Apesar de greve, atividades nas agências dos Correios em Goiás ainda não foram afetadas

Sindicato espera crescimento do movimento a partir desta quarta-feira e acusa governo e empresa de atropelarem acordo coletivo firmado no TST. Para os Correios, é preciso cuidar da sustentabilidade financeira da empresa

Agência dos Correios | Foto: Reprodução

Apesar da adesão à mobilização e greve nacional, as agências dos Correios em Goiás ainda não tiveram suas atividades afetadas. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores na Empresa de Correios e Telégrafos de Goiás (Sintect-GO), o número de adesões já é significativo e deve aumentar a partir desta quarta-feira, 19, quando será realizada uma mobilização e uma carreata saindo da Praça Cívica, em Goiânia, até o Centro de Distribuição localizado na Vila Brasília, em Aparecida de Goiânia.

De acordo com o representante do Sintect-GO, Eziraldo Santos Vieira, todos os atos serão feitos respeitando o distanciamento social e demais normas de segurança contra a proliferação do coronavírus (Covid-19). “Esperamos que a sociedade entenda que a gente não queria fazer esse movimento, mas fomos empurrados para isso. Temos um governo e uma empresa totalmente irresponsáveis que querem atropelar direitos assegurados em um acordo coletivo firmado no TST”, defende Eziraldo.

“Em todo o país já alcançamos 20% de paralisação, ou seja, somos 20 mil trabalhadores na luta por respeito às nossas garantias de trabalho. A sociedade não tem culpa, assim como nós. Em plena pandemia, tivemos que lutar para que os funcionários do grupo de risco fossem resguardados. Se não fosse a nossa pressão não teriam respeitado isso. Nesse período, o e-commerce cresceu entre 40% e 60%, estamos nos desdobrando para dar conta de tudo. Perdemos 70 vidas para a Covid-19. E enquanto isso, querem vender a ideia de que a empresa não presta e de que é preciso privatizar”, dispara o sindicalista.

Para o movimento grevista, os Correios vêm sofrendo uma série de ataques no atual governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e a situação teria se intensificado na gestão do General da reserva, Floriano Peixoto Neto, atual presidente dos Correios. “Já reduziram o número de trabalhadores, éramos 127 mil e hoje somos um pouco menos de 100 mil. O governo dilatou o prazo de entrega, mexeu no Plano de Saúde e agora tentam tirar dezenas de cláusulas que garantem a estabilidade”, exemplifica Eziraldo.

“O salário médio do trabalhador dos Correios é R$1.700,00, mas agem como se tivéssemos muitos privilégios e precisássemos nos adequar à CLT. Temos um acordo coletivo vigente até 2021, fizemos uma prova regida por um edital. Não podemos aceitar que um general reformado do Exército, que não tem compromisso com a empresa e com sociedade, tire tudo o que conquistamos. Trabalhamos sol e chuva, um acordo foi firmado no Tribunal Superior do Trabalho (TST). Pelo visto querem rasgar a Constituição e ignorar a prerrogativa do fechamento do acordo coletivo. Não dá para ficar calado”, encerra o representante dos trabalhadores.

Outro lado

Em nota, os Correios informam que a paralisação parcial dos empregados dos Correios, iniciada nesta segunda-feira, 17, pelas representações sindicais da categoria, não afeta os serviços de atendimento da estatal. Também afirma que um levantamento parcial, realizado na terça-feira, 18, mostra que 83% do efetivo total dos Correios no Brasil estava trabalhando regularmente.

A empresa também diz que já colocou em prática seu Plano de Continuidade de Negócios para minimizar os impactos à população. A iniciativa inclui medidas como o deslocamento de empregados administrativos para auxiliar na operação, remanejamento de veículos e a realização de mutirões estão sendo adotadas.

Sobre o funcionamento, os Correios destacam que a rede de atendimento está aberta em todo o país e os serviços, inclusive SEDEX e PAC, continuam sendo postados e entregues em todos os municípios. Para mais informações, os clientes podem entrar em contato pelo telefone 0800 725 0100 ou pelo endereço https://apps2.correios.com.br/faleconosco/app/index.php

A respeito das negociações com os trabalhadores, a nota destaca que os Correios tiveram um objetivo primordial: cuidar da sustentabilidade financeira da empresa, a fim de retomar seu poder de investimento e sua estabilidade, para se proteger da crise financeira ocasionada pela pandemia.

Conforme amplamente divulgado, a diminuição de despesas prevista com as medidas de contenção em pauta é da ordem de R$ 600 milhões anuais. As reivindicações da Fentect, por sua vez, custariam aos cofres dos Correios quase R$ 1 bilhão no mesmo período – dez vezes o lucro obtido em 2019. Trata-se de uma proposta impossível de ser atendida.

Diversas comunicações inverídicas e descontextualizadas foram veiculadas, com o intuito apenas de provocar confusão nos empregados acerca dos termos da proposta. À empresa, coube trazer as reais informações ao seu efetivo: nenhum direito foi retirado, apenas foram adequados os benefícios que extrapolavam a CLT e outras legislações, de modo a alinhar a estatal ao que é praticado no mercado.

Os trabalhadores continuam tendo acesso ao benefício do Auxílio-creche, para dependentes com até 5 anos de idade. Os tíquetes refeição e alimentação também continuam sendo pagos, conforme previsto na legislação que rege o tema, sendo as quantidades adequadas aos dias úteis no mês, de acordo com a jornada de cada empregado: 22 tíquetes para quem trabalha de segunda a sexta-feira e 26 tíquetes para os empregados que trabalham inclusive aos sábados ou domingos.

Estão mantidos ainda – aos empregados das áreas de Distribuição/Coleta, Tratamento e Atendimento -, os respectivos adicionais.

Vale ressaltar que, dentre as medidas adotadas para proteger o efetivo durante a pandemia, a empresa redirecionou empregados classificados como grupo de risco para o trabalho remoto – bem como aqueles que coabitam com pessoas nessas condições –, sem qualquer perda salarial.

Respaldados por orientação da Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (SEST), bem como por diretrizes do Ministério da Economia, os Correios se veem obrigados a zelar pelo reequilíbrio do caixa financeiro da empresa. Em parte, isso significa repensar a concessão de benefícios que extrapolem a prática de mercado e a legislação vigente. Assim, a estatal persegue dois grandes objetivos: a sustentabilidade da empresa e a manutenção dos empregos de todos.

É importante lembrar que um movimento paredista agrava ainda mais a debilitada situação econômica da estatal. Diante deste cenário, a instituição confia no compromisso e responsabilidade de seus empregados com a sociedade e com o país, para trazer o mínimo de prejuízo possível para a população, especialmente neste momento de pandemia, em que a atuação dos Correios é ainda mais essencial para o Brasil.

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