Dois goianos são destaque na lista Forbes Under 30 Brasil

Inovações no ensino da medicina e incentivo aos empreendimentos tecnológicos no campo são as realizações dos jovens Pedro Miranda e Nathália Secco

Mais conceituada revista de negócios e economia do mundo escolhe jovens influentes em suas áreas anualmente | Foto: Reprodução

Desde 2014 no Brasil, a lista Forbes 30 Under 30 elenca empreendedores, criadores e personalidades divisoras de águas abaixo dos 30 anos. São pessoas que mudam os cenários de seus campos de atuação divididos em 15 categorias como artes, ciência e educação, design, esportes, finanças, indústria, entre outros. Ao todo, 347 indivíduos já foram homenageados; 30 na última edição, da qual dois goianos fazem parte.

O médico Pedro Miranda e a empreendedora Nathália Secco têm 30 e 28 anos, respectivamente, e foram considerados dois dos brasileiros mais disruptivos atualmente. As indicações foram feitas por líderes empresariais e especialistas em cada uma das áreas à equipe de jurados, que analisam critérios objetivos e subjetivos, como faturamento, criatividade, ineditismo, benefícios sociais reais e projetados, número de pessoas impactadas (e em que medida) e potencial em curto, médio e longo prazos.

Pedro Miranda 

“Dediquei minha vida a mudar o panorama da assistência médica no Brasil e garantir melhor atendimento à população”, afirma Pedro Miranda | Foto: Reprodução

Médico radiologista formado pela Universidade Federal de Goiás (UFG), Pedro Miranda é o único médico na lista. Ele é presidente da Associação Brasileira de Simulação Médica (ABSM) e mestre em Atenção à Saúde pela PUC Goiás. Entretanto, o profissional da saúde foi eleito pela Forbes por sua carreira de sete anos com educação e treinamento de novos médicos; trabalho que desempenha através do Instituto Pedro Miranda (IPM) e nas universidades em que leciona.

Seu método único consiste em simulações realísticas do atendimento clínico. “No IPM, o aluno não se senta e assiste uma exposição”, explica Pedro Miranda. “Não é um processo passivo. As aulas são simulações presenciais em que um ator treinado interpreta um paciente. O médico tem poucos minutos para resolver problemas em condições de pressão que o estudante vai enfrentar no dia-a-dia da profissão. Como professor, vejo que utilizar todas as habilidades necessárias do ofício prático é uma satisfação para o médico que se torna qualidade de atendimento para o paciente”. 

No método desenvolvido por Pedro Miranda, não há notas de zero a dez – só recebem o certificado de conclusão do curso aqueles que solucionam satisfatoriamente todos os desafios apresentados. “Na medicina o profissional não pode ser nota sete; ele precisa ser sempre dez. Isso pode ser a diferença entre a vida e a morte de um paciente”, explica Pedro Miranda. Além disso, o especialista em radiologia e educação conta que, para manter o certificado concedido pelo instituto, o estudante deve fazer revisões frequentes.

Pedro Miranda explica que sempre se sentiu decepcionado com o método clássico da pedagogia da medicina, e que transformar o ensino de nível superior é sua maior pretensão. Durante a pandemia de Covid-19, o médico chegou um passo mais próximo de seu objetivo. Não sendo possível receber presencialmente os profissionais de saúde que se preparavam para atender a nova doença respiratória, o IPM forneceu gratuitamente seus cursos por meio da tecnologia. 

“Desenvolvemos um aplicativo em que o aluno interagia virtualmente com pacientes, com Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), realizava os procedimentos protocolares. Além disso, os estudantes também assistiam a vídeos e julgavam se o procedimento exibido estava correto ou errado. Foram mais de cinco mil profissionais treinados; os vídeos tiveram duzentos e trinta mil acesos e o aplicativo foi utilizado em cinquenta e dois países”, conta Pedro Miranda.

Pedro Miranda afirma que o destaque cedido pela mais conceituada revista de negócios e economia do mundo é uma injeção de ânimo. “É um reconhecimento que coroa o trabalho que vem sendo feito há sete anos. Dediquei minha vida ao estudo do aprendizado de alta performance e agora sigo mais forte tentando mudar o panorama da assistência médica no Brasil e garantir melhor atendimento à população”.

Nathália Secco

“O mundo inteiro sabe o que significa ser um Under 30”, diz Nathália Secco | Foto: Reprodução

Filha de empresários e produtores rurais, Nathália Secco fundou a primeira aceleradora de startups do agronegócio no Centro-Oeste brasileiro. Entre os diversos clientes da Orchestra Innovation Center, está a empresa de biotecnologia C6Bio, que alcançou a previsão de faturamento anual da startup em um trimestre.

Neste ano a Orchestra expandiu sua área de atuação com a abertura da nova sede em Brasília, e já está em programado o segundo passo da expansão para o primeiro semestre deste ano, a abertura da Orchestra Ventures, um fundo Cross Boarder sediado no Vale do Silício, nos Estados Unidos. Os primeiros investimentos serão realizados através de um Micro Fundo, que irá captar 3 milhões de dólares para co-investimento em startups do portfólio da Orchestra Innovation Center Brasil, conta Nathália Secco.

“Nós ajudamos startups a se desenvolver e ganhar escala. Com todas as dificuldades operacionais do acesso à tecnologia no campo, trabalhamos para captar investimentos para as startups que atuam no Brasil”, afirma Nathália Secco. 

Entre os “cases de sucesso” da Orchestra, Nathália Secco coloca a primeira edição do programa Agriculture Challenge, realizado em parceria com a AgTech britânica Hummingbird Technologies. Startups, empresas de agricultura de precisão, agricultores e indústrias estão participando ativamente neste processo para promover práticas que trazem mais eficiência para as aplicações de herbicidas no controle de plantas daninhas na região sudoeste de Goiás e arredores de Mato Grosso. 

De acordo com os estudos realizados pela startup britânica em Goiás, o uso destes recursos pode gerar uma economia de até 80% de herbicida, por um custo que varia de R$ 60 a R$ 110 por hectare. Essa variação acontece dependendo do grau de infestação e necessidade individual de cada talhão. Com a ausência total destas ervas daninhas mais resistentes, a longo prazo os custos podem ser até 200% menores, considerando um custo por intervenção de R$ 40 por hectare.

Sobre o reconhecimento trazido pela Under 30, Nathália Secco afirma que a visibilidade trazida pela revista já gerou alguns resultados: “As pessoas já nos conheciam por nosso trabalho, e com a Forbes isso fica potencializado. Eu acredito que a publicação nos ajudará principalmente com nossa nova iniciativa no exterior, pois nós temos muito network nos Estados Unidos, advisors no Vale do Silício, mas não somos conhecidos. No ambiente da inovação, o mundo inteiro sabe o que significa ser um Under 30”

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