Campanha de Iris Rezende culpa Marconi por crise na segurança pública e promete propostas ousadas

A coletiva de imprensa convocada pela coligação irista nesta quarta-feira tinha um objetivo claro: apontar “a opção do governo de Goiás ao não combate efetivo do crime”

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Coordenador da campanha de Iris, Barbosa Neto apresentou estatísticas que mostram crescimento nas taxas criminais | Foto: Reprodução

Em período eleitoral, o setor de segurança pública em Goiás tem sido constante alvo dos candidatos de oposição que disputam neste ano algum cargo político. Não é para menos. Com os altos índices de homicídios e a possibilidade de um serial killer à solta na capital, o Estado tem ganhado destaque na imprensa nacional com resultados bastante desanimadores. Apostando nisso, a coordenação de campanha do candidato ao governo Iris Rezende (PMDB) apresentou na tarde desta quarta-feira (6/8) um panorama do setor entre os anos de 1998 a 2013, período em que o governador Marconi Perillo (PSDB) esteve à frente da gestão estadual.

Em uma apresentação em Power Point, o coordenador da campanha de Iris, Barbosa Neto, apresentou estatísticas que mostram um crescimento exacerbado nas taxas criminais e de homicídios em Goiás nos últimos 14 anos. Conforme os dados, em 1998, foram registrados 636 homicídios no Estado contra 2.725 em 2013, o que representa um aumento de 328,6%. Já a taxa criminal, em uma escala de um homicídio por cem mil habitantes, passou de 13,4 para 44,3, um acréscimo de 230,6%.

Os altos índices registrados fizeram com que Goiás, em 2012, alcançasse o patamar de quarto Estado com a maior taxa de homicídios do País; sendo que, em 1998, o mesmo ranking mostrava Goiás em décimo oitavo lugar. Além disso, as estatísticas elucidadas por Barbosa Neto apontam que, apesar de um crescimento de 35,6% da população goiana, o efetivo da Polícia Militar apresentou uma redução de 4,9%, e da Polícia Civil de 52,4%.

Os dados apresentados integram o Mapa da Violência, uma série de estudos realizados pela Organização das Nações Unidas (ONU), pela Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana (RITLA) e pelo Instituo Sangari, com apoio do Ministério da Justiça.

Diante das constatações, quando questionado em entrevista sobre as propostas que a aliança possui para o setor, Barbosa Neto avaliou ainda ser cedo para a apresentação de planos para a área, mas adiantou que, já na próxima semana, a coligação peemedebista apresentará uma plataforma específica para a área de segurança pública, com propostas concretas e ousadas. “Todo e qualquer plano exige um diagnóstico, que oferecemos hoje. Na próxima semana, os três [Iris, Armando Vergílio e Ronaldo Caiado] irão apresentar as propostas”, disse.

Apesar da promessa de um plano ousado para o setor, na entrevista publicada na última edição do Jornal Opção, o coordenador da campanha irista teve que se virar como podia para responder a questões referentes à segurança pública em Goiás. Tendo como principal proposta a redução de 50% da criminalidade no Estado, Barbosa não soube explicar de maneira didática como o plano seria posto em prática. “A minha resposta é clara: vamos.  E, aí, vem as propostas, com metas e indicadores. Não dá pra ficar com discursos vazios. São metas e estão aqui. Meta é redução”, justificou.

Presente na entrevista coletiva marcada pela coordenação da campanha irista, o candidato a vice-governador Armando Vergílio (Solidariedade) preferiu não detalhar os pontos que serão abordados no futuro plano q de metas. “Um ponto está integrado a outro”, justificou, emendando que a plataforma conta com a participação de profissionais especializados em segurança pública.

O ex-governador Iris Rezende não compareceu à entrevista coletiva marcada em seu escritório político no Setor Marista, em Goiânia, pois gravava material de campanha para a TV. Além de Barbosa Neto e Armando Vergílio, marcaram presença no encontro os presidentes estaduais do PMDB e do Solidariedade, Samuel Belchior e Silvio Sousa; a vereadora Célia Valadão (PMDB); o vice-prefeito de Goiânia, Agenor Mariano (PMDB); dentre outros nomes da coligação encabeçada por PMDB, DEM e SDD.

“Culpa é do Marconi”

Mais do que o apontamento para um cenário preocupante no setor de segurança pública em Goiás, a elucidação dos dados e estatísticas presentes no Mapa da Violência por parte da campanha irista denota a posição ofensiva que a coligação tem adotado em período eleitoral em desfavor da gestão marconista.

No encontro desta quarta-feira, o objetivo era claro: apontar “a opção do governo de Goiás ao não combate efetivo do crime”. “O envolvimento com o crime do chefe da Segurança Pública de Goiás, que é o governador, tem acertado irmãos e irmãs nossas”, declarou Barbosa Neto, que ao ser questionado acerca das provas de tais acusações disse, sem mais delongas, que é possível encontra-las em “todas as capas de jornais”.

Como não podia deixar de ser, as críticas dos oponentes têm incomodado a base aliada, que alega ser de uma total irresponsabilidade a politização do assunto em pleno período eleitoral. Na terça-feira, em solenidade na Academia da Polícia Militar, Marconi disse que alguns estão aproveitando “a dor e as dificuldades das famílias para fazer promessas vãs e inexequíveis”.

Para o candidato a vice Armando Vergílio, no entanto, tal politização é percebida justamente entre os componentes da base aliada. “Quem está politizando são eles, pois só agora fazem um ou outro movimento tentando demonstrar que algo está sendo feito. Eles já estão no governo há muito tempo e a situação só piorou de 1998 para cá”, argumentou durante entrevista.

Do lado de lá, por sua vez, usa-se o argumento de que o planejamento para a área está sendo realizado há tempos e que seus resultados são percebidos em longo e médio prazos. “Estamos avançando no orçamento da segurança pública mais do que em qualquer outra área”, declarou Marconi durante o mesmo evento da última terça-feira. Uma das justificavas também utilizada pela base é a suposta falta de investimento por parte do governo federal; o que foi prontamente refutado pela oposição nas estatísticas apresentadas, uma vez que, comparado com outros Estados, foi verificada uma elevação substancial nos índices de homicídios em Goiás. Além disso, no início deste ano, dados da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), cedidos ao Jornal Opção Online, mostraram que, nos últimos três anos, o governo federal recebeu de volta a quantia de R$ 3.771.748,72 que havia repassado ao Estado por meio de convênios firmados com a Secretaria de Segurança Pública de Goiás (SSP-GO) e ONGs.

Vale ressaltar que as estatísticas apresentadas pela coligação peemedebista nesta quarta-feira não levaram em conta aspectos financeiros, como os valores investidos no setor durante o período de tempo compreendido. A questão chegou a ser levantada por um dos jornalistas presentes na coletiva de imprensa no escritório de Iris. Em resposta, Barbosa Neto alegou que uma resolução da Secretaria de Segurança Pública impedia a disponibilização dos dados. O documento ao qual o coordenador se referia é datado de 27 de junho deste ano, e nele, é vetado o  repasse de informações referentes a estatísticas da Delegacia de Investigações de Homicídios da Polícia Civil, como ocorrências de homicídios e outros casos.

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