Torcedores goianos marcam presença em jogos da Copa do Mundo

Goiás nunca teve um jogador representando o Estado em mundiais. Na arquibancada, a história é outra

Bruno Altino com a bandeira do Vila Nova em frente ao estádio Lujniki, em Moscou

De Cazã, Rússia

Nunca houve um jogador nascido em Goiás que tenha disputado uma Copa do Mundo pela seleção brasileira. Em 2018, o volante Arthur, ex-Grêmio vendido recentemente ao Barcelona, e o atacante Dudu, do Palmeiras, quase foram os primeiros, mas figuraram apenas na lista de suplentes do técnico Tite.

Na arquibancada, contudo, Goiás sempre marca presença. Neste mundial da Rússia, ainda mais. Não é necessário muito esforço para ver bandeiras de times goianos nos estádios russos — pelo menos uma foi vista em cada um dos jogos que o Jornal Opção se fez presente até o momento.

Impressões
O advogado Bruno Altino Amaral, de 34 anos, decidiu ir à Copa do Mundo junto com um amigo em setembro do ano passado durante uma partida do seu time do coração, o Vila Nova. “Era um sonho nosso de criança”, diz.

Ao todo, Bruno foi a quatro jogos — a abertura entre os donos da casa e a Arábia Saudita e os três do Brasil na fase de grupos. Um item indispensável para o advogado era a bandeira colorada do Vila Nova, orgulhosamente ostentada por ele na arquibancada.

Segundo Bruno, a imagem que ele tinha da Rússia mudou depois de ter conhecido o país e, por isso, está voltando ao Brasil com uma impressão extremamente positiva. “A Rússia é um país maravilhoso e encantador. O povo é receptivo e os estádios são espetaculares.”

Para ele, uma das coisas que mais o surpreendeu foi a idolatria da população mais velha ao presidente da Rússia, Vladimir Putin. “Porém, a população mais jovem nega a continuidade dele”, avalia Bruno.

Fabrício Machado, 40, começou a amadurecer a ideia de ver a Copa do Mundo na Rússia há quatro anos, após ir a sete jogos do mundial no Brasil e se encantar com a atmosfera. “Toda aquela mistura de culturas fez nascer uma chama e comecei a pensar na possibilidade de vir”, explica o executivo de contas, que mora no Rio de Janeiro há dez anos.

Natural de Inhumas, Fabrício foi a sete jogos em 2014. Em um deles, na vitória da Argentina por 1 a 0 contra a Bósnia, no Maracanã, o torcedor do Vila Nova levou o seu sobrinho Álvaro Henrique, hoje com 18 anos. Na Rússia, a parceria se repetiu e os dois também estão viajando juntos — assistiram ao último jogo do Brasil na fase de grupos e às partidas das oitavas e quartas de final.

Fabrício Machado ao lado de seu sobrinho, Álvaro Henrique

Torcedor do Goianésia — “raiz”, como definiu o tio —, Álvaro fez um curso de “sobrevivência” do idioma russo antes da Copa do Mundo. “Aprendi o básico. Mas, se me soltar sozinho aqui na Rússia, consigo me virar”, frisa.

O estudante de Direito diz que se surpreendeu positivamente com a Rússia. “Achava que era uma coisa e é outra completamente diferente. Os filmes costumam retratar os russos como vilões e pensei que eles fossem fechados, mas foram todos muito atenciosos”, conta Álvaro.

Por sua vez, Fabrício garante que não passou por nenhuma experiência negativa e destaca a limpeza das ruas e a qualidade do transporte público de cidades como Moscou, além da “imponência” do país e o fato de os russos serem “fieis às suas bases”. “Não vi influência de nenhum outro país, como Estados Unidos e China.”

Assim como Bruno, a idolatria a Putin foi outro ponto que chamou a atenção de Fabrício. “Ele é muito idolatrado e está presente em todas as lojas de souvenir. Isso é algo que eu gostaria de levar ao Brasil. Estrangeiros que vão ao país jamais comprariam lembranças de políticos brasileiros. Queria poder votar no Putin agora em outubro”, assinala.

Caso de assédio
As polêmicas do mundial não se restringiram ao futebol. Se determinado lance foi pênalti ou não, por exemplo. Fora de campo, um episódio em que um grupo de brasileiros cerca uma russa e a induz a repetir palavras de cunho sexual em português certamente foi tão comentado quanto as quedas de Neymar — talvez até mais.

Vale mencionar que casos semelhantes se repetiram ao longo da Copa do Mundo, envolvendo torcedores de outros países, como Argentina, Colômbia e Peru.

De acordo com Bruno, está é uma prova de “imaturidade cultural”. “É um reflexo do machismo, que está enraizado em nossa cultura. Não tem ‘mas’. É errado e ponto. Sou pai de uma menina e aquilo foi uma agressão a qualquer mulher”, pontua.

Apesar disso, o advogado diz acreditar que a imagem passada pelos torcedores brasileiros em geral é, sim, positiva. “Com a Copa do Mundo, os russos vão confirmar que o brasileiro é um povo alegre, festivo e que ama o futebol”, sublinha.

Na análise de Fabrício, esta foi uma situação isolada e não reflete a maioria dos torcedores brasileiros. “Estatísticas mostram que 85 mil brasileiros viajaram à Rússia. Existe uma meia dúzia que toma atitudes assim. É uma minoria que não representa todos que estão aqui.”

Segundo o executivo de contas, o Brasil tem passado uma imagem positiva, que não será abalada por “um ou outro evento negativo”.

Para Álvaro, os brasileiros do vídeo “passaram do ponto”. O estudante pensa ainda na russa que foi constrangida. “Não dá para imaginar pelo que ela deve estar passado com o mundo tudo repercutindo isto”, afirma.

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