se trabalhou nada nisso – com um bom planejamento. Mas fazendo cumprindo as leis. Agora o que não pode às vezes é por alguns empreendimentos e simplesmente por um discurso de geração de emprego e renda, porque vai gerar tantos empregos você coloca alguns empreendimentos em áreas que têm que ser reflorestadas para recuperar um manancial.

Isso daí é o que acaba acontecendo aquilo que você falou, os córregos começam a secar. Então nós precisamos fazer primeiro um reflorestamento nas cabeceiras desses córregos, dessas minas, fazer um trabalho mais sério com relação à aprovação de novos empreendimentos. Então nós vamos ter que dar um passo para começar a fazer as avaliações com mais detalhes e com mais rigor.

Nós fomos em Campinas, em São Paulo, que é referência hoje em planejamento em urbanização, vamos trazer para cá alguns dos projetos que foram implantados nessa área lá.

Alexandre Parrode – Continuando nessa questão, o problema inclusive da própria CEI foi esse. As regras existem, são frágeis, o Plano Diretor foi construído sob as mãos e a coordenação do setor imobiliário. Inclusive a gente tinha que estar aprovando um Plano Diretor para 2017, que vence agora, tinha que estar sendo discutido isso. As regras existem, mas o que a gente vê é que esses empreendimentos e esses grandes empresários não têm preocupação nenhuma, eles constroem empreendimentos onde eles quiserem porque a Prefeitura não tem o mínimo de cuidado para poder fiscalizar, para poder ditar “olha, isso aqui você não pode fazer, isso aqui não pode ser desse jeito. Você não pode chegar com uma pasta vazia e falar que você vai construir um prédio aqui de qualquer jeito”. Como fazer isso dentro da secretaria que é onde inclusive vários servidores estavam envolvidos com isso?

É como eu mesmo falei, é colocando normas rígidas. Colocar, por exemplo, que a Secretaria do Meio Ambiente funcione, mas não dando privilégio a alguns projetos, àqueles que porventura são mais conhecidos dos empreendedores que vai dar mais agilidade aos projetos. Ser tudo por ordem de entrada, por verdadeiros técnicos mesmo, fazer a avaliação e que seja bem transparente, seja bem aberto à população. Vai melhorar até mesmo para esses empresários que hoje com certeza estão se dispondo de alguns recursos a mais para ter seus projetos aprovados.

Alexandre Parrode – Eu não sei se o sr. conhece a estrutura da Secretaria de Planejamento e Urbanismo (Seplam). Falta só pessoal ou falta organização?

Falta mais transparência. Tem um pessoal qualificado e falta contratar mais técnicos para a análise dos projetos.

Bruna Aidar – O sr. acha que também seria viável dar mais publicidade aos projetos que são aprovados? Porque, citando o caso do Nexus aqui, um dos problemas que a gente viu é que o Estudo de Impacto da Vizinhança foi fraudado, as pessoas que moram aqui não tinham ideia de como ia ser o empreendimento e a maioria delas depois que descobriu o impacto que aquilo teria na região, veio, a gente teve contato com organizações de moradores que vieram pra se posicionar contra a obra. Porque a gente trabalha aqui do lado, a gente sabe como é o impacto aqui, seis horas da tarde você não anda. Então o sr. acha que a população devia ter plena consciência de um projeto e de obras do tamanho de um Nexus por exemplo?
Alexandre Parrode – O próprio Órion que também está aqui.

É o que nós dissemos aqui no início. Nós temos que ter para os grandes empreendimentos um estudo de impacto de vizinhança. Então se ele foi fraudado, os responsáveis têm que ser punidos. Porque uma obra desse tamanho, com a quantidade de investimento que está para ser aplicado ali não pode acontecer isso. Agora se houve, tem que ser punido, porque é muito sério. Isso não é uma brincadeira. É uma obra de grande impacto na região. Então tem que ser feito não somente um estudo de impacto ambiental, de trânsito, mas tem que ser bem analisado por técnicos bem qualificados mesmo. Não pode ser qualquer um fazer uma análise dessa.


vanderlan-interna-OKKAlexandre Parrode – Existe um projeto hoje na Câmara que prevê uma nova expansão urbana. Goiânia precisa de aumentar sua área?

Com ou sem uma nova expansão, Goiânia precisa ter áreas destinadas à geração de emprego e renda garantidas pelo Plano Diretor e pela expansão urbana. A partir do momento que você define que determinada área será destinada a abrigar um distrito industrial ou um polo de desenvolvimento, não poderão ser construídas casas, moradias. Essa é a diferença. Se for feito e aprovado na Câmara uma nova expansão simplesmente para atender a especulação imobiliária, aí vai acontecer o que está acontecendo em Goiânia atualmente.

Há 20 anos, de cada 100 reais arrecadados na cidade, 30 reais ficavam aqui; hoje, são 16 reais. Se continuar desse jeito, daqui dez anos vai ser R$ 10.

Alexandre Parrode – Que é o que acontece. Fazem a expansão para criar novos loteamentos.

Sim. Em 2005, em Senador Canedo eu aprovei a expansão urbana no novo Plano Diretor, mas garantindo as áreas de distritos indústriais e os polos de desenvolvimento. Pode mudar o prefeito quantas vezes quiser que aquelas áreas vão ser destinadas a geração de emprego e renda, não haverá habitação.

Alexandre Parrode – O sr. defendeu novas zonas de desenvolvimento. O que seriam?

Muitas empresas e até mesmo proprietários particulares que têm áreas que já estão na expansão. Se eles quiserem fazer empreendimentos, loteamentos, terão que destinar parte da área ao município e esta área podemos dar uso para ela. Dependendo do tamanho, um polo de desenvolvimento (confecção, serralheria, moveleiro), ou até mesmo um distrito industrial maior. Vai da parceria com a iniciativa privada. Nós criamos quatro distritos industriais em Senador Canedo e não desembolsamos praticamente nada, só fruto de parcerias com donos de terras. Prefeitura tem mecanismos para fazer tais parcerias. Já temos mapeadas e conversado com os donos muitas e muitas áreas que têm interesse de fazer empreendimentos com essa parceria. Está em nosso plano de governo.

Bruna Aidar – A entrada do PSDB na sua candidatura é uma maneira de garantir uma conversa mais aberta com a Câmara, uma maior aliança para aprovar projetos?

Também. Mas o que trabalhamos e percebo muito quando concretizamos a aliança: são os projetos que a prefeitura de Goiânia tanto precisa e podem ser feitos em parceria com o Estado. Não adianta apresentar projetos sem uma parceria com o governo. Vamos precisar muito dessa parceria. Estamos pensando na cidade. Precisamos tirá-la do caos e atraso que se encontra.

Alexandre Parrode – Algumas obras da atual gestão não vão ser concluídas até o final do mandato. Uma delas e a mais importante, o BRT Norte e Sul. O que o sr. pretende fazer com essas obras que ficarem pelo caminho?

Terminaremos todas as obras em que houver dinheiro público envolvido, nós vamos concluir. Todas. Não vamos deixar nenhuma obra pelo caminho, em especial as prioritárias, como BRT, CMEIs e praças.

Marcelo Gouveia – Como o sr. pretende lidar com os direitos das minorias, como negros, mulheres e LGBTs?
Bruna Aidar – Em especial porque o sr. é muito ligado à igreja. Como atender a demanda dos dois lados que parecem ser antagônicos?

A discussão não é religiosa. É política, administrativa. Sou legalista, o que determina a lei, não tenho problema nenhum com isso. Não serei prefeito desta ou aquela religião. Seria prefeito de toda a população de Goiânia. Não vou excluir ninguém da nossa administração.

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Gustavo Henrique

para não desfazer o que já foi feito em relação as faixas de onibus, se os comerciantes reclamam da falta de estacionamento a prefeitura deveria incentivar edifícios garagens principalmente na região do setor bueno consequentemente proibindo o estacionamento nas ruas dado que o transito no local é imenso, mas não tem rua pra tanto carro e logicamente preservando as faixas de onibus que favorecem na sua velocidade media, o que faltaria seria as pessoas usarem mais os onibus uma medida plausível seria a substituição por onibus com ar condicionado lembrem-se que goiania é uma cidade quente