O ensino público pode se igualar ao privado? Goiás tenta descobrir

Raquel Teixeira assume secretaria com a determinação de diminuir as desigualdades do Estado e, para isso, estuda modelos aplicados em outras unidades da federação e países

A mudança pode até vir “de cima”, mas o lugar em que ela deve realmente ser aplicada é na sala de aula: berço da educação | Fernando Leite/Jornal Opção

A mudança pode até vir “de cima”, mas o lugar em que ela deve realmente ser aplicada é na sala de aula: berço da educação | Fernando Leite/Jornal Opção

Marcos Nunes Carreiro

Educação é um daqueles temas fundamentais da sociedade moderna, que parecem estar sempre presentes, mas apenas lembrados em inícios de mandato político e nas semanas que cercam os exames de admissão nas universidades, antes os vestibulares, agora o Enem. É o que parece. Porém, nos últimos anos, a questão educacional tem, de fato, passado de sua “presença ausente” para uma discussão, ao menos aparentemente, mais profunda.

Vemos o ministro da Educação, Cid Gomes — que até o momento ainda não foi levado a sério pela categoria educacional —, fazendo grandes discursos e os secretários estaduais se movimentando nessas primeiras semanas de governo. Em Goiás, o próprio governador Mar­coni Perillo (PSDB) falou das diretrizes de seu novo governo, colocando a educação como centro, prioridade. E para fazer aquilo que deseja escolheu Raquel Teixeira.

E a determinação é: que as escolas públicas tenham a mesma qualidade, ou estejam muito próximas das escolas privadas, tidas como referência no País. Ao que consta, os olhos do tucano estão voltados para fazer com que todas as crianças, independente do nível econômico, tenham oportunidades educacionais, senão idênticas ao menos muito parecidas. É uma meta deveras ambiciosa, logo, que só será alcançada com alguma dor. Como disse Raquel ao Jornal Opção, “é a lagarta que precisa morrer para virar borboleta”.

Então, se haverá mudanças, quais serão elas? De acordo com a secretária, os próximos quatro anos têm duas linhas norteadoras: excelência e equidade.

1) Equidade: “Pela razão óbvia de que a desigualdade continua sendo vergonhosa no Brasil. Às vezes, pensamos que a desigualdade tem diminuído. Realmente, o Brasil melhorou, visto que a extrema pobreza está sendo combatida. Porém, os programas de transferência de renda, embora muito importantes, são limitados. E o que efetivamente combate a desigualdade é a educação”, diz Raquel.

Para sustentar seu posicionamento, a secretária cita o último mapeamento feito pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvol­vimento (Pnud): “Em Goiânia, podemos ver claramente as diferenças de longevidade e de renda, mas a mais gritante é na educação. Um exemplo: crianças de 5 e 6 anos matriculadas na escola — 100% nos bairros ricos, 52% nos bairros pobres; jovens de 18 anos com ensino médio finalizado — 87% nos bairros ricos, 32% nos bairros pobres. Quando se começa a analisar esses resultados, chega-se à conclusão que a mãe das desigualdades continua sendo a educacional”.

2) Excelência: Para Raquel, o foco na melhoria da excelência dos processos pedagógicos é primordial. Ou seja, modificar aquilo que acontece dentro da sala de aula: da metodologia ao material didático-pedagógico; da avaliação do que acontece na educação aos mecanismos utilizados para concertar a trajetória. Ela aponta que há o Brasil conta atualmente com um sistema de avaliação de dados educacionais, um dos mais sofisticados do mundo, mas que não é plenamente usado por falta de estratégias.

“Ora, se na escola x, uma turma está com dificuldades no aprendizado de matemática, temos como interferir naquela sala para garantir que o ensino seja garantido. Não precisamos que o MEC venha fazer uma avaliação externa para saber aquilo que precisamos dentro da sala de aula, pois os professores são os primeiros a saber dos problemas. O que é preciso fazer é criar as condições para que eles possam fazer esse reforço e trazer as crianças”, analisa.

Modelos

Raquel Teixeira: “Podemos ter experiências-piloto de vários modelos. Há disposição  de estudar alternativas” | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Raquel Teixeira: “Podemos ter experiências-piloto de vários modelos. Há disposição
de estudar alternativas” | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Raquel Teixeira diz que está avaliando vários estudos, análises e modelos que podem fazer a educação goiana dar o “salto” pretendido pelo governador Marconi Perillo. Entre eles estão: as Charter Schools dos Estados Unidos (EUA); a autonomia orçamentária escolar da Inglaterra; e o sistema de vouchers das escolas do Chile.

As Charter Schools garantem maior autonomia às escolas, que são geridas a partir de uma parceria público-privada. Na autonomia característica, os gestores têm certa liberdade para contratar professores, formar seus próprios currículos escolares, além de poder oferecer uma maior carga horária de aula. Dessa forma, se adotado, o modelo das Charter deverá ter Organizações Sociais (OSs) como gestores escolares, algo já experimentado com alegado sucesso na área de saúde — todos os hospitais da rede estadual são geridos por OSs.

A secretária esteve nos Estados Unidos para conhecer mais deste e de outros modelos de ensino e conversar com os grandes nomes da educação no país (veja quadro). Porém, o informado sucesso das Charter Schools foi relativizado pelo professor da Universidade de Stanford Martin Carnoy, atualmente uma das autoridades quando o assunto são políticas educacionais. Ele, que conhece o sistema brasileiro com profundidade — esteve no Brasil por mais de uma oportunidade pesquisando a educação do País —, alerta para alguns péssimos resultados das Charter Schools, de acordo com estudos e pesquisas bastante atuais.

“A dificuldade”, argumenta Raquel, que se reuniu com Carnoy na visita que fez a Stanford há pouco mais de uma semana, “é que essas escolas geralmente funcionam em torno de um grupo de pais ou professores que querem fazer uma experiência. Contudo, em lugar nenhum do mundo o modelo resolveu todos os problemas de uma rede de ensino”.

Há também o modelo do Chile, em que metade das escolas é pública municipal e a outra é subvencionada pelo sistema de vouchers, em que o Estado dá vales para pagar a escola para que aceite seus alunos. Contudo, Raquel aponta que há um relatório do Banco Mundial (Bird) informando que as escolas chilenas no sistema de vouchers são mais caras e com resultados não muito superiores às municipais públicas. Logo, para ser adotado em Goiás, o modelo precisa passar por estudos.

Outro tipo de sistema educacional que pode ser adotado é o inglês, em que cada escola é uma unidade orçamentária. Nesse modelo, um caça-talentos — headhunter — busca uma pessoa no mercado para gerir determinada escola com certa quantidade de recursos. Escolas na Inglaterra têm funcionado bem seguindo essa cartilha. Se daria certo no Brasil, não há como saber.

“Estamos analisando os modelos para definir o que será aplicado aqui e nada será feito sem uma ampla discussão com os professores e sem verificar as implicações de tudo. O que nós queremos é que filhos de famílias não abastadas tenham oportunidades de qualidade educacional semelhantes às de famílias mais abastadas. E o que precisar fazer de mudanças, nós iremos discutir, mas não há rótulo, nem definição de modelos. Podemos ter experiências piloto de OSs, de Charter, de voucher, do que for. Há a disposição de estudar as alternativas”, determina Raquel.

Autonomia

“Qual é a diferença mais óbvia de uma escola pública para uma privada? Autonomia. O diretor, que geralmente também é o dono de uma escola, tem autonomia para selecionar alunos. A coisa mais fácil é ser professor em escola privada, pois é maravilhoso dar aula para bons alunos, uma vez que o que eles aprendem nem sempre depende do professor, mas da vivência familiar, dos livros que leu, dos filmes que assistiu, etc.”.

Na fala acima Raquel Teixeira confirma algo que se já se vê em muitos setores da administração goiana: a busca por conceder mais autonomia às instituições e órgãos do Estado. Logo, não é difícil imaginar que a gestão educacional nesses próximos quatros terá o desafio de buscar trazer essa característica também esta área, visto que, atualmente, uma das instituições que menos tem autonomia é a escola pública.

Como bem pontua a secretária, o diretor de escola pública não tem liberdade nem de selecionar alunos, nem de mandar professores embora, caso algum não se adeque à gestão. Este fato, claramente, faz com que a administração de uma escola pública seja muito mais complexa que a de uma privada. Porém, na avaliação de Raquel, essa falta de autonomia não é ruim, pois “a escola pública não deve mesmo selecionar alunos, visto que um de seus princípios é o de ser acolhedora de todos”.

Seguindo nesse debate, ela diz que, ao contrário do ensino privado, os alunos de escola pública formam turmas muito heterogêneas, isto é, têm histórias e formações familiares distintas o suficiente para dificultar também o trabalho do professor. “Há uma relação muito nítida entre o nível socioeconômico da criança, o nível de escolaridade dos pais e o desempenho dos alunos nas escolas e nos testes padronizados — como o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb)”, explica.

Agora, relação não é causalidade. O pai ser analfabeto não causa o fracasso educacional do filho. O mesmo serve para a criança que tem um pai presidiário ou uma mãe dependente química. E Raquel concorda com essa visão, tanto que aponta ser exatamente por isso que o governo está buscando aprimorar o ensino.

Quem são as pessoas com quem Raquel Teixeira tem conversado 

Nos Estados Unidos, Raquel Teixeira se encontrou com alguns grandes nomes do país para discutir as possibilidades de aprimorar o ensino em Goiás: os estudiosos da educação no Brasil, professores da Universidade de Stanford, Martin Carnoy e David Plank. Na mesma reunião, ocorrida em Stanford, também estava o brasileiro Paulo Blikstein, que participou via conferência eletrônica. Além deles, a secretária afirma que também tem mantido contato com Cláudia Costin, diretora de educação no Banco Mundial (Bird), em Washington.

Martin CarnoyMartin Carnoy: leciona Educação e Economia na Universidade de Stanford e realizou um estudo comparativo entre Cuba, Chile e Brasil, devido aos resultados positivos que o primeiro país tinha tido em dois testes realizados pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) em 1997 e 2005. Carnoy filmou aulas de Matemática (disciplina em que o desempenho foi mais desigual na comparação dos três países) em 36 escolas e entrevistou funcionários de Educação em todos os níveis da administração pública, além de professores, diretores, estudantes e pais. A conclusão de Carnoy foi a de que, embora o fator socioeconômica dos alunos influencie em seu aprendizado, boa parte das causa para o favorecimento de Cuba em relação ao Brasil está dentro das próprias salas.

Contudo, o próprio Carnoy conscientiza para a grande possibilidade de o “modelo educacional” cubano não funcionar em outros países se aplicado como um todo. Isso não significa, porém, que partes dessas práticas possam ser aprimoradas em um estudo educacional mais profundo. Inclusive, o professor de Stanford voltou ao Brasil para levantar as características da educação brasileira. Ele analisou a educação nas 27 unidades federativas do País, isolando todos os fatores que podem exercer influência sobre o aprendizado dos alunos — situação socioeconômica, nível educacional familiar, relacionamentos sociais, etc. Os resultados dessa nova pesquisa serão divulgados no próximo mês de junho, em Washington, EUA.

David PlankDavid Plank: também professor da Universidade de Stanford, ele é diretor executivo de Análise das Políticas Educacionais para a Califórnia (PACE, sigla em inglês para Policy Analysis for California Education) e fundador do Centro de Políticas Educacionais da Universidade de Michigan. Faz parte de dois programas em Stanford: PhD em Políticas Educacionais e PhD em Ciências Sociais em Educação.

 

Paulo BliksteinPaulo Blikstein: engenheiro metalúrgico formado pela Universidade de São Paulo (USP), o brasileiro mora atualmente com a mulher na Califórnia, EUA. É professor assistente na Escola de Educação de Stanford. Desde 2006, quando passou em primeiro lugar em concursos de cinco das mais prestigiadas universidades estadunidenses, ele trabalha como professor assistente da Universidade Stanford. É considerado um gênio. Graduou-se em 1999 e, no intervalo de dois anos, fez dois mestrados: um na USP e outro no Massachusetts Institute of Technology (MIT). Depois fez doutorado na Universidade Northwestern, em Chicago. No fim de 2011, ganhou um Early Career Award, um dos prêmios mais cobiçados pelos jovens cientistas nos EUA. Uma de suas frentes de pesquisa tem a função de incentivar os alunos a aprender ciências.

Claudia CostinCláudia Costin: diretora de educação no Banco Mundial (Bird), em Washington, EUA. O órgão é ligado à Organização das Nações Unidas (ONU). Um dos trabalhos de Cláudia é incentivar que os países, inclusive o Brasil, implantem seus currículos nacionais. Em entrevista concedida, quando foi assumir o cargo no Bird, ela disse: “O currículo é a base da equidade e o Brasil ainda não tem um currículo nacional. Chile, Coreia do Sul e Finlândia, por exemplo, têm. É isso que permite que uma escola em uma favela possa ter um processo tão exigente de ensino quanto uma escola em uma área nobre”.

Também há bons modelos nacionais 

A Secretaria de Educação con­ta com o Programa Novo Futuro, desde 2013. São escolas de tempo integral para o ensino médio, cujo modelo pedagógico tem inspiração no sistema adotado pelo Per­nambuco. Nessas escolas, os alunos permanecem das 7h30 às 17h, contando com 45 aulas semanais amparadas por um currículo até então inédito em Goiás, inclusive com a presença da matéria chamada projeto de vida, uma espécie de acompanhamento vocacional.

Além disso, nesse modelo, os alunos são incentivados ao ensino, à cultura e ao esporte.
Até o momento, 22 escolas estaduais de Goiás foram transformadas em escolas de ensino integral e os resultados, segundo vários professores, têm sido positivos. Por isso, a reportagem perguntou à secretária Raquel Teixei­ra: nesse momento em que o governo procura um modelo para aprimorar o ensino público em Goiás, o Programa Novo Futuro poderá ser ampliado?

A resposta: “Pode e deve ser ampliado. Um dos cuidados que terei, dentro da linha de equidade e excelência, é um cuidado especial com as escolas de tempo integral. E não apenas do ensino médio, mas também as do ensino fundamental. A secretaria tem, atualmente, três modelos de ensino integral: o pernambucano; o Programa Ser Pleno, implantado durante um tempo em Goiânia, e em que não apenas o aluno, mas também o professor permanece em tempo integral na escola; e há aquele em que apenas os alunos ficam em tempo integral”.

Algo é certo e foi confirmado por Raquel: a secretaria investirá no ensino integral como um todo, independente do modelo, levando em conta as especificidades de cada etapa — inicial, fundamental e médio. E algo que será observado é a permanência full-time dos professores na escola. A questão tem relevância.

Há certo consenso entre especialistas da educação: uma turma que é acompanhada por um número menor de professores e por um tempo maior, consegue aprender mais e melhor. A razão: há a criação de um vínculo maior entre docente e alunos, o que, ao mesmo tempo, facilita o trabalho do professor como aumenta o nível de sua responsabilidade no ensino. Tais fatos são primordiais e concedem ao ensino um ganho claro.

Por isso, uma parte expressiva dos professores da rede estadual defende que a rede tenha docentes com dedicação exclusiva, a exemplo do que acontece nas universidades. Ganhando mais, eles podem se dedicar mais. É um fator matemático. Contudo, a secretária alerta que, embora ideal, a dedicação exclusiva ainda não é possível de ser aplicada em Goiás por razões jurídicas.

Segundo Raquel, economicamente, devido à Lei de Responsa­bilidade Fiscal, a dedicação exclusiva se torna inviável, visto que, por este sistema, as gratificações são incorporadas ao salário dos professores quando estes se aposentam. “Hoje, trabalhamos com uma gratificação de permanência do professor. Esta não é incorporada à aposentadoria. No modelo do Ser Pleno, por exemplo, o professor trabalha 40 horas e recebendo por 60. Essas 20 horas são o estímulo para que ele fique na escola. Na rotina do dia, ele tem um tempo para o estudo individual; dois tempos de planejamento coletivo [em que os professores se reúnem para discutir estratégias de reforço imediato para aumentar os resultados das turmas e evitar, assim, que um aluno seja reprovado ou passe de ano com notas muito baixas]”, explica.

Outra dificuldade apontada pela secretária diz respeito a uma situação muito comum: professores com contratos com o Estado e com o município. “Isso inviabiliza, claramente, a permanência desse profissional em tempo integral”, afirma.

Uma mudança curricular necessária 

Cid Gomes retomou a discussão do currículo educacional brasileiro. Para avançar, Goiás precisa pensar no assunto | Foto: Igor de Melo

Cid Gomes retomou a discussão do currículo educacional brasileiro. Para avançar, Goiás precisa pensar no assunto | Foto: Igor de Melo

Um dos grandes desafios da educação brasileira chama-se currículo escolar. O ministro da Educação, Cid Gomes, assim que assumiu, disse que iria defender uma mudança curricular no Brasil, sobretudo no que diz respeito ao ensino médio, que consistiria em adequar a grade às aptidões do aluno, isto é, se este têm maiores propensões de para as exatas, por exemplo, seu ensino poderá ter mais foco em matemática e suas áreas de conhecimento. A proposta dividiu opiniões, mas grande parte dos profissionais da educação converge para a conclusão de que uma mudança é, de fato, necessária, uma vez que o currículo escolar brasileiro é sobrecarregado. A questão é: todo ministro, desde o fim do século passado, afirma a necessidade da mudança, sem conseguir, no entanto, cumpri-la.

Mas o ponto central é que não há, no País, um currículo nacional que garanta uma educação uniforme a todos os alunos, independente de posição socioeconômica ou geográfica. Muitos países, cuja posição no ranking Pearson — que mede a curva de aprendizado dos alunos — são melhores que a do Brasil, caso de Finlândia e Chile, por exemplo.

Em suas análises da educação brasileira, o professor da Universi­da­de de Stanford Martin Carnoy diz que os currículos escolares do País são pouco exigentes, isto é, não incentivam o aluno a aprender conteúdos mais complexos, o que prejudica o sistema educacional como um todo. O estudo realizado foi na educação pública, mas os resultados, de certa forma, também se aplicam à rede privada de ensino.

Quando questionada sobre o possível aperfeiçoamento da grade curricular goiana, a secretária de Educação, Raquel Teixeira, responde da seguinte maneira: “Por que os jogos fazem tanto sucesso entre os jovens? Porque ele apresenta etapas, desafios. Quando se vence uma etapa, passa-se para a outra. Porém, o desafio do jogo deve ser na medida certa, pois se ele for difícil demais ele te desanima. Na escola é mesma coisa. É preciso ter um currículo desafiador o suficiente para fazer o aluno crescer, mas não difícil o bastante para desanimá-lo”.

Ou seja, ela defende uma mudança no currículo escolar goiano, o que deverá acontecer e já está sob análise na Secretaria de Educação. A intenção é melhorar o ensino, sobretudo, público. Segundo a secretária, há estudos recentes que comparam o avanço dos sistemas público e privado no Brasil e nos Estados Unidos. No último país, o ensino público está melhorando muito, mas se mantém distante do privado, que está se desenvolvendo demais, principalmente devido à experiência familiar.

No Brasil, aponta Raquel, a situação é diferente, uma vez que o público tem apresentados avanços maiores do que o privado, embora este ainda seja melhor. Porém, faz a diferença entre os dois sistemas ser menor. E uma das possíveis respostas para a menor discrepância está no corpo docente. Essa hipótese trata da possibilidade de que os professores brasileiros ainda não tenham alcançado o nível de complexidade intelectual para fazer os alunos avançarem mais, o que tem relação direta os cursos de licenciatura das universidades, além da indefinição curricular.

Tal concepção nos leva ao próximo tópico.

Formação de professores

O quesito formação de professores é de suma importância quando se trata de educação — seja público ou privada. A questão: a educação que necessita de aprimoramentos não é apenas a básica; a superior também, visto que é esta a formar os profissionais que atuarão no mercado de trabalho. “Por isso”, ressalta Raquel Teixeira, “precisamos pensar muito antes de fazer uma mudança, pois, não apenas na educação, há escassez de profissionais de ponta no País”.

Por isso, a solução passa pelos investimentos na formação desses profissionais, que, ainda nas universidades, têm pouquíssima formação prática ou mesmo acesso a novas tecnologias, apontadas como essenciais no amadurecimento do ensino. E o fato é que nenhuma escola consegue ter uma qualidade superior à capacidade de seus professores, visto que são eles a deter a reponsabilidade pelo local mais importante do sistema educacional: as salas de aula.
Por isso, segundo a secretária, uma das primeiras conversas que terá — o que deverá ocorrer em breve — será com o reitor da Universidade Esta­dual de Goiás (UEG), Haroldo Reimer. O objetivo da reunião será discutir a melhora da universidade, que atualmente aparece em posições muito distantes das ideias em todos os rankings que avaliam a qualidade das instituições de ensino no País.

E as melhoras na UEG são extremamente essenciais para o aperfeiçoamento dos professores formados em Goiás e que, provavelmente, atuarão no Estado, independente do nível de ensino. Isso porque a universidade nasceu com foco nos cursos de formação docente e, atualmente, a maioria — 28 — das 43 unidades das unidades espalhadas pelo Estado tem pelo menos uma licenciatura, fora os programas de especialização e mestrado voltados para o ensino.

Logo, melhorar a UEG é, por tabela, aprimorar a formação de professores. Segundo Raquel, o reitor já a procurou para discutir a questão e garante: “iremos repensar as licenciaturas da instituição”.

6 Comment threads
3 Thread replies
0 Followers
 
Most reacted comment
Hottest comment thread
7 Comment authors

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Moacir Romeiro

Para mim, que conheço bem essa secretária, isso é somente falar modernos e modernices. Não vai fazer a revolução na educação, de que tanto fala, porque a melhoria na educação poderia ser conseguida sem passar pelo processo de terceirização. Por que todas soluções de problemas, seja no âmbito da educação, seja em qualquer outro, para essas pessoas, são alcançadas somente quando o setor privado é beneficiado?

Epaminondas

Porque o setor privado é mais eficiente?

Vocês querem defender o modelo escolar ou a eficiência? Até hoje, se tem defendido o modelo escolar: Professores com seguridade empregatícia, sem cobrança de resultados, sindicatos pressionando. Deu no que está dando.

Danilo

Não é beneficiar o setor privado. É somente reconhecer sua eficiência e a ineficiência do Estado. Tudo que fica na mão do setor público é ineficiente.

Idelma Lucia Chagas Ribeiro

Vendo as propostas para a educação no Estado de Goiás, percebemos a necessidade de que essas discussões saiam do papel e passem a ser materializadas, pois, a educação precisa, com urgência, estar em outro patamar de prioridades por ser fundamental na formação de uma sociedade. E repensar como tem sido a realidade dos cursos de licenciatura na formação docente e como tem sido o processo formativo dos professores dentro da universidade é algo que não pode mais ser adiado. Quando deparamos com declarações como: “precisamos pensar muito antes de fazer uma mudança, pois, não apenas na educação, há escassez de… Leia mais

Idelma Lucia Chagas Ribeiro

Vendo as propostas para a educação no Estado de Goiás, percebemos a necessidade de que essas discussões saiam do papel e passem a ser materializadas, pois, a educação precisa, com urgência, estar em outro patamar de prioridades por ser fundamental na formação de uma sociedade. E repensar como tem sido a realidade dos cursos de licenciatura na formação docente e como tem sido o processo formativo dos professores dentro da universidade é algo que não pode mais ser adiado. Quando deparamos com declarações como: “precisamos pensar muito antes de fazer uma mudança, pois, não apenas na educação, há escassez de… Leia mais

Rogério

blá, blá, blá…..Vai acreditando !!!

Ronan Magalhães

Igualar o ensino público ao privado, implica igualar todos os elementos característicos dos ricos e dos pobres. Impossível, haja vista as disparidades sociais, econômicas e culturais existentes entre ambos. Para que uma paridade educacional colha alguns frutos, seria necessário o esforço de um estadista de pulso, que tenha a coragem de eliminar as “maçãs podres” (alunos que não querem estudar, professores que não querem trabalhar…). Pois não tem como falar em “acesso a educação para todos”, se “todos” não querem.

Moacir Romeiro

Epaminondas, você é muito ingênuo em achar que o setor privado é mais eficiente.

Aroldo J. Bichaco

Aliás, ingenuidade e crença em soluções mágicas parece que tem sido a tônica das discussões atuais em todos os âmbitos. O último edital para contratação de professores em Goiás que saiu esse ano oferecia por volta de 650 reais para 20 horas de trabalho. Não consigo ver qual o reflexo disso para uma educação de qualidade. Querem transformar os professores em miseráveis. Muita gente não sabe, mas a boa educação que os filhos de muitas pessoas recebem em escolas privadas é bancada à custa de professores e professoras que recebem salários miseráveis. Na educação infantil e fundamental I, muitos profissionais… Leia mais