Mais de 50% dos operados com bariátrica voltam a engordar depois da cirurgia, diz estudo

Problema, muitas vezes, pode ser corrigido com procedimentos endoscópicos, que não demandam internação

Foto: Divulgação

Na luta contra a obesidade, que é uma doença crônica e incurável, mais da metade das pessoas submetidas às cirurgias bariátricas tende a ganhar novamente parte do peso perdido após a cirurgia, segundo confirma artigo publicado pela Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso).

De acordo com o médico gastroenterologista Joffre Rezende Neto, essa retomada do peso é considerada normal em alguns casos. “Na grande maioria das situações, o paciente readquire de 5% a 10% do peso perdido após 24 meses da cirurgia, e de modo gradual, sem que isso provoque complicações clínicas”, explica o especialista.

No entanto, se esse reganho de peso ultrapassar o percentual de 10% e vir acompanhado de diabetes, colesterol alto, apneia do sono e outras comorbidades, o ideal é procurar assistência médica para investigar e tratar o problema.

O médico Joffre Neto explica que a retomada do peso após a cirurgia bariátrica acontece geralmente 18 meses após o procedimento, quando o paciente já passou pela fase de “lua de mel”.

“Esse momento é o inicial no processo de perda do peso, em que a pessoa segue rigorosamente a dieta, leva a sério as atividades físicas, começa a receber elogios por sua mudança de aparência e renova o guarda-roupa, substituindo as peças do tempo em que estava obesa. Depois desse período de ‘lua de mel’, é preciso ter atenção redobrada para não retomar os maus hábitos e a má alimentação, que podem desestabilizar o peso corporal”, pontua Joffre.

Joffre Neto explica que às vezes a continuidade do peso anormal pode resultar no alargamento da costura cirúrgica feita para religar o estômago ao intestino, a chamada anastomose. Quando o canal que liga esses órgãos está fora do diâmetro correto para o padrão de pessoas submetidas à bariátrica, a passagem do conteúdo gástrico ocorre mais rápido que o normal, diminuindo a sensação de saciedade.

Plasma de argônio

Joffre Neto, que é membro titular da Federação Brasileira de Gastroenterologia e secretário geral da Sociedade Goiana de Gastroenterologia, explica que em função do alargamento da anastomose, a pessoa sente fome mais rápido e, para se suprir, acaba comendo mais. Depois de realizada uma avaliação endoscópica do paciente, pode ser indicado a aplicação de plasma de argônio, um procedimento ambulatorial, feito por endoscopia, que não requer internação e permite à pessoa voltar para casa no mesmo dia. O plasma do gás argônio só pode ser aplicado em pacientes que tenham feito a cirurgia bariátrica nas técnicas Bypass ou Capella.

“Geralmente são necessárias de duas a quatro sessões para se obter o efeito desejado. O que indica o número de sessões é o aspecto final da anastomose. Quando se tem uma anastomose alargada, que é medida por endoscopia, o gás argônio vai queimá-la, e quando da cicatrização vai ocorrer uma fibrose, com o fechamento da anastomose. Cada organismo reage de uma forma, por isso nós temos que avaliar sessão a sessão para ver o aspecto final, que é uma anastomose em que o aparelho de endoscopia passa ajustado”, esclarece.

Para quem foi operado com a técnica Bypass, as sessões de plasma de argônio podem ser feitas isoladamente ou combinadas com a endossutura gástrica. É também um procedimento, realizado por endoscopia, de forma irreversível, em que as paredes do estômago remanescente são suturadas visando a diminuir o espaço disponível para os alimentos. Essa sutura gástrica aumenta a sensação da saciedade, auxiliando no combate à obesidade.

Situação alarmante

O excesso de peso já atinge 48% da população adulta da região Centro-Oeste. Em Goiás, proporcionalmente, são 2,1 milhões de pessoas com sobrepeso e obesidade, segundo aponta levantamento da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), e considerando os números do Censo 2010, o último realizado pelo IBGE.

“São dados que indicam a necessidade da conscientização urgente para o combate à obesidade. A própria Organização Mundial de Saúde tem alertado que a obesidade é hoje um dos principais problemas de saúde pública do mundo. Nesse contexto, ações simples, como fazer atividades físicas, evitar o consumo de alimentos industrializados e álcool em excesso, e adotar um estilo de vida saudável já contribuem para evitar a obesidade, que, infelizmente, não tem cura”, conclui Joffre.

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