Com aumento expressivo na emissão de títulos, pessoas entre 16 e 18 anos têm ganhado atenção de pré-candidatos em todo país

Neste ano, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) celebrou recordes de emissão de títulos de eleitor para jovens. Entre janeiro e abril, o Brasil ganhou 2.042.817 novos eleitores entre 16 e 18 anos,  número que representa um aumento de 47,2% em relação ao mesmo período em 2018 e de 57,4% em relação aos quatro primeiros meses do ano em 2014. 

Reflexo do aumento expressivo nos cadastros, o eleitorado jovem tem ganhado a atenção de pré-candidatos em todo o Brasil. Adepto dos “memes”, o presidente Jair Bolsonaro (PL) atua nas redes sociais para tentar atrair esse segmento com um humor pueril que tenta transmitir uma imagem mais descontraída para o público. Em São Paulo, o pré-candidato ao governo do estado Márcio França (PSB) tem buscado artifícios para conquistar a juventude. Para isso, ele chegou a lançar sua pré-campanha no Metaverso, o popular “mundo paralelo digital”. É a primeira vez que um político brasileiro aposta no formato.

Para o marqueteiro Renato Monteiro, da Cantagalo Comunicação, a internet é um meio que oferece constantes novidades na área da comunicação. “Avalio como inovadora a iniciativa do pré-candidato Márcio França (SP) em promover o debate político on-line por meio desse novo ambiente virtual que é o Metaverso. Ambiente, inclusive, apropriado para se comunicar com o público jovem sobre temas  muito pertinentes a esse público, que são as inovações tecnológicas. Outras plataformas e recursos continuarão surgindo”, afirmou. 

O especialista, no entanto, ressaltou que quem investe em estratégias para o público jovem tem que ter cuidado com os estereótipos e método “prêt-à-porter”, ou seja, pré-estabelecidos e pouco inovadores.  “O modismo na internet faz com que as campanhas fiquem todas iguais, robóticas e sem tempero. A campanha eleitoral não pode ser prêt-à-porter, tem que ser alfaiataria, costura sob medida. Outro alerta é para o equívoco de apostar na conquista do voto jovem a partir de estereótipos de linguagem e a utilização de recursos tecnológicos de maneira inadequada. Uma espécie de ‘Tio Sukita’ online. Uma campanha, independente dos veículos que serão utilizados, precisa ter posicionamento bem definido e discurso precisamente ajustado”, destacou Renato Monteiro.

Professor e marqueteiro político, Marcos Marinho frisou que, ao regionalizar uma ideia, é necessário se atentar às limitações do espaço e diferenças culturais. Ele ressaltou que, no caso de Márcio França, “a repercussão da ação tem mais eficácia que a ação em si”. “É muito importante perceber que há algumas limitações. Trazendo para o Brasil, a nossa internet é mais ruim em nível de banda, muita gente tem pré-pago. Então é necessário se questionar ao regionalizar: o que eu consigo fazer aqui no meu estado que seja eficiente e vantajoso? São Paulo é uma realidade, lá tem uma gama maior de pessoas no meio urbano, constantemente conectados e com qualidade melhor de sinal”, pontuou.

Marinho ainda afirmou que, para estratégias eficazes, é necessário mapear e se inserir em plataformas populares em determinado segmento.“Se há um público jovem interessado no que eu tenho para falar, eu vou mapear que plataforma eles estão utilizando e como eu posso me inserir dentro dela. Lembrando que, quando se trata de campanha eleitorais, há regras a serem cumpridas, há limitações impostas pela legislação e há muitas vezes, a não aderência espontânea”, ponderou.