Em meio ao crescimento no número de casos, pesquisadores descobrem mecanismo ligado ao agravamento da Covid-19

Tempestade de enzima ajuda no processo de inflamação exacerbada do pulmão, levando a alterações do órgão ao contrair a doença

Em meio a um cenário de crescimento no número de casos de Covid-19, que em Goiás chegou a 53% na comparação entre os meses de abril e maio, com duas mil notificações de novos casos, pesquisadores brasileiros descobriram um mecanismo ligado a agravamento da doença. A descoberta, abre a possibilidade de novo tratamento dos casos graves de Coronavírus.

O estudo, publicado na revista científica Biomolecules, mostrou que as atividades enzimáticas e a expressão de dois tipo de metaloproteinase, MMP-2 e MMO-8, aumentaram significativamente nos pulmões de pacientes graves infectados pelo SARS-CoV-2.  Com isso, uma “tempestade” de enzimas ajuda no processo de inflamação agravada do pulmão, que acaba alterando as funções do órgão. Com a produção excessiva das metaloproteinases – enzimas que participam do processo de degradação de proteínas – é como se elas atuassem para lesionar o pulmão, mesmo sendo importantes no processo de cicatrização e remodelamento do tecido.

Na pesquisa, foi desvendado um mecanismo de desregulação das metaloproteinases, que pode estar associado à formação de fibrose no órgão, deixando sequelas nos pacientes. Assim, a injúria é causada quando o tecido detecta um estímulo nocivo externo ou um corpo estranho. Nessas circunstâncias ocorre uma inflamação, que durante o processo, surgem células de defesa produzindo mediadores que levam a um estresse oxidativo descontrolado. 

Como resultado, a pesquisa notou que as taxas de MMP-2 e MMP-8 foram significativamente maiores no líquido aspirado traqueal de pacientes com Covid-19, em comparação aos não infectados. Desta forma, os indivíduos que morreram tinha um nível maior dessas enzimas ativas do que os que sobreviveram.

O estudo foi realizado através de amostras de líquidos aspirado traqueal de 39 pessoas internadas com casos graves da doenças e incubadas em Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) da Santa Casa e Hospital de São Paulo, em Ribeirão Preto, entre junho de 2020 e janeiro de 2021. Além da inclusão de 13 voluntários. O consórcio é apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e liderado pela professora Lúcia Helena Faccoli da FCLRP da Universidade Federal de São Paulo e também conta com participação da também docente Raquel Fernanda Gerlach, da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.