Carmel Rio é denunciada por racismo e assédio moral

Famosa marca carioca fez postagem durante campanha “Blackout Tuesday” e funcionários reagiram com relatos sobre abusos

Foto: Reprodução.

As redes sociais ficaram repletas de postagens da campanha “Blackout Tuesday” na última terça-feira, 2. A manifestação virtual aconteceu como forma de apoio aos protestos antirracistas do movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam). A marca carioca Carmel Rio foi uma das empresas que aderiram ao movimento através de uma publicação no Instagram, uma imagem preta com a legenda:

“Nos acreditamos que qualquer forma de racismo é um ataque violento, e quando um de nos e atacado, todos somos” disse a legenda de uma imagem totalmente preta.

Nos comentários da publicação, ex-funcionárias começaram a relatar preconceitos raciais e assédios morais sofridos no escritório e fábrica, comandados por Cristiane Rezende, em São Cristóvão, na Zona Norte do Rio.

Comentários apagados

O jornal O Dia apurou relatos com algumas ex-colaboradoras. “Eu fui muito humilhada e maltratada. Com certeza, foi o pior lugar que trabalhei. Eu chorava diariamente, emagreci horrores ao ponto da minha mãe pedir para eu sair da empresa, porque meu final de semana era ficar trancada dentro de quarto, mas eu fui levando. Até o dia em que eu estava fazendo o balanço do estoque e ela acusou que eu tinha retirado uma peça”, lembrou uma delas, sem revelar a identidade.

“Vi a dona da empresa humilhar um amigo que tinha acabado de perder o irmão com a desculpa de que a empresa não tinha sentimentos”, disse outra ex-funcionária. “Também a vi colocar uma colega com pneumonia para organizar o estoque todo empoeirado e a menina quase desmaiou”, completou.

Os comentários dos ex-colaboradores foram apagados da publicação. Em nota divulgada nesta quarta-feira, 4, a empresa se pronunciou negando os relatos e anunciando o lançamento de um novo canal de comunicação para esclarecer os fatos.

“Acreditamos que a cultura do cancelamento não é saudável porque não resolve o problema. Não queremos deixar de estar presentes como marca, construímos um público e acreditamos que podemos de fato sermos mais eficientes com relação a esse tema e a tantos outros importantes” ressaltou Carmel Rio em nota.

Leia nota da Carmel Rio na íntegra:

Nessa semana, recebemos comentários de 3 ex-colaboradores via Instagram relatando condutas dentro da empresa que vão contra o que acreditamos como marca e quem queremos ser. Uma marca inclusiva que leva beleza e autenticidade para todos.

Nós, da Carmel, prezamos pelo bem estar de todos os nossos colaboradores, seja na fábrica ou loja, e lamentamos que qualquer pessoa tenha se sentido ofendida por qualquer razão. Negamos os relatos e para reforçar o compromisso com nossos valores, nos colocamos à disposição para ouvir nossos funcionários atuais e ex-funcionários e vamos lançar um novo canal de comunicação, para que isso fique ainda mais claro. Mais do que à disposição, nós queremos ouvir.

Todo marketing estratégico da Carmel hoje, sim, está buscando informações e fazendo um planejamento para trabalhar com consultorias. Entendemos que esse não é nosso lugar de fala e estamos abertos a aprender e levar mais informação sobre o tema, utilizando nosso alcance para algo positivo.

Acreditamos que a cultura do cancelamento não é saudável porque não resolve o problema. Não queremos deixar de estar presentes como marca, construímos um público e acreditamos que podemos de fato sermos mais eficientes com relação a esse tema e a tantos outros importantes.

A cultura do cancelamento não transforma marcas e pessoas em agentes de mudança. Achamos muito mais eficiente aprender com isso e nos tornarmos esse agente, com relação a temas que são importantes diante de tantas questões estruturais que ainda carregamos na sociedade.

Como marca, queremos ser melhores a cada dia para nossos clientes mas, principalmente, para nossos funcionários que fazem tudo isso acontecer. Vamos ouvi-los e aprender juntos.

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