Cotado como candidato ao governo, Marconi evita avaliações sobre Bolsonaro

O ex-governador, no entanto, declarou que assim que decidir por uma candidatura, estará pronto para manifestar publicamente sua opinião

Ex-governador Marconi Perillo é cotado para voltar à chefia do Executivo l Foto: Reprodução

Giselle Vanessa Carvalho e PH Mota

Aberto à possibilidade de disputar cargo em outubro de 2022, seja para Câmara dos Deputados, Senado ou para o executivo estadual, e com postura pública cada vez mais próxima de um postulante ao Palácio das Esmeraldas, ex-governador Marconi Perillo (PSDB) tem poupado comentários sobre o trabalho feito pelo presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), que cumpriu agenda em Goiânia na sexta-feira, 27, sem presença do governador Ronaldo Caiado (UB).

Questionado sobre a atuação de Bolsonaro, Marconi diz que tem evitado fazer avaliações da presidência, pois “não cabe fazê-lo nesse momento”. O ex-governador, no entanto, declarou que assim que decidir por uma candidatura, estará pronto para manifestar publicamente sua opinião. Enquanto tenta se afastar publicamente da polarização em âmbito nacional, nos bastidores continua presente a tese de que Marconi dialoga com o ex-presidente e pré-candidato ao Palácio do Planalto, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de quem já foi um dos maiores opositores, tanto quando esteve no Executivo, quanto na época em que este no Congresso Nacional, em busca de uma aliança na disputa pelo governo. Em comum, ambos teriam hoje a intenção de criar um frente de oposição no Estado.

Publicamente, Marconi refuta a hipótese, ventilada reiteradamente desde o final do ano passado, inclusive com repercussão nacional, mas a desistência de José Eliton (PSB), um aliado histórico do tucano que havia colocado o nome à disposição na corrida pelo Palácio das Esmeraldas, voltou a jogar luz sobre a questão. Apesar de alegar a indefinição do PT como motivo para ter saído de cena, extraoficialmente a versão é a de que ele deixou a pré-candidatura como efeito da aproximação de Lula, como quem Eliton chegou a se reunir, e Marconi. Com o amigo cotado como nome de Lula em Goiás, Eliton não teria disposição de concorrer com ele e preferiu refluir.

Oficialmente, Marconi também não assume a candidatura ao governo. Os movimentos recentes, no entanto, indicam que o caminho está pavimentado. Recentemente, durante encontro do PSDB em Quirinópolis, ele admitiu de forma pública a possibilidade de voltar às urnas pelo executivo goiano. Outro indicativo é que ele mantém o tom acima em relação ao governador Ronaldo Caiado, que lidera a corrida eleitoral com 33% das intenções de voto contra 18% de Marconi. O ex-governador critica de forma reiterada a forma como a gestão de Caiado trata os programas sociais e chegou a declarar que ele é “o pior governador da história de Goiás”.

Marconi alega que Caiado tenta justificar o trabalho, reaproveitando programas implantados no governo dele de forma que classifica como inferior. Segundo o tucano, as reformulações alteram nomes e reduzem atendimentos, com atuação especialmente em ano de eleição. “Durante três anos, ninguém de precisava de nada, sobretudo nos dois de pandemia. De repente os programas voltam com outros nomes. Mas agora vão ter que justificar essa inércia nas eleições”, afirma. Marconi também questiona os feitos da atual gestão que, segundo ele, se apoia nos trabalhos feitos pelo governo PSDB. “Imagina se não fosse os nossos programas, o que eles iam falar na televisão?”.

Caiado, por outro lado, credita as dificuldades administrativas à herança recebida pelos governos Marconi e José Eliton. O último, por exemplo, deixou a administração estadual, em dezembro de 2018, faltando R$ 1,2 bilhão para pagamento dos servidores, mostra relatório de gestão fiscal da Secretaria da Economia. Somada a insuficiência de caixa para quitação da remuneração dos servidores, relatório técnico da Gerência do Controle de Contas do Tribunal de Contas do Estado de Goiás (TCE-GO) mostra que, no final de 2018, a falta de verba para quitação de obrigações chegou, ao todo, a R$ 6,73 bilhões. Além da indisponibilidade de caixa e do investimento em educação abaixo do piso constitucional, os relatórios fiscais de 2018 mostram que naquele ano cerca de R$ 2,2 bilhões em despesas ocorreram sem prévio empenho. As contas do governo inclusive só foram aprovadas porque o TCE levou em consideração a crise socioeconômica brasileira.

Enquanto os dois defendem os próprios legados, as tentativas de Marconi de ir para o embate com Caiado são vistas, nos bastidores, como evidências de que ele já escolheu o adversário que enfrentará nas eleições de outubro. A incógnita, por hora, é se a luta será ou não ao lado de Lula.

Uma resposta para “Cotado como candidato ao governo, Marconi evita avaliações sobre Bolsonaro”

  1. Avatar pereira jakelline disse:

    assim como disse a presidente do PT Katia Maria, no dia 30 de maio, não ah nenhuma ligação de Marconi com lula.

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