Augusto Diniz
Augusto Diniz

Três anos depois, O Terno volta a Goiânia em dobradinha com show solo de Tim Bernardes

Público aguardou e músicos atenderam ao pedido dos fãs, que se encantaram com último disco da banda paulistana, mas ainda não puderam conferir o trabalho ao vivo

Lançado em agosto de 2016, o disco “Melhor Do Que Parece” ainda não foi apresentado ao vivo em Goiânia | Foto: Marco Lafer/Divulgação

Parece que eu fico o tempo todo culpado/Com culpa eu não sei do quê/Quem vai me desculpar se eu não fiz nada de errado?/Que mais que eu posso fazer?” O tom de dúvida da pergunta de Tim Bernardes, vocalista do O Terno, nos primeiros versos da música “Culpa”, pode ser solucionado nesta semana. Faixa que abre o terceiro disco – “Melhor Do Que Parece” (2016) – do trio paulistano formado por Tim (vocal, guitarra e piano), Guilherme D’Almeida (baixo) e Gabriel Basile, o Biel (bateria), “Culpa” pode ser algo que O Terno deixe de ter ao pagar suas dívidas com o público goiano e voltar a Goiânia nesta sexta-feira (13/7), às 20 horas, quando se apresentará no Teatro Goiânia.

Desde setembro de 2015, no Festival Vaca Amarela, quando o grupo ainda fazia turnê do segundo disco, “O Terno” (2014), que eles não voltam à capital goiana. O reencontro com Goiânia será uma espécie de lançamento ao vivo do álbum “Melhor Do Que Parece”, mesmo quase dois anos depois de ter sido disponibilizado em formato físico e nas plataformas digitais de música. E vem com um presente dobrado: o show solo de Tim Bernardes, “Recomeçar” (2017). Considerado um dos melhores discos lançados no ano passado por várias publicações especializadas, “Recomeçar” é a estreia de Tim sozinho no palco. E isso acontecerá um dia antes do show do O Terno, na quinta-feira (12).

A apresentação de sexta da banda ganha um reforço de metais, com os músicos Douglas Sousa (trompete), Cuca Ferreira (saxofone) e Douglas Antunes (trombone). Eles viajam com O Terno desde setembro de 2017. Quem explica a diferença entre os dois shows é Tim Bernardes, em entrevista ao Jornal Opção. “[‘Recomeçar’] Tem uma coisa que é muito diferente que o palco dele é essa coisa da composição e da solidão, de eu estar sozinho no palco mostrando as músicas quase como se estivesse no meu quarto. É um clima bem de show de compositor. Enquanto com O Terno estamos em seis no palco. Tem nós três e tem três sopros, com iluminação, cenografia, figurino. É um show mais art pop assim. Mais maluquinho, sabe?”

Se “Culpa” é uma canção animada, mesmo com a letra cheia de nós e dúvidas, a música que abre o disco solo de Tim joga leva o ouvinte para um clima mais introspectivo, conduzido pelo piano na faixa instrumental “Abertura (Recomeçar)”. Mas o vocalista garante que essa diferença nem é tão sentida pelo público que o trio já tinha. “Eu tenho sentido que o público do O Terno migrou muito rapidamente para o som do ‘Recomeçar’ também. A resposta que eu tenho tido do público no meu show solo é semelhante ao do O Terno no sentido de que é um público que parece que já conhece as músicas, está lá cantando e se envolveu com as músicas”, descreve.

Mesmo com uma poesia mais sofrida em certos momentos, de fato há uma ligação que amarra esse peso emocional de compositor das composições solo de Tim e o que a banda faz, de forma mais animada, mas com temática parecida em algumas de suas letras. “Eu fui esperar acontecer/O que eu criei na cabeça“, da canção “Talvez”, dialoga bastante com a segunda música do disco “Melhor Do Que Parece”, “Nó”: “Há uma chance de um novo começo/Um tempo bom pra fazer diferente“. Mesmo tendo sido lançada um ano antes, é como se “Nó” fosse uma resposta a “Talvez”.

A animação da apaixonante “Não Espero Mais”, do álbum do trio, que ganhou um dos clipes mais divertidos da banda, tem seus encontros com “Quis Mudar”, da carreira solo do vocalista. O clima para cima marcado pelo arranjo de violão casa com a letra “Eu quis mudar/E isso implicava em deixar para trás/Meu chão, meu conforto, o certo, a paz/Eu fui à procura de mais“. Em “Não Espero Mais”, o momento parece ser o da felicidade encontrada logo depois de mudar de rumo de “Quis Mudar”, que aparece em trechos como “Inventei caminhos, me perdi/Me encontrei quando te conheci”.

“Depois Que a Dor Passar”, do O Terno, traz o alívio da ferida curada de um amor dilacerado. “E até que enfim/Você pode chegar em casa tarde e reparar/Que o coração agora não dói mais/E que essa paz de ver que tudo passa/É bom pra gente aguentar firme/Se acontece uma próxima vez.” Em “Recomeçar”, “Depois Que a Dor Passar” pode ter seu diálogo construído com “Tanto Faz”, primeiro single do disco solo de Tim. “Vai ter copa, vai ter carnaval, mas continua errado/Nada é justo ou injusto se não há justiça de fato” mostra que o antídoto do hiato entre entender o fim de uma história pode estar contido na canção citada da banda.

Quando, em “Lua Cheia”, O Terno declara que “O caos do planeta está dentro de mim“, o assunto tem sua versão na única estrofe da letra de “Ela Não Vai Mais Voltar”, do disco solo do vocalista: “Ela não vai mais voltar/Não tem depois dessa vez/Toda essa gente que passa e me olha/Não sabe de fato o que quer dizer/Ela não vai mais voltar“.

E o sofrimento cantado por Tim continua com “Pouco a Pouco”, que parte para um reconhecer do que existe dentro do narrador, como no trecho “Se quem sabe eu aceitar/Quem eu sou sem censurar/Toda a minha parte má/Poderia até te dar/Amor, amor“. Essa busca de entender quem se é casa com “Orgulho e o Perdão”, do “Melhor Do Que Parece”, que mostra um protagonista arrependido de não conseguir deixar de ser orgulhoso em um arrastado samba: “Me olhando nos olhos, ela me pediu perdão/Eu quis lhe perdoar, mas meu orgulho disse não/E hoje, arrependido, caminho na solidão/E ela está por aí, de mãos dadas com outras mãos“.

Na canção seguinte do disco da banda, “Volta”, um arranjo melancólico e arrependido mostra um personagem que clama pelo retorno da amada. Os versos “Discorda do que eu penso/Eu não me importo, eu quero só você“, de quem clama para que um amor sobreviva aos piores momentos, vê seu fim, mesmo que na dor de abrir mão de algo vivido, em “Eu também vou sentir saudades/Eu também vou chorar sozinho“, de “Não”, do álbum “Recomeçar”.

A melancolia ganha ainda mais profundidade na quase sussurada “Era o Fim”, do álbum solo de Tim. “Tudo que tinha no mundo eu resolvi te dar/Eu perdi minha cabeça, eu dei meu coração/E eu venderia a alma pra te esquecer” encerra um ciclo de coincidências entre os dois discos. “Minas Gerais” é uma declaração de amor às lembranças que tem daquele Estado: “Quando eu for velho, quando eu for avô/É pra lá que eu vou“. A dor no peito é retomada com “Ela”, do disco “Recomeçar”, que descreve uma mulher cheia de mágoa. “Ela sentiu mais do que aguentava/Não quer sentir nada nunca mais.

“Deixa Fugir” colocar o disco do O Terno na rota dos amores que se acabaram. “O que passou/Ficou marcado e ninguém vai apagar/Um dia ela foi feliz do seu lado/Hoje ela precisa de mais” fala sobre uma mulher que quer mais, vista por alguém que percebe que aquela outra pessoa ficou para trás. “Incalculável”, de Tim, descreve quem se amedronta na hora de se entregar: “Faltou coragem de arriscar/A vida sem cautela“. Em “Vamos Assumir”, a música do trio se depara com a realidade de ver além da imagem criada de um certo alguém, que fica claro em versos como “E eu fiz de tudo pra gente dar certo e não deu/Meu bem/Vamos assumir“.

“A História Mais Velha do Mundo”, do disco “Mais Do Que Parece”, mostra que o narrador, mesmo depois de tantas desilusões e desencontros, continua a acreditar no amor, “Um destino que foi desenhado“. Do outro lado, “Calma”, do “Recomeçar”, traz um narrador que prefere acreditar em um amor que dá todos os sinais de desgastado e insolucionável: “Vai tranquila, hoje eu guardei/Tudo de bom entre nós/Pra gente não se esquecer“.

“E a vida parece mentira/Por que não quer acreditar/Que as histórias do cinema/É que não podem ser reais.” É assim que a vida é encarada quando se termina de ver um filme em “As Histórias do Cinema”, do disco solo de Tim. A resposta para esse mundo do cinema que deveria ser o real está na canção “Melhor Do Que Parece”, que fecha o disco do O Terno. “Eu tenho achado tudo chato, tudo ruim/Será que o chato aqui sou eu?” “Recomeçar”, faixa-título da estreia em voo solo do vocalista, mostra que a compreensão de que tudo que termina dá espaço para novas aventuras, até quem sabe um próximo disco, começa a ficar mais clara na última música: “A dor do fim vem pra purificar“.

Seja para curar a dor de um amor mal resolvido, chorar por quem não te quis ou vibrar com letras que falam da busca por um momento pessoal melhor, até do encanto que é se apaixonar, a hora é essa e a oportunidade veio. E Tim avisa: “Todo mundo pode pagar meia com um quilo de alimento não-perecível. E se você comprar ingresso para os dois dias tem um desconto de 10%. Então dá para comprar o pacotão e ver os dois shows”.

Serviço
Tim Bernardes com o show “Recomeçar” e O Terno com metais no Teatro Goiânia
Data:
quinta (12/7) e sexta-feira (13/7)
Local:
Teatro Goiânia (Avenida Anhanguera com Avenida Tocantins, Centro)
Horário:
20 horas
Valor: R$ 55 (meia-entrada para um dos show), R$ 110 (inteira para um dos shows), R$ 90 (combo show solo Tim Bernardes + O Terno meia-entrada) e R$ 180 (combo show solo Tim Bernardes + O Terno inteira)
Meia-entrada: para aqueles que têm direito por lei
Meia-entrada solidária: com doação de um quilo de alimento não-perecível
Venda de ingressos:
Belgian Dash (Rua 91, número 184, Setor Sul)
Ingressos online: Sympla (clique aqui)

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