Filme sobre Cora Coralina mistura documentário com ficção

Público lotou o cinemão para ver lançamento, que teve presença dos atores, entre eles Teresa Seiblitz. Diretor define festival ambiental como “o mais importante do Brasil”

Foto: Museu Cora Coralina / divulgação

Foto: Museu Cora Coralina / divulgação

Sarah Teófilo
Da Cidade de Goiás

Cora Coralina e suas múltiplas faces encantaram o público na 17ª edição do Festival Internacional de Cinema Ambiental (Fica), na noite deste sábado (15/8). No cinemão, na Cidade de Goiás, com todas as cadeiras ocupadas, teve gente em pé e sentada no chão só para prestigiar a história da poetisa no filme “Cora Coralina, todas as vidas”, contada por ela mesma.

Foto: Sarah Teófilo

Diretor e roteirista, Renato Barbieri: apaixonado pela história de Cora | Foto: Sarah Teófilo

O diretor e roteirista, Renato Barbieri, explica que já vinha trabalhando este tipo de narrativa que mistura o documentário com ficção, mas que nesse filme é mostrado de forma mais radical. “Este filme aprofunda esta experimentação.”

O projeto nasceu a convite de Márcio Curi e Paulo Salles, neto de Cora, em 2009. Mas o conhecimento sobre a história de Cora é antiga. Barbieri explica que conheceu a poetisa e doceira da Cidade de Goiás em 1983, quando ela foi revelada por Carlos Drummond de Andrade. “Cora foi mostrada de maneira muito forte pela mídia depois disso. Fui atrás de livros, e passei a conhecer toda a sua obra.”

Dentre os atores escolhidos para o filme está Teresa Seiblitz, que interpreta uma personagem diferenciada, que dialoga com o público e interage com a câmera. “Ela é diferenciada. Nós temos cinco Coras e Teresa, que é uma Cora etérea. Os outros personagens não a veem, ninguém percebe a presença dela.”

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Atriz Teresa Seiblitz | Foto: Sarah Teófilo

A atriz já tem no currículo uma peça sobre a poetisa, chamada “Cora Coralina, coração encarnado”. De acordo com ela, era revigorante interpretar o grande ícone da casa velha da ponte. “Me dava energia entrar em contato com a Cora, com as palavras e a vida dela.”

Quanto a sua interpretação no filme, Teresa pontua que teve mais liberdade, por não ser nenhuma fase específica da doceira. “Eu não precisava ser de idade nenhuma, não precisava ter nenhuma referência. Eu pensava só no que aquele poema tinha feito comigo.”

Sobre o Fica, Barbieri elogia e afirma ser o festival ambiental mais importante do Brasil. “Os filmes mostrados aqui, assim como os debates, tem que repercutir em todo o País; devem ser mostrados nos canais de televisão”, afirma.

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